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EDIÇÃO #234 • 06/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que investir em ações era para ser algo de longo prazo, "o tempo no mercado bate timing de mercado". Mas um estudo recente mostra que 25% dos americanos entre 18-29 anos operam ações todo santo dia (mais do que os 23% que apostam nas bets diariamente). Com ETF alavancado, trading 24/7 e tokenização batendo à porta, a distância entre corretora e casa de apostas já é só estética de aplicativo.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Itaú: o metrônomo que não erra o compasso
• SpaceX: o primeiro report pós-IPO
• Bradesco: lucro sobe, mas PDD também


Por aqui, a história do Ibovespa segue no repeat: chegou a subir, mas fechou em queda de 0,09% com o petróleo mais barato tirando a energia da Petrobras (-1,34%) e levando o índice junto. A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro também foi recebida com certo desapontamento pelo mercado e ajudou no fechamento mais fraco. Depois do pregão, o Copom cortou a Selic pela 4a vez seguida (de 14,25% para 14%), em decisão unânime.
Lá fora, o Dow Jones não quis saber de descansar e fechou seu 5° pregão seguido de alta, batendo novo recorde aos 54.349 pontos. Já S&P 500 (-0,17%) e Nasdaq (-0,83%) resolveram fazer a curva e encerraram a sequência de quatro dias de alta, derrubados pelo tombo pós-balanço de SpaceX e AMD. O clima geopolítico ajudou o Dow: Trump disse que o Estreito de Ormuz vai reabrir "muito em breve" ou o Irã vai ser "atingido bem forte”, em mais um capítulo dessa guerra que não tem desfecho.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
Itaú: o metrônomo que não erra o compasso
12,4 bi de lucro, 24,3% de ROE e zero manchete

Tem investidor que gosta de montanha-russa, mas os do Itaú vivem um clima de carrossel tranquilo e sem surpresas. Mais um trimestre fechou em linha com tudo.o que era esperado - incluindo a 11ª alta seguida no lucro.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: R$ 48 bilhões, subindo +4,7%.
🟢 Lucro Líquido: R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% a/a.
🟢 ROE: 24,3%, subindo 1,0 p.p. na comparação anual.
A margem financeira com clientes (linha que mede quanto o banco ganha emprestando dinheiro), cresceu 5,1% a/a e chegou a R$ 32,6 bilhões, puxada por uma carteira de crédito que já soma R$ 1,52 trilhão. O custo de crédito até subiu 7,4%, mas sem sinal de perda de qualidade e com estabilidade na inadimplência.
O ponto que merece atenção é a receita de serviços e seguros, que cresceu só 0,4% no trimestre e forçou o banco a admitir, no próprio release, que a projeção de 5-9% para o ano não se sustenta mais - agora a faixa deve ficar entre 2-5%.
O resto do guidance ficou intocado: crédito, margem com clientes, custo de crédito e alíquota de imposto seguem exatamente onde estavam.
Para os Bulls: o Itaú entrega ROE de +24% há vários trimestres seguidos, o crédito segue crescendo com qualidade estável, e já tem a maior carteira imobiliária entre os bancos privados, tudo isso numa economia com Selic ainda alta e concorrentes tropeçando. Se o banco consegue esse desempenho no pior cenário macro, imagina quando os juros cederem de verdade…
Para os Bears: um banco que precisa cortar o próprio guidance de tarifas no meio do ano é um banco cuja diversificação de receita está mais frágil do que o discurso vende, e como crédito e margem já estão perto do teto de eficiência, sobra pouco motor de crescimento novo além de "mais do mesmo".
No fim, foi mais um resultado bom e sem sustos. O Itaú mantém a fama de reloginho suíço, não decepcionando e entregando tudo conforme o script - e isso, no fim das contas, vale muito mais que um trimestre empolgante isolado.
PS: o banco vendeu a operação de varejo na Colômbia e Panamá por R$ 2,5 bilhões.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 2 | Compra: 9 | Neutro: 2 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 48,08 | Preço atual: R$ 42,38
Potencial: +13,44%
Itaú e Bradesco não são os únicos que pagam bem:
A EQI selecionou ações que sustentam dividendo.
Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

