EDIÇÃO #248 • 24/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que o Nubank vai pagar US$ 900 milhões para dar nome ao estádio do Palmeiras por 18 anos, mas não é o único banco que controla a arena. O BTG Pactual assumiu o controle operacional depois de comprar uma fatia majoritária da WTorre por US$ 650 milhões e o Itaú usa o espaço para vender shows. Ou seja: você pode comprar o ingresso pelo Itaú para entrar num estádio administrado pelo BTG chamado Nubank.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• ETFs no Brasil: saindo do nicho
• Santander: se oferece pra comprar a si mesmo
• Londres: quer virar o plano B dos IPOs brasileiros

Por aqui, depois da queda na Selic animar geral, a ata do Copom apareceu para lembrar que a política monetária segue restritiva. Aí os bancos caíram (BB -2,21%, Bradesco -2,17% e Itaú -1,88%) e derrubaram