EDIÇÃO #253 • 13/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que na teoria investidores cobram um prêmio para emprestar a emergentes como o Brasil porque nossas contas são mais frágeis, enquanto títulos de países ricos seriam a parte tranquila da carteira. Mas na prática, a dívida da França chegou a 119% do PIB, os juros de 10 anos encostaram em 5%, maior nível em 25 anos, e o prêmio sobre a Alemanha disparou. É o centro da Europa descobrindo o que é ser periferia.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Small Caps: roubando o rali do Ibovespa
• Nobel: o manual de instruções do Banco Central
• PepsiCo: o desconto saiu salgado

Por aqui, você dormiu até mais tarde no feriado e o pregão nem acordou, mas sexta-feira deixou assunto, com o IPCA fechando setembro em 0,82% - acima das projeções e levando o acumulado para acima da meta de 12 meses, em 4,58%. Mesmo assim, o Ibovespa subiu 1,38% e fechou aos 209.066 pontos, encerrando a semana com +8,82%, a maior alta semanal desde abril de 2020. O dólar fechou em R$ 4,985 (-4,44% na semana).

Lá fora, Wall Street não teve feriado, mas a liquidez foi reduzida porque o mercado de títulos ficou fechado pelo Columbus Day. O dia foi de rodízio, com o Dow subindo 0,38%, o S&P 500 recuando 0,06%, e a Nasdaq caindo 0,44%, pressionada pelos chips de memória e por um petróleo de volta às máximas de duas semanas. A semana é de teste e os bancões abrem a temporada de balanços hoje (JPMorgan, Goldman e Citi).

AÇÕES

Small Caps: roubando o rali do Ibovespa

O índice das small caps disparou mais de 20% na semana, mais que o dobro do Ibovespa, e bateu seu recorde histórico.

Se o Ibovespa comemorou o resultado do primeiro turno com uma taça de champanhe, as small caps viraram a garrafa inteira. O índice que reúne as empresas de menor valor de mercado da Bolsa brasileira disparou mais de 20% na semana, contra uma alta de 8,8% do Ibov.

❝

Ou seja: quem ficou olhando apenas para as maiores empresas da Bolsa perdeu boa parte do movimento que estava acontecendo no andar de baixo.

Mas por quê? A resposta está em duas palavras que fizeram a Bolsa brasileira sofrer nos últimos anos: juros altos.

A regra: um rali costuma começar pelas grandes e líquidas, como Itaú, Petrobras, Vale e B3. Só depois, com o investidor mais confiante, o dinheiro chega às empresas menores.

A exceção: desta vez, o gatilho favorece justamente as small caps. Depois do primeiro turno, o mercado passou a apostar numa queda maior da Selic, e juros menores ajudam principalmente empresas mais endividadas e dependentes de crédito, consumo e economia doméstica. Muitas delas são small caps.

Por isso, gestores voltaram a olhar para papéis esquecidos na gaveta. O dinheiro vem principalmente de fundos locais, que estão girando a carteira: vendem grandes empresas que já subiram muito e compram menores que ainda estavam baratas. O estrangeiro também apareceu, mas com cautela.

Claro, para esse movimento ganhar pernas, a tese precisx`a virar realidade: melhora fiscal, juros menores e, eventualmente, entrada de novos recursos nos fundos de ações. Depois de anos apanhando... será que as smalls vão roubar a cena?

PS: ainda dá tempo de entrar na festa da Bolsa?
PS2: Por que Movida, JSL, Vamos e o grupo Simpar estão entre as maiores altas da Bolsa.

Small Caps

São empresas de menor valor de mercado, com menor liquidez, cobertura reduzida de analistas e presença limitada nos grandes índices, o que as deixa mais sujeitas a oscilações bruscas de preço.

A lógica do segmento é que empresas menores têm mais espaço para crescer e costumam negociar com desconto por falta de atenção do mercado, mas a mesma estrutura as torna mais frágeis: dependem de crédito, carregam dívida mais cara e sentem o juro antes e com mais força.

