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EDIÇÃO #225 • 07/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que um ticker na bolsa pode parecer só um código técnico de identificação. Mas na prática, a SpaceX comprou o SPCX de um ETF que teve que se retirar para liberar o espaço e a Meta fez o mesmo com o META em 2022, mostrando que ticker bom vira ativo estratégico - tipo um bom domínio para o seu site corporativo.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Dolly: o refri de R$ 15,7 bilhões em dívidas
• Renda Fixa: o fundo que não rendeu
• Trump: o IR-cripto do presida americano


Por aqui, o seu mau humor de segunda-feira pós-eliminação na Copa contagiou a bolsa, que devolveu com juros os ganhos da semana passada. O peso veio das duas gigantes - Petrobras (-1,27%) e Vale (-1,33%) - e o único consolo ficou com o dólar acompanhando o exterior e recuando 0,73%, voltando para baixo dos R$ 5,15. Nesta semana, quem entra em cena é o IPCA e aí o mercado vai ter, enfim, algo doméstico pra digerir.
Lá fora, depois do susto com os chips no fim de junho, os semicondutores voltaram com tudo. - Dow fechou acima dos 53 mil pontos pela primeira vez na história (+0,29%), S&P 500 subiu 0,72% e a Nasdaq, 1,12%. E o melhor talvez ainda venha por aí: a temporada de balanços do 2T’26 começa nesta semana com expectativa nas alturas - a projeção de lucro +24% para o S&P 500 e algo como +65% para o setor de tecnologia.

NEGÓCIOS
Dolly: o refri de R$ 15,7 bilhões em dívidas
Fisco descobre um jeito novo de pedir falência

Quando você passou pelas prateleiras do mercado na hora de comprar os refris pro jogo do Brasil, provavelmente não imaginou que a Dolly está no centro de uma das batalhas jurídicas mais espetaculares do Brasil corporativo nos últimos anos.
Semana passada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria do Estado de São Paulo protocolaram um pedido de falência contra o Grupo Dolly, que tem uma etiqueta de preço de R$ 15,7 bilhões em dívida tributária.
→ R$ 8,3 bilhões para a União
→ R$ 7,4 bilhões para o Estado de SP
→ R$ 15 milhões em FGTS atrasado.
→ São 25 anos de cobranças tributárias acumuladas.
Mas… o pedido de falência não é falência. É só o primeiro gole de uma briga judicial que pode durar anos. E nisso a empresa segue operando, com empregados trabalhando e refrigerante sendo fabricado.
O caso tem um ingrediente que o torna historicamente relevante:
As procuradorias se apoiam numa orientação recente do STJ que abriu espaço, pela 1a vez, para o Fisco pedir a falência de empresas - o que antes era vedado.
A exceção se aplica quando a cobrança comum é frustrada por fraude ou "blindagem patrimonial”, exatamente o que a PGFN alega no caso Dolly - que teria blindado seus ativos para escapar das cobranças.
A Dolly pode argumentar que se trata de inadimplência tributária comum, não de fraude estruturada. O argumento importa porque, sem prova sólida de fraude, aceitar o pedido criaria precedente perigoso: a falência viraria ferramenta de pressão para cobrar tributo, algo que a jurisprudência já rejeitou antes.
Complica ainda mais o fato de a empresa ter saído de quase oito anos de RJ em maio, sem conclusão, e a tentativa de recuperação extrajudicial que veio depois não barra o pedido de falência automaticamente.

MACRO/AÇÕES
→ FED: Kevin Warsh acabou com o forward guidance.
→ Emergentes: BlackRock recalcula rota e coloca América Latina como principal aposta entre emergentes
→ Megafusões: aceleram em 2026, e mercado de M&A mira superar recorde histórico de 2021.
→ Petroleiras: a visão do BofA para o setor na América Latina.
→ Dólar: mais forte muda estratégia de operadores de carry trade e impulsiona emergentes.
→ CVM: edita resolução para aumentar controles contra lavagem de dinheiro.
→ Energia: Axia Energia e Alupar vencem leilão de transmissão, que tem deságio médio de 53,2%.
→ Frigoríficos: Brasil exportou quase US$ 10 bilhões de carne bovina em 2026.
→ Braskem: Safra tenta travar venda da empresa.
→ HBR: faz oferta por 100% da Helbor, buscando destravar valor.
→ ISA Energia: prepara follow-on de R$ 650 milhões.
→ Embraer: o jato de US$ 12 milhões que sustenta o recorde nas entregas do 2º tri.
→ Oracle: está atravessando sua maior sequência de derrotas desde 2021.
→ SmartFit: fundo da Noruega desfaz posição relevante e acende atenção sobre a empresa.
→ Azul: prepara listagem na NYSE após saída do Chapter 11.