MACRO/AÇÕES
→ Euro: concurso define propostas para dar cara nova às cédulas.
→ FIIs: despencam até 40% após redução nos dividendos; veja maiores quedas.
→ Brasil: tem recorde de produção de petróleo e ajuda a compensar efeito da guerra no Irã.
→ Japão: megaintervenção no câmbio acende alerta nos mercados.
→ Amazon: no topo histórico do papel, Bezos faz mais uma venda.
→ Azzas 2154: completa dois anos e perde uma Farm Rio em valor.
→ MicroStrategy: Michael Saylor vende 1,638 BTC por US$ 105 milhões, reduzindo a custódia para 842.138 BTC.
→ Palantir: o trimestre “de outro mundo” que fez a ação disparar
→ Klabin: lucro cai 52% no 2º trimestre, com pressão de custos e do câmbio.
→ CSN: avalia reter fatia minoritária em unidade de cimento.
→ Pague Menos: registra a maior margem EBITDA da história com ganhos de eficiência.
→ Banco Inter: reporta lucro de R$ 421 milhões, alta de 34% na comparação anual.
→ GPA: aumentou a margem no trimestre, mas ainda faltam vendas para a geração de caixa.
→ Mercado Livre: abre mão de margem para aumentar share do mercado.
→ Bradsaúde: mergulha 8% com sinistralidade; “números para bulls and bears”.
→ Alliança: protocola pedido de recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 1,1 bi.
→ SmartFit: lucra recua 4% e receita líquida cresce 22%.
→ Daycoval: tem lucro de R$ 474 milhões, em alta de 11,2%.

EARNINGS
SpaceX: o primeiro boletim pós-IPO
Receita subiu 92%, IA virou lucro, e mesmo assim a ação caiu depois do resultado.

O primeiro “boletim” da SpaceX como empresa de capital aberto foi bonito no papel: bateu expectativa de receita por ~US$ 1 bilhão, prejuízo cortado pela metade, mas o pai mercado respondeu que não foi mais do que a obrigação e reagiu fazendo a ação cair -12,64%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 7,8 bilhões, alta de 92% a/a e bem acima do consenso de US$ 6,9 bilhões.
🟢 EBITDA Ajustado: US$ 3,5 bilhões, salto de 191% a/a.
🔴 Capex: US$ 18,4 bilhões no trimestre, alta de 82% ante o 1T’26.
A história por trás dos números é simples de contar e difícil de resolver. A Starlink virou a vaca leiteira que todo mundo suspeitava que seria: 12 milhões de assinantes (dobrando na comparação anual, com ARPU estável em US$ 66 por mês).
É o dinheiro das assinaturas que financia o resto da brincadeira, principalmente o segmento espacial, que segue no vermelho e pressionado pelo tamanho do cheque que a SpaceX está passando no desenvolvimento da Starship.
O segmento de IA trouxe EBITDA positivo pela primeira vez: US$ 1,1 bilhão, revertendo os -US$ 276 milhões de um ano atrás. Só que para isso teve muito investimento, com o Capex saltando de US$ 749 milhões para US$ 15,8 bilhões (21x). O mercado agora quer saber se isso vai voltar em receita na mesma velocidade.
Detalhe: hoje vence um dos lockups do IPO, e mais de US$ 100 bilhões em ações de insiders ficam livres para vender. É um teste de estresse real do papel, independentemente do que os números do trimestre disserem.
Para os Bulls: a tese está intacta e os números do trimestre provam. Starlink dobrando assinantes com ARPU estável é motor de caixa raro nesse tamanho de escala, e a IA virando EBITDA positivo mostra que o modelo pode funcionar. Com US$ 100 bilhões em caixa e US$ 47,5 bilhões em backlog contratado, a SpaceX tem munição para sustentar o ritmo de investimento sem apertar o cinto. E o desconto atual da ação, 50% abaixo da máxima, parece oportunidade.
Para os Bears: gastar US$ 18,4 bilhões em um único trimestre é o tipo de aceleração que historicamente não termina bem sem sinais claros de retorno proporcional. O segmento espacial segue perdendo dinheiro e o lockup de hoje pode inundar o mercado de oferta, despencando mais ainda o preço.
A SpaceX entregou o resultado que os bulls queriam ver. O mercado respondeu como os bears temiam. Entre esses dois mundos está uma pergunta que nenhuma tabela de EBITDA resolve sozinha: quanto tempo o investidor está disposto a esperar para saber se US$ 18 bilhões por trimestre em Capex vira lucro…
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 6 | Compra: 21 | Neutro: 6 | Venda: 2
Preço-alvo médio: US$ 223,00 | Preço atual: US$ 108,27
Potencial: +105,97%
Veja como encaixa na sua carteira:
Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Shopify: ▲ 16,98%, após resultados sólidos e guidance otimista.
Pão de Açúcar: ▲ 6,91% com a possibilidade de homologação do plano de recuperação extrajudicial sair no 3º tri.
Booking: ▲ 6,56% após superarem as estimativas de lucros, com a demanda por viagens mantendo-se resiliente.
Em baixa
The New York Times: ▼ 13,4%, com divulgação de um crescimento de assinantes mais lento.
AMD: ▼ 7,04%, mesmo superando as expectativas de lucro, mas refletindo à decisão de Elon Musk de usar exclusivamente chips da Nvidia.
Uber: ▼ 5,29%, com os resultados em linha com as expectativas e o guidance não empolgando.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
Bradesco: lucro sobe, mas PDD também
banco chega ao 10° trimestre seguido com lucro em alta,

