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EDIÇÃO #228 • 16/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Wall Street abriu a porteira dos reports trimestrais e o setor financeiro saiu em disparada para mostrar a que veio.
Pensei no chuveiro: que um fundo de índice existe justamente pra você não precisar ter opinião - compra uma cesta inteira, dilui o risco de empresa específica e deixa o processo discricionário. Mas na prática, a Subversive ETFs acabou de protocolar dois fundos passivos com exatamente UMA opinião: seguir o índice, mas excluindo toda e qualquer empresa liderada por Musk.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• BlackRock: novo recorde de novo novamente
• JPMorgan: trimestre mais lucrativo da história
• Goldman Sachs: o quarter para emplacar


Por aqui, ficamos fora da festa e olhando pro mundo todo subindo. O combo tarifaço + eleições não ajudou - o chefe do USTR recomendou a Trump os 25% sobre produtos brasileiros e a pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula ampliando a vantagem sobre Flávio Bolsonaro. O dólar mal se mexeu, mas só porque a moeda americana caiu contra o mundo inteiro.
Lá fora, a inflação americana emendou o segundo dia seguido de boas notícias: depois do CPI frio de terça, o PPI de junho caiu -0,3%, e assim a chance do Fed subir juros na reunião de julho murchou de vez. O S&P 500 subiu 0,38% e o Nasdaq avançou 0,62%, com as Big Techs fazendo o trabalho pesado: Apple disparou 4% e renovou sua máxima histórica após conseguir aprovação para lançar sua IA generativa na China. Nem os novos ataques entre EUA e Irã estragaram o humor.

GESTORAS
BlackRock: novo recorde de novo novamente
e o CFO nem chama isso de teto

Seu assessor que estampa os “R$ 5 bilhões sob gestão” vai ficar com inveja: a BlackRock acaba de se tornar a primeira gestora do mundo a administrar US$ 15 TRILHÕES. Assim que saiu o report, as ações subiram 6,6%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 7,08 bilhões x US$ 6,73 bi do consenso.
🟢 Lucro por Ação ajustado: US$ 13,91 x US$ 12,59
🔴 Captação institucional: -US$ 41,5 bilhões no trimestre. A única mancha que o release não fez questão de destacar.
Quem carregou o piano praticamente sozinho foi o iShares: US$ 178 bilhões de captação líquida em ETFs no trimestre, levando o AuM a cruzar US$ 6 trilhões. Parte relevante do salto de receita, porém, não é só orgânica: cerca de US$ 230 milhões vêm da aquisição da HPS.
Ganhar muito gastando menos parece o mote da BlackRock: a margem ajustada bateu 45,9%, sendo a maior em quase cinco anos - e o CFO acha que esse nem é o teto.
O dado que mais interessa pra quem acompanha a empresa de perto não foi o dos trilhões... e sim o crescimento orgânico das taxas de administração, que subiu 8% na comparação anual descontando o efeito da valorização de mercado.
Para os bulls: captação em ETF e mercados privados não dá sinal de cansaço, margem bateu recorde e guidance é promissor.
Para os bears: parte do crescimento é comprando receita e não orgânico. Institucional sangra há trimestres, e fatia relevante do avanço em AuM veio de valorização de mercado (S&P +21% no período), não de captação nova.
O CEO Larry Fink aproveitou a call com analistas pra reforçar seu otimismo: disse enxergar "fundamentos de mercado muito bons, com margens corporativas maiores e um momentum de lucro catalisado por nova tecnologia". Ele continua assoprando que a alta das bolsas americanas ainda tem fôlego pela frente.
PS: mesmo com o salto no pregão ontem, a ação segue cerca de 10% abaixo da máxima histórica registrada em outubro do ano passado.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 4 | Compra: 10 | Neutro: 3
Preço-alvo médio: US$ 1265,87 | Preço atual: US$ 1093,40

MACRO/AÇÕES
→ CPI: atinge 3,5% ao ano em junho - menos que o esperado.
→ Tarifas: importadores reembolsam US$ 71 bilhões das tarifas de Trump. E o déficit do governo explode.
→ Buffett: prevê doar toda sua participação na Berkshire até 2034 e exclui Fundação Gates.
→ Ações: BofA vê euforia nos mercados e sugere redução de compra agressiva de ações.
→ China: crescimento do PIB deverá desacelerar, aumentando as expectativas de mais estímulos.
→ ASML: resultado perfeito, mas não suficiente.
→ Ânima: compra a FMU por R$ 410 milhões.
→ Helsing: atinge valuation de US$ 18 bi e se torna a maior startup de defesa da Europa.
→ Oncoclínicas: renegocia dívida de R$ 5,1 bi e crise pode pressionar seguradoras de saúde.
→ Ultrapar: CPPIB vende R$ 1,3 bilhão em ações e zera posição.
→ Robinhood: planeja sua primeira emissão de títulos lastreados em faturas de cartão de crédito.
→ TSMC: supera expectativas e anuncia investimento recorde nos EUA.