Índices de Renda Fixa
São benchmarks que medem o desempenho de carteiras compostas por títulos de dívida (públicos ou privados) e servem como referência para avaliar se um fundo ou estratégia está entregando resultado acima ou abaixo do mercado.
No Brasil, os mais conhecidos são o CDI, o IMA-B (que rastreia títulos atrelados à inflação, como as NTN-Bs) e o IRF-M (que acompanha títulos prefixados).
Cada índice reflete um perfil diferente de risco e duration.

INVESTIMENTOS
A Renda Fixa que não rendeu
Apenas dois investimentos superaram o CDI no primeiro semestre

Se +130% do CDI é um sonho alto - que pode gerar um tombo igual -, ficar abaixo da taxa é uma realidade que ninguém quer. Infelizmente, essa foi a realidade de boa parte dos investimentos de renda fixa em junho, quando apenas dois superaram a taxa de referência no semestre, que acumulou 6,90%.
O IDA-DI: índice de debêntures atreladas ao CDI entregou 7,09%.
O IMA-S: que representa o Tesouro Selic, ficou em 6,95%.
Tudo o mais: abaixo. Em alguns casos, bem abaixo.
O pior desempenho ficou com as debêntures incentivadas atreladas ao IPCA - aquelas isentas de IR que muita gente comprou pelo benefício fiscal. O IDA-IPCA Infraestrutura rendeu apenas 1,43% no período (20,7% do CDI.)
Tudo começou bem: o ano se iniciou com spreads de crédito comprimidos e o mercado estava confortável.
Mas a vida aconteceu: as RJs de Raízen e GPA aumentaram a aversão a risco especialmente nos emissores mais alavancados. Fundos tiveram resgates, papéis precisaram ser vendidos a mercado, spreads abriram, preços caíram.
Para o segundo semestre, o recado é de cautela com crédito privado e preferência por emissores de maior qualidade. A reprecificação dos papéis melhorou a relação risco-retorno depois do estresse, mas o Tesouro IPCA+ segue com taxas em níveis historicamente elevados, o que abre oportunidade real de retorno a longo prazo.
O que você mais tem na carteira?

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
AMD: +6,61% depois do Goldman Sachs elevar o preço-alvo de US$ 450 para US$ 640
DELL: +4,16% depois que Trump promoveu a empresa ao vivo.
IBM: +3,45% após o BofA elevar o preço-alvo e aumentar as expectativas de um 2T’26 forte.
Em baixa
TOTVS: -4,97% continuando sendo arrastada pelo sell-off global do setor de software.
Lojas Renner: -4,80% balançada pelas notícias sobre as práticas comerciais brasileiras, com o PIX no centro da discussão.
Braskem: -3,85% continua no olho do furacão desde o rebaixamento do crédito

CRIPTO
Trump: o IR-cripto do presida americano
US$ 1,4 bi na conta do POTUS com seus investimentos em coins e memecoins

De dia: trabalhar assinando as leis que regulam o mercado cripto.
De noite: faturar centenas de milhões de dólares com o negócio de memecoins.
Para Donald Trump, esse é quase o resumo da declaração de imposto de renda de 2025.
O documento de 927 páginas divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA na semana passada mostra que Trump recebeu pelo menos US$ 1,4 bilhão em receitas ligadas a cripto no ano passado. O número vem de três frentes:
US$ 594 milhões da World Liberty Financial, empresa de cripto cofundada pelos filhos de Trump e por Steven Witkoff (um de seus principais diplomatas);
US$ 636 milhões em royalties da CIC Digital, sua empresa de memecoins;
US$ 197 milhões com a venda de participações na Stablecoin Holdco.
Os ganhos com cripto representam quase 20% do patrimônio total estimado de Trump, que é US$ 7,6 bilhões - segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.
A administração Trump foi a que mais avançou na regulamentação favorável ao mercado cripto nos EUA, criando um ambiente que beneficia diretamente suas próprias empresas.
→ Quem critica: diz que a linha entre política pública e interesse privado nunca foi tão tênue.
→ Quem defende: responde que os ativos são geridos por terceiros e que Trump não interfere nas decisões de investimento.
A declaração não muda nada juridicamente, pois Trump não infringiu nenhuma lei.

STATS
R$ 185 bilhões
foi a captação líquida no semestre dos fundos de investimento, subindo 120% mais que no mesmo período do ano passado.
Via ValorEconômico

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[para se impressionar] a diferença da riqueza de Musk para o 2° colocado é do tamanho do PIB da Suíça
[para estudar] fatos do primeiro semestre e as 10 ações responsáveis por quase todo o ganho da Nasdaq.
[para entender] a onda argentina de aquisições no Brasil, e a razão por trás dela.
[para se indignar] a vitória da Noruega fora do campo.
[para ler] as recomendações de livros da a16z.