O Bradesco entregou mais um trimestre do seu “turnaround”, crescendo seu lucro pelo 10° trimestre seguido. O CEO, Marcelo Noronha, segue com o mantra do "step by step", mas para avançar nesses passos, o banco está pagando um pedágio cada vez mais caro em provisão.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: R$ 7,05 bilhões x R$ 6,95 bilhões das expectativas.
🟢 Carteira de Crédito: R$ 1,137 trilhão, crescendo 11,6% a/a, acima do teto do guidance.
🔴 Despesas com PDD: R$ 10,0 bilhões, saltando 22,6% a/a.
A receita total cresceu 10,3% no ano, para R$ 37,6 bilhões, e isso não veio de um único lugar: a margem financeira subiu 15,7%; os serviços renderam 1,7% a mais; e a frente de seguros cresceu 8,3%.
O ROAE consolidado do banco chegou em 16,2%, abaixo dos melhores players, mas melhorando bastante dos 14,6% de um ano atrás.
O outro lado é que crescer com segurança tem seu preço e o Bradesco está pagando isso na linha de provisão. As despesas com PDD subiram 22,6%, bem mais rápido que o lucro. Isso porque o banco escolheu crescer em linhas com garantia (capital de giro garantido, consignado privado), que reduzem o risco futuro, mas custam mais caro no presente.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,3%, levemente pior que os 4,2% de março, e a carteira reestruturada ainda representa 3,1% do total. Nada dramático, mas também nada que sugira que o problema do crédito sumiu.
Para os Bulls: o banco está entregando o turnaround, com 10 trimestres seguidos de lucro crescente, batendo consenso e crescendo crédito acima do próprio guidance. Vai ter mais munição com a capitalização de R$ 10 bilhões batendo na porta. Se o custo de crédito estabilizar enquanto a receita segue em dois dígitos, o ROE de 20% que o mercado sonha fica mais perto da realidade.
Para os Bears: o lucro está crescendo, mas o custo para sustentá-lo também, e num ritmo muito maior. Ou seja, parte da recuperação está sendo financiada por um risco que ainda não apareceu inteiro no balanço. Some a isso os seguros desacelerando na margem e o "step by step" de Noronha parece ser mesmo em passinhos que não justificam o investimento.
O Bradesco vem entregando uma sequência grande de crescimento no lucro, mas ainda não é o banco do passado - de uma era “pré-crise-de-crédito”. Então talvez a pergunta certa seja menos sobre o Bradesco e mais sobre a paciência do investidor.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 8 | Neutro: 5 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 22,85 | Preço atual: R$ 18,05
Potencial: +26,57%
Itaú e Bradesco não são os únicos que pagam bem:
A EQI selecionou ações que sustentam dividendo.
Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

STATS
14%
é a nova taxa básica de juros do Brasil, com Copom decidindo, de forma unânime, pelo corte de 0,25 p.p.
Via Igor Chede Collaço

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