EDIÇÃO #231 • 28/07/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que arbitragem existe pra corrigir preço errado. Mesma ação custando diferente em dois lugares? Compra no barato, vende no caro, e o gap fecha sozinho. Só que a SK Hynix chegou a custar 51% mais em Nova York do que em Seul e ninguém fechou nada. Converter o ADR em ação coreana é fácil; o caminho de volta depende de autorização da própria empresa. O mercado viu e decidiu que corrigir dá mais trabalho do que pagar a diferença.

No Drops de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Vivo: fibra acelera, dívida também
• Nova bolha: pagar mais pela mesma ação
• Shein: o prejuízo que chegou bem na hora errada

Por aqui, a nova trégua entre EUA e Irã no fim de semana derrubou o petróleo e trouxe apetite por risco para a mesa, ajudando o Ibovespa a passar dos 175 mil pontos. Enquanto os bancos e a Vale puxaram o índice pra cima, a Petrobras viu o barril caindo e se jogou junto (-3%). O dólar subiu 0,60%, a R$ 5,1, com o real perdendo terreno num dia carregado de notícias - inclusive duas pesquisas eleitorais (Datafolha e BTG/Nexus) mostrando Lula e Flávio Bolsonaro estáveis num eventual segundo turno.

Lá fora, o dia foi de bandeira dividida. O Dow subiu 0,51%, aos 52.210 pontos, turbinado pela queda do petróleo, e o S&P 500 mal se mexeu (+0,02%), mas deixou uma sequência de 4 pregões de perdas para trás. Já o Nasdaq recuou 0,18%, puxado por um tombo de quase 5% da Nvidia e uma sangria generalizada nos chips: o ETF de semicondutores caiu mais de 2%. Amanhã teremos decisão do FED e essa semana é recheada de earnings decisivos: Microsoft, Meta, Apple e Amazon - e claro, você vai ler tudo aqui no MoneyDrops!

EARNINGS

Vivo: fibra acelera, dívida também

EBITDA cresceu 10,9% e bateu o melhor ritmo em 11 trimestres

Com receita aumentando, lucro saltando e o EBITDA subindo no maior ritmo em 11 trimestres, a Vivo segue viva. Mesmo assim, o report do trimestre mostra também que tem dinheiro indo para a direção contrária.

Os números do trimestre:

🟢 EBITDA: R$ 6,58 bilhões, alta de 10,9% a/a. O melhor crescimento em 11 trimestres.
🟢 Lucro Líquido: R$ 1,57 bilhão, alta de 17% a/a.
🔴 Fluxo de Caixa Livre: R$ 2,66 bilhões, queda de 10,7% a/a, mesmo com o EBITDA recorde.

A receita líquida bateu R$ 15,76 bilhões, alta de 7,6% no ano, com o motor de sempre girando: pós-pago subindo 7,9% e a fibra acelerando 10,7%. Com custos crescendo abaixo da receita e uma ajuda de R$ 202 milhões da venda de ativos de cobre, o lucro líquido agradece.

O problema aparece na linha do fluxo de caixa: o FCL caiu 10,7%, mesmo com o EBITDA batendo recorde. Os motivos são simples: mais tributos e uma base de comparação complexa - no 2T’25 o capital de giro foi favorecido por recebimentos de clientes fora do padrão.

Tem mais um item devendo explicação: a dívida líquida subiu tanto na comparação anual quanto na trimestral, fechando em R$ 11 bilhões. Essa alavancagem em alta é um detalhe que o mercado vai cobrar:

  • Para os Bulls: a tese de sempre segue de pé. Pós-pago com ARPU maior, fibra ganhando penetração, churn baixíssimo e margem EBITDA que só expande. Com o compromisso de distribuir 100% do lucro aos acionistas e recompra de até R$ 1 bilhão aprovada, o retorno segue generoso. O fim da depreciação acelerada do cobre a partir do 3T’26 deve dar empurrão extra na margem líquida.

  • Para os Bears: o EBITDA recorde esconde um detalhe incômodo que é o caixa que realmente sobra caindo e a dívida líquida subindo. Se o próximo trimestre repetir tributos mais pesados e capital de giro apertado, a narrativa de "crescimento com geração de caixa" começa a rachar, e o que sustenta o prêmio da ação deve ruir.