BANCOS
JPMorgan: trimestre mais lucrativo da história
Lucro recorde de US$ 21,2 bi, mas uma parte não devia nem estar na conta

Se os earnings da BlackRock dão inveja em qualquer gestora, os do JPMorgan Chase dão inveja em qualquer banco: o maior do mundo fechou o trimestre com o recorde de US$ 21,2 bilhões de lucro - bem acima do que os analistas esperavam.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: US$ 21,2 bi, alta de 41% no ano.
🟢 Receita dos Mercados: US$ 12,1 bi, +35% a/a,
🟢 Trading: com Equity Markets subiu 86% (novo recorde absoluto).
O que já estava bom ainda ganhou um empurrão contábil: US$ 4,6 bilhões de ganho com a venda de ações da Visa e mais US$ 1 bilhão em ganhos com outros investimentos. Isolando esse extra… o lucro ainda ficaria em US$ 16,9 bilhões, batendo as expectativas do mercado sozinho.
O banco ainda elevou a projeção de receita de juros para o ano, só que elevou junto a de despesas (para ~US$ 107,5 bi). A dúvida é se a margem aguenta se a receita perder ritmo.
Para os Bulls: o retorno líquido é de doer inveja em qualquer banco do mundo. Todas as quatro divisões bateram recorde de receita simultaneamente. Recompra de ações de US$ 50 bi aprovada e os dividendos subindo. Capital sobrando não é sinal de fragilidade.
Para os Bears: quase 30% do lucro reportado veio de itens que não se repetem. Despesa subindo mais rápido que o esperado corrói margem se a receita desacelerar. O próprio Dimon alertou sobre bolha, então é melhor erguer a sobrancelha.
Diante de um resultado desses, Jamie Dimon poderia estar comemorando em euforia. Em vez disso, fez um discurso mais conservador, descrevendo o ambiente atual como "muito saudável, ativo, exuberante, com preços e volumes muito altos". Mas fez questão de dizer que ninguém sabe quanto tempo isso dura.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 4 | Compra: 8 | Neutro: 12
Preço-alvo médio: US$ 360,05 | Preço atual: US$ 347,31

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Alibaba: ▲ 4,78% com a notícia de que o modelo de IA Qwen irá impulsionar os recursos de IA da Apple na China.
Gerdau: ▲ 3,77% com o JPMorgan chamando atenção para o momento favorável do setor de aço.
B3: ▲ 2,35% com o BofA dando recomendação de compra, dizendo que a ação ficou atrativa com os múltiplos perto das mínimas históricas.
Em baixa
Ânima: ▼ 32,75% depois de anunciar a compra das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), por R$ 410 milhões, valor interpretado como alto demais.
Braskem: ▼ 6,15% pressionada por notícias de que um grupo de credores apresentou uma proposta de reestruturação que prevê diluir os atuais acionistas.
Engie: ▼ 5,11% após precificar seu follow-on em R$ 30,50, levantando R$ 8,36 bilhões para financiar a compra de 40% da hidrelétrica de Jirau.

BANCOS (2)
Goldman Sachs: o trimestre para emplacar
quando trading vira máquina de imprimir dinheiro

Se o mercado tivesse um rosto, ele estaria incrédulo quando viu o Goldman Sachs bater US$ 20,98 de lucro por ação - uma diferença de 45% dos US$ 14,50 que o mercado projetou. Esse tipo de erro normalmente é motivo de demissão, mas dessa vez o erro foi para o lado bom, e quem pagou o pato foi quem vendeu a descoberto.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 20,34 bilhões, alta de 39% no ano
🟢 Lucro por Ação: US$ 20,98 x US$ 14,50 batendo em 45% e quase dobrando o valor do 2T25 (US$ 10,91).
🟢 Receita de Mesa de ações: US$ 7,42 bilhões, +72% a/a, sendo o 3° trimestre seguido de recorde histórico do setor.
Quem puxou essa festa foi a mesa de ações, que faturou US$ 7,42 bilhões - mais do que o Goldman inteiro faturava há poucos anos. Detalhe: derivativos, produtos à vista e prime financing subiram junto.
O banco de investimento também voltou a dar dinheiro de verdade depois de um período mais parado, com as taxas somando US$ 3,40 bilhões (+55% a/a), puxadas por um salto de 130% em subscrição de ações e 75% em dívida.
No trimestre, o Goldman ainda liderou o IPO da SpaceX e a captação de capital da Alphabet, dois mandatos que qualquer banco gostaria de ter.
O que chama atenção é que esse crescimento veio com disciplina de custo, não com gasto solto: o headcount caiu 2% no trimestre. Ou seja, o banco faturou 39% a mais com menos gente, e o índice de eficiência melhorou.
Para os Bulls: Goldman provou que consegue crescer receita e cortar custos ao mesmo tempo. Equities e investimentos estão em ciclo de força simultânea, o que é algo raro. O backlog recorde de 5 anos sugere que o próximo trimestre já nasce com vento a favor.
Para os Bears: grande parte do resultado depende de uma volatilidade de mercado que pode não se repetir. O índice de alavancagem comprimindo é um sinal amarelo silencioso. Além disso, o "recorde histórico" vira base de comparação difícil de superar daqui a quatro trimestres.
A questão real não é se o resultado foi bom (foi excelente), mas se dá para repetir. Quando o motor é volatilidade de mercado e não crescimento estrutural de base de clientes, o próximo capítulo pode ser tão bom quanto pode ser uma correção brusca.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 6 | Neutro: 15 | Venda: 2 | Venda Forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 1085,10 | Preço atual: US$ 1152,07


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