MACRO/AÇÕES

→ Tesouro Direto: na euforia após o 1º turno, títulos longos superam o ganho da bolsa na semana.
→ Fundos: novas regras criam labirinto para os fundos de special situations.
→ CVM: prepara fiscalização com IA para identificar irregularidades no mercado financeiro.
→ B3: planeja lançar ações tokenizadas no início de 2027.
→ IPCA: núcleos ultrapassam o limite superior da meta.
→ Inadimplência: do crédito rural dispara em três anos.
→ Bets: ainda tem um saldo de R$ 159 milhões para devolver aos apostadores.
→ Logística: escassez de mão de obra chega aos galpões logísticos.
→ Blue Origin: valuation de US$ 140 bi eleva Jeff Bezos a segundo mais rico do mundo.
→ Gerdau: BlackRock eleva participação na empresa.
→ CSN: negocia venda de usina na Alemanha por R$ 3 bilhões para reduzir dívida.
→ Ronaldo: adquire 51% da operação brasileira da HEAD.
→ Meta: Zuckerberg vende US$ 21,3 milhões em ações.
→ GPA: dono do Pão de Açúcar dispara com a homologação do plano de recuperação extrajudicial.
→ Axia: aprova desembolso de R$ 4 bi para novo resgate de ações preferenciais Classe C.

DROPPED BY EQI+

Você precisa abrir 5 apps diferentes pra saber quanto $ tem investido?

Conta em um banco. Investimento em outro. Previdência em outro. E aquele Excel que você prometeu atualizar "todo” domingo. Reconhece? Essa visão segmentada do seu patrimônio pode estar atrasando o crescimento sem você perceber.

❝

O Super App EQI+ usa Open Finance pra juntar tudo em um só lugar e te dar uma visão completa dos seus investimentos no Consolidador de Carteiras. Dá para acompanhar sua carteira, planejar a vida financeira e receber recomendações sem trocar de tela.

E, ainda, acompanhar (e ser notificado) do conteúdo de lives, artigos e materiais pra entender o que está mexendo com o mercado. Uma nova central de comando da sua vida financeira.

*Você não precisa abrir conta na corretora pra ter os benefícios do EQI+.

MACROECONOMIA

Nobel: o manual de instruções do Banco Central

Um artigo de 1978 sobre consumo estável e um modelo que virou padrão nos bancos centrais renderam o prêmio de 2026.

Tem gente que ganha o Nobel por descobrir algo novo. E tem gente que ganha por explicar, com equação e tudo, o que os BCs fazem toda semana. Robert Hall e Michael Woodford caíram na segunda categoria, e dividem 12 milhões de coroas suecas (~US$ 1,2 milhão) pelos “fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica”.

❝

Traduzindo do sueco acadêmico: por que a economia balança, e como segurar esse balanço? A dupla criou um jeito mais consistente de medir como uma decisão se espalha pela economia. E, como a economia é feita de gente, quem decide os juros precisa saber conversar com essa gente.

  • Hall, num artigo de 1978, já dizia que o consumidor prefere que o consumo fique estável - ninguém quer caviar num mês e miojo no outro. Parece óbvio, mas tem consequência, pois se as famílias suavizam o consumo, a reação delas a um choque é previsível, e política econômica passa a ter um alvo que dá pra mirar.

  • Woodford veio depois e construiu o chamado modelo neokeynesiano, que virou figurinha carimbada entre formuladores de política no mundo inteiro.

Onde isso foi testado? Na crise de 2008. Com os juros já no chão, cortar mais não resolvia a queda de demanda. Woodford citou o forward guidance como parte da resposta: em vez de só mexer na taxa de hoje, o banco central diz com mais clareza onde ela deve estar amanhã.

Assim, a comunicação virou ferramenta de política monetária, não enfeite de coletiva. Quando o BC sinaliza o caminho, a curva de juros se ajusta antes de qualquer decisão, e parte do aperto (ou do alívio) acontece antes de a Selic sair do lugar.

Por isso a gente lê ata do Copom como quem lê horóscopo, e traduz tudo para você aqui. Quando o próximo choque vier, o BC vai abrir esse mesmo manual. Melhor já ter lido antes.

PS: o prêmio de Economia foi criado pelo Banco Central da Suécia, em 1968. Embora seja chamado de Nobel de Economia, ele não fazia parte das categorias previstas no testamento de Alfred Nobel.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Meta: ▲ 3,39%, com o tio Marquinhos apresentando os novos modelos de IA de fronteira, que finalmente colocam a empresa na briga com OpenAI e Anthropic.

eBay: ▲ 2,15%, entrou na lista de top picks do Morgan Stanley, que elevou o preço-alvo para US$ 132 e destacou o crescimento do live commerce.

Salesforce: ▲ 2,09%, o BofA pulou duas casas de uma vez, de underperform para buy, e elevou o preço-alvo de US$ 160 para US$ 285.

Em baixa

Moderna: ▼ 5,04%, devolvendo parte do rali da semana passada, mas ainda sobe mais de 600% no ano, embalada pela vacina personalizada contra câncer.

Chipotle: ▼ 3,77%, a Starbucks matou o romance antes mesmo do primeiro encontro e disse oficialmente que não pretende comprar a Chipotle, encerrando a especulação.

Amazon: ▼ 1,10%, o MIT processou a AWS alegando violação de duas patentes ligadas à segurança de dados em nuvem e pediu indenização de valor não especificado.

EARNINGS

PepsiCo: o desconto saiu salgado

A empresa cortou preços em até 15% para reconquistar o americano. O volume voltou… mas a conta chegou.

Sabe quando a coisa aperta e todo mundo troca o Doritos pela marca do supermercado? A PepsiCo sentiu o golpe e cortou em 15% o preço dos snacks nos EUA para voltar à despensa americana. Funcionou, mas a conta veio: a empresa reduziu a projeção de lucro e admitiu que a recuperação na América do Norte está mais lenta do que o previsto.

Os números do trimestre:

🟢 Receita líquida: US$ 25,3 bilhões x US$ 24,95 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 2,34 × 2,29 esperados.
🔴 Guidance: entre 1-2% em 2026 x 4-6% prometido antes.

O trimestre mostra duas PepsiCos:

Fora dos EUA, tudo voando: Europa, Oriente Médio e África cresceram 9% no orgânico, com lucro operacional subindo 19%. Ásia-Pacífico entregou 11% de volume e a América Latina avançou 6% no orgânico mesmo com o câmbio comendo 8 p.p. da receita.

Nos EUA, tudo patinando: na divisão de salgadinhos, a receita e volume ficaram estáveis, o volume subiu 0,5% e o preço caiu 1%. O lucro operacional recuou 12%. Nas bebidas, a receita cresceu 5%, mas por causa das aquisições de 2025. No orgânico, ficou estagnado, com volume caindo 2%.

❝

O detalhe está no lucro operacional. O número contábil subiu 19%, mas graças a créditos de aquisições e ganhos com derivativos de commodities, ou seja, contabilidade, não operação.

Na operação, a alta foi de só 3%, e 4 pontos percentuais disso vieram de tarifas devolvidas pelo governo americano. Sem esse reembolso, o lucro operacional teria caído.

Nada ruim que não possa piorar: a projeção de receita subiu, mas a de lucro desceu. O CEO, Ramon Laguarta, culpa a inflação e promete novos cortes estruturais de custo.

  • Para os Bulls: o internacional segue acelerando e o guidance agora é uma régua baixa o suficiente para ser pulada a qualquer momento. Com a ação perto das mínimas do ano, US$ 7,9 bilhões em dividendos programados para 2026 e cortes de custo a caminho, o pior já está no preço.

  • Para os Bears: o lucro operacional só existiu por causa do reembolso, e isso não se repete. A América do Norte, que é mais da metade da receita, tem lucro caindo dois dígitos nos salgadinhos e volume caindo nas bebidas. Cortar o guidance mostra que a gestão ainda não achou o fundo.

A PepsiCo provou que sabe vender mais salgadinho. Falta provar que sabe ganhar dinheiro com isso.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 2 | Compra: 4 | Neutro: 17 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 143,05 | Preço atual: US$ 126,68
Potencial: +12,92%

STATS

R$ 33,3 bilhões

Foi quanto o Tesouro colocou em títulos prefixados no leilão da última quinta, o maior desde 2020, e as taxas caíram mesmo assim. O Prefixado 2032 saiu de 14,21% para 12,49% em uma semana.

Via ValorInveste

DROP LIKE IT'S HOT

[para conhecer] o “milagre” do padre que salvou as finanças da PUC-Rio.

[para acompanhar] Trump intensifica os esforços para destituir a diretora do Fed, Lisa Cook, anunciando que a Casa Branca investiga alegações de fraude hipotecária.

[para estudar] Ray Dalio alerta que China e Japão poderiam reduzir posições no Tesouro dos EUA, adicionando mais uma dor de cabeça à crescente dívida americana.

[para imaginar] o bônus de meio bilhão de dólares da alta cúpula do Goldman Sachs.

O que você achou da edição de hoje?

conta pra gente, aqui sua opinião realmente importa

Login or Subscribe to participate

0 comments

Avatar

or to participate

Veja as edições anteriores

Ver tudo
arrow-right