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EDIÇÃO #229 • 21/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que um leilão avalia autenticidade e raridade de algo - seja um fóssil, um manuscrito ou as luvas do Michael Jackson. É nesse terceiro grupo que entra uma jaqueta de couro usada por Jensen Huang (Nvidia) num evento da Foxconn em 2023, que custava cerca de US$ 10 mil nova e foi arrematada por US$ 960 mil. São 9.500% de valorização na jaqueta, contra 382% de alta nas ações da Nvidia no mesmo período.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Domino's: cresceu abrindo loja, não vendendo pizza
• FIIs: BTLG11, o galpão badalado.
• TSMC: lucro em alta, ação nem tanto


Por aqui, a semana até que começou bem, mas o otimismo de Vale, bancos e varejo não foi gás suficiente para fechar o dia e o Ibovespa acabou caindo 0,2% - a 4a queda consecutiva. Sem agenda doméstica relevante e com giro financeiro fraco (R$ 15,8 bi, abaixo da média), foi um dia sem muitos nomes se destacando. Do lado positivo, o Focus trouxe a terceira semana seguida de queda na projeção do IPCA para 2026.
Lá fora, Dow e S&P caíram um pouco e a Nasdaq ficou estável (-0,05%), mas a Apple sozinha derrubou +2% o índice - mesmo com um início de recuperação nos chips. O clima segue azedo entre EUA e Irã e os novos ataques levaram o petróleo a encostar nos US$ 90 o barril. Até tem conversas sobre mediações e novos cessar-fogo, mas o mercado ainda espera pra crer. Essa semana está carregada de resultados de Big Techs, com destaques para Alphabet, Tesla e IBM na quarta - e você confere tudo aqui na próxima edição!

EARNINGS
Domino's: cresceu abrindo loja, não vendendo pizza
Receita e lucro bateram estimativas, mas as vendas de mesmas-lojas estagnaram

Não aumentar as vendas nas mesmas lojas de sempre, não aumentar o ticket-médio das pizzas e ainda assim crescer a receita na maior rede de pizzarias do mundo. Qual o fermento que a Domino's usou para chegar nisso?
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 1,19 bilhão, x US$ 1,18 bilhão das estimativas.
🔴 Lucro por Ação: US$ 4,07, x US$ 4,17 do consenso.
🟡 Same-store sales nos EUA: +0,1%, praticamente estagnado. Há um ano era +3,4%.
A receita das operações subiu 3,1%, mas isso já vem com a borda recheada. Se tirar o efeito cambial de US$ 1,1 milhão nos royalties internacionais, a alta é bem mais tímida. Mas o problema maior é outro: as same-store sales pararam de crescer.
A Domino's aumentou receita e lucro no trimestre, só que quase todo esse crescimento foi de abrir loja nova (209 a mais no período), não de vender mais nas que já existem. Essa é a diferença entre expansão saudável e empurrar unidade nova pra sustentar a planilha.
Ao mesmo tempo, quem segura o LPA é a recompra e não o negócio. O número de ações diluídas caiu de 34,4 milhões para 33,3 milhões no ano (menos ações dividindo o mesmo lucro empurram o LPA pra cima).
Para os Bulls: o modelo segue asset-light com 99% das lojas franqueadas, gerando caixa de sobra pra dividendo e recompra agressiva. Alavancagem melhorou (de 4,7x para 4,3x). Ação negocia ~36% abaixo da máxima de 52 semanas e pra quem acredita que o soluço é temporário, o desconto já está feito.
Para os Bears: same-store sales paradas é sintoma grave e não apenas ruído. Consumidor americano segue pressionado e isso deve impactar ainda mais nas vendas. Além disso, tem uma troca de CEO no radar, no momento em que o operacional mais precisa de direção clara.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 2 | Compra: 15 | Neutro: 12 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 391,75 | Preço atual: US$ 328,97
Potencial: +19,08%.

MACRO/AÇÕES
→ CVM: acelera agenda de tokenização e prepara testes para nova regulação do mercado de capitais.
→ Boletim Focus: terceira semana seguida de queda na projeção do IPCA.
→ Agro: setor recebe R$ 100 bilhões para renegociar dívidas.
→ Dólar: os primeiros sinais de desgaste da tese de dólar forte.
→ América Latina: lidera apostas em carry trade com queda da volatilidade.
→ Índice Small Caps: ganha liquidez em relação ao Ibovespa.
→ AMC: o melhor trimestre em 106 anos.
→ Movida: prévia operacional acelera os números e ganha fôlego para reduzir alavancagem.
→ JHSF: capta R$ 400 mi para comprar fatia do XP Malls no Cidade Jardim.
→ Ânima: Controladores compram mais ações em meio a sell-off.
→ Nu Asset: lança três ETFs de títulos públicos Tesouro IPCA+ com índices da B3.
→ Nubank: anuncia a compra do Banco Porto Real para obter licença bancária no Brasil.
→ Light: pede encerramento de recuperação judicial e confirma aumento de capital de R$ 1,5 bilhão.
→ Brava: CVM abre caminho para OPA da empresa.
→ Oncoclínicas: IG4 busca assumir controle por meio de direitos de voto.
→ Banco Master: liquidante listou crédito de R$ 5,5 milhões a presidente da Febraban.


Armadilha do LPA
O lucro por ação (LPA) é uma fração, e assim sendo, pode ser turbinado por dois caminhos: aumentando o numerador (o lucro) ou encolhendo o denominador (o número de ações).
A armadilha mora no denominador: quando uma empresa recompra as próprias ações e as retira de circulação, o mesmo lucro passa a ser dividido por uma base menor. Assim, o LPA sobe sozinho, sem que a empresa tenha de fato lucrado mais.

FUNDOS IMOBILIÁRIOS
FIIs: BTLG11, o galpão badalado.
Fundo capta R$ 1,8 bi em dinheiro e assume o topo dos fundos de tijolo

O BTLG11 fez a maior captação de um fundo imobiliário de tijolo do Brasil: R$ 1,807 bilhão numa tacada só. É um montante recorde do fundo de logística - que já acumula R$ 7 bilhões - para investir pesado em mais galpões logísticos, shoppings, agências…
O detalhe é que tudo entrou como dinheiro novo, sem malabarismo de cota júnior, sênior ou troca de papel.
Foram mais de 42 mil cotistas envolvidos, metade saindo do aquário do BTG e a outra metade entre institucionais, fundos de pensão e gente batendo o pé em plataformas como XP e Itaú. Do bolo, 75% ficou com varejo, 25% com investidor institucional.
O que justifica tanta gente querendo colocar tanta grana no setor? A aposta pela briga na logística brasileira, com e-commerce nacional lutando por cada last mile - num mercado com muitos players (ML, Amazon, Magalu, Casa Bahia, chinesas…), bem diferente do duopólio dos EUA.
Aí que entra a diferenciação do BTLG: para ganhar esses km de vantagens, 70% do portfólio está a 60 km da capital paulista, com 33 ativos e 1,5 milhão de m² locáveis. Com o dinheiro novo, a meta é somar mais 500 mil m² e 11 ativos (com 3 negociações rodando pra fechar portfólios inteiros de galpão).
Enquanto outras indústrias vão passando por aperto, a do FIIs continua soltando o cinto: a classe saiu de R$ 173 bilhões em 2020 para R$ 424 bilhões. E quem lidera essa corrida:
KNCR11: R$10,97 bilhões
ISNT11: R$7,87 bilhões
HGLG11: R$7,60 bilhões
KNIP11: R$7,37 bilhões
BTLG11: R$7,11 bilhões
PS: o recorde anterior era os R$ 1,804 bilhão do XPML11, fundo de Shopping, em 2024.
Como está sua posição nos FIIs?

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
AMC: ▲ 8,25% após um dos melhores resultados da sua história, batendo todas as expectativas.
Circle: ▲ 8,25% impulsionada pelo bitcoin, que bateu a maior cotação em mais de um mês.
Alibaba: ▲ 4,67% após a prévia do Qwen 3.8 Max se posicionar como concorrente direto do modelo Claude Fable 5.
Em baixa
Apple: ▼ 2,14%, depois de se tornar a empresa mais valiosa do mundo, a ação sofreu uma realização de lucro.
Vale: ▼ 1,38%, três fatores negativos no mesmo dia: o minério de ferro recuou, acionistas minoritários articulam ida à Justiça para suspender o acordo de compensação milionária ao ex-presidente do conselho, e o mercado já se posiciona para o relatório de produção e vendas que sai amanhã.

CHIPS
TSMC: trimestre perfeito, ação no vermelho
60% do caixa foi só pra continuar no jogo

Imagina bater o consenso em receita, lucro, margem e guidance ao mesmo tempo. A ação deveria acompanhar, mas para a TSMC, a maior fabricante de chips do mundo, a história é diferente. Apesar de já subir 33% no ano, caiu cerca de 5% desde que entregou o melhor trimestre da sua história recente.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: NT $1,27 trilhão, acima do topo do próprio guidance da empresa.
🟢 Lucro Líquido: NT$ 706,56 bilhões x NT$ 632,64 bilhões esperados.
🟢 Margens: bruta de 67,7%, operacional de 60,3%, líquida de 55,6%. As três nas máximas da série recente.
Com tanto caixa, a TSMC decidiu fazer o que toda empresa dominante faz quando não sabe mais onde investir: investir ainda mais. Ela vai colocar mais US$ 100 bilhões no Arizona, elevando o total investido no estado para US$ 265 bilhões - para fabricar de chips de 2 nanômetros e ainda agradar o governo americano.
Com o apetite por IA a todo vapor, a empresa teve que elevar seu guidance de Capex: agora espera gastar entre US$ 60-64 bi, contra US$ 52-56 bi antes previstos.
Detalhe: o Capex do trimestre consumiu cerca de 60% de toda a geração de fluxo de caixa operacional.
Para os Bulls: demanda de IA é estruturalmente maior que a oferta, então a empresa ainda tem muito para surfar, principalmente com a alta barreira tecnológica. Margens vão aumentar, com os clientes pagando mais caro por capacidade escassa.
Para os Bears: Capex em ritmo nunca visto na história da empresa, com alta dependência de poucos clientes grandes (leia-se: Nvidia). O risco geopolítico de Taiwan fica sempre no radar, além do fator-câmbio poder comprimir as margens em dólar.
No papel, a TSMC entregou um trimestre perfeito. Mas a barra de expectativa para IA já está tão alta que nem bater recorde emociona mais.

STATS
911,5 milhões
É a quantidade de ações da SpaceX que estarão disponíveis para venda 2 dias após a divulgação dos resultados do 2T’26, prevista para agosto.
Via Business Insider

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