No fim, o 2T’26 da Vivo mostra a empresa crescendo, lucrando mais e expandindo margem… mas gerou menos caixa e se endividou mais fazendo isso. Bom trimestre, sim… perfeito, não.

PS: XP, Santander e BTG recomendam Compra. Goldman Sachs mantém Venda com preço-alvo de R$ 36,50.

MACRO/AÇÕES

→ Crédito Privado: Sparta tem preocupações com a classe.
→ Geopolítica: gestor da Kinea vê ‘superpoderes’ de Trump como maior risco para os mercados.
→ ETFs: triplica no Brasil e chega a R$ 116 bi em avanço de fundos na região.
→ FIIs: para a XP, o maior alfa está no mercado de escritórios.
→ Bolsa de Valores: é o ativo brasileiro com maior assimetria segundo Parreiras, gestor da Verde.
→ Habib’s: com dívidas de R$ 312 milhões, empresa vai à Justiça para se blindar de credores.
→ Nestle: pretende levantar 3 bilhões de euros com a cisão do seu negócio de água.
→ Simpar: vende operadora portuária por R$ 1,8 bilhão para grupo global.
→ XP: planeja dobrar de tamanho e chegar a R$ 4 trilhões até 2033.
→ TIM: estreia na TV por assinatura, uma estratégia para reter clientes.
→ Google: diz que detém US$ 94,1 bilhões em ações da SpaceX após IPO bilionário.
→ Agibank: gestora Lumina, de Daniel Goldberg, compra 3 milhões de ações e eleva fatia a 7%.
→ ISA: Energia precifica ‘follow-on’ em R$ 27 por ação e vai levantar R$ 1,2 bilhão.
→ Shein: tem prejuízo no tri e aumenta pressão sobre avaliação para IPO em Hong Kong.
→CXMT: empresa dispara no IPO e reposiciona a China na corrida dos chips.

DROPPED BY CONTABILIZEI

Quem tem CNPJ ganha 3x mais no Brasil

No 1º tri de 2026, o Brasil tinha +30 milhões donos de negócio. Desses, 65% empreendendo sem um CNPJ. E, no mesmo período, os formalizados tiveram rendimento médio 3x maior do que os autônomos e pessoa física (Sebrae).

O que isso muda? O CNPJ não aumenta sua renda sozinho. Mas abre portas que o empreendedor informal dificilmente consegue acessar:

  1. Emitir nota fiscal;

  2. Acessar crédito com melhores condições;

  3. Participar de licitações;

  4. Fechar negócios com empresas médias e grandes.

E se você também planeja formalizar seu negócio, a Contabilizei, pioneira em contabilidade digital, é parceira dos Drops. Eles cuidam da abertura do CNPJ e de toda a rotina fiscal enquanto você foca no que realmente importa: conquistar clientes e crescer.

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ADRs

American Depositary Receipt: é o passaporte que permite a uma ação estrangeira circular na bolsa americana sem que a empresa precise, de fato, listar seus papéis por lá.

Funciona assim: um banco depositário nos Estados Unidos compra as ações originais no país de origem, guarda esses papéis em custódia e emite, em cima deles, certificados negociados em dólar na bolsa americana.

A Vale e a Petrobras, por exemplo, possuem ADRs em Nova York.

AÇÕES

Nova bolha? Pagar mais pela mesma ação

ADRs da SK Hynix chegaram a valer 51% a mais que a ação em Seul

Um movimento curioso vem acontecendo no mercado de ações/ ADRs, com investidores pagando mais caro pela mesma ação, dependendo do local em que é comprado. Parece papo de golpe, mas é isso que está acontecendo com a SK Hynix, e o mercado, estranhamente, está adorando.

A coreana estreou seus ADRs (recibos de ações) na Nasdaq, cada um lastreado em um décimo de uma ação negociada em Seul.

Na teoria, dá pra converter um no outro sem dorama drama. Na prática, ninguém faz isso: desde a estreia o ADR americano vem sendo negociado com um prêmio de 16% a 51% sobre o preço da ação coreana (já ajustado pelo câmbio).

Por que ninguém aparece para arbitrar esses valores? O motivo é regulatório: dá pra transformar a ação em ADR, mas fazer o caminho inverso exige autorização da própria empresa. Ou seja, quem tentasse comprar barato em Seul e vender caro em Nova York poderia não conseguir autorização e ficar preso no trade, perdendo ainda mais se o prêmio continuasse subindo.

Parte da diferença até se justifica:

  • Coreia cobra imposto sobre transação que os EUA não cobram.

  • Custos de negociação e custódia são mais baratos nos EUA.

  • ADR é cotado em dólar, então o investidor não corre risco cambial.

  • ADRs também são mais eficientes em termos fiscais dentro de ETFs americanos.

Isso explica uns pontos percentuais de diferença... não 51%. O prêmio da SK Hynix é a prova mais clara de que investidor americano está disposto a pagar caro porque o "AI trade" nos EUA está mais inflado do que na própria Ásia.

Esse prêmio pode se resolver de um jeito tranquilo (ação coreana sobe e alcança o preço do ADR) ou de um jeito nada tranquilo (os dois despencam juntos, se a festa da IA acabar). Só que, por enquanto, a boca de jacaré pode simplesmente continuar abrindo...

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

D-Wave Quantum ▲20,36% após parceria com a AT&T para desenvolver aplicações de computação quântica.

Lojas Americanas: ▲ 7,71% puxou o rali do varejo ontem, embalada pela queda dos juros futuros em toda a curva.

Embraer: ▲ 5,33%, com a empresa informando que a carteira de pedidos bateu US$34,5 bilhões no trimestre.

Em baixa

As Petroleiras: Petrobras ▼ 3,15%/ Prio ▼ 5,29% e PetroRecôncavo ▼ 3,31%, respondendo à queda do Brent, que chegou a cair 8%, com o alívio geopolítico.

As Seguridades: Caixa Seguridade▼ 2,59% e BB Seguridade ▼ 2,29%, após o Morgan Stanley rebaixar recomendação do setor

E-COMMERCE

Shein: o prejuízo que chegou bem na hora errada

Documento que deveria vender a ação para investidores faz papel inverso

As comprinhas da Shein movem bilhões de dólares por ano - só no Brasil, foram +US$ 2 bi em 2025. Mas para quem estava ansioso para colocar umas ações do e-commerce no carrinho, o primeiro report público às vésperas do IPO em Hong Kong foi uma decepção.

🔴 Lucro Líquido: prejuízo de US$ 99 milhões, revertendo o lucro de US$ 395 milhões do 1T’25.
🔴 Margem Operacional: caiu de 3,9% para 2,9%, com o lucro operacional encolhendo 26% na comparação anual.
🟢 Clientes Ativos: 281 milhões nos últimos 12 meses, alta de 16,6%.

Metade do estrago é maquiagem contábil, metade é osso duro de roer mesmo. Dos quase US$ 500 milhões que sumiram do resultado antes de impostos, US$ 328 milhões vieram de uma baixa das ações preferenciais conversíveis — um ajuste técnico e mecânico, que desaparece do balanço na estreia.

Só que isolar esse item não salva a história: o lucro operacional caiu 26% - sem ajuda de nenhuma baixa contábil, mas com um empurrão nada amistoso dos EUA. O Tarifaço acabou com a isenção para pacotes de baixo valor e a receita americana caiu 14,3% no trimestre.

Quem sustentou o crescimento da receita total (ainda que magro, +1,1%) foi o resto do mundo, com alta de 10,1%.

Ao mesmo tempo, as despesas de fulfillment subiram de 42,8% para 47,7% da receita e o marketing foi de 12,2% para 15,8%. Ou seja, ficou mais caro entregar produto e mais caro conquistar cliente.

  • Para os Bulls: a base de clientes segue crescendo dois dígitos, a receita fora dos EUA está compensando a perda americana, e o modelo de precificação cost-plus permite repassar boa parte da tarifa para o consumidor final. Se a normalização nos EUA se confirmar e a UE não repetir o trauma americano, o pior já passou.

  • Para os Bears: o deficit patrimonial de quase US$ 7 bilhões e a dependência de um mecanismo contábil para virar positivo no IPO mostram uma empresa estruturalmente alavancada em preferenciais. O choque europeu ainda nem apareceu nos números e a margem operacional já vinha caindo antes disso.

A Shein escolheu a pior época possível para se apresentar ao mercado ao abrir seus números com um prejuízo. Isso é o tipo de evento que WS vai olhar e precificar, sendo IPO ou não.

STATS

US$ 35 bilhões

é o montante que o Tesouro pede ao Senado para mudança na regra de emissão no exterior por ano.

Via ValorEconômico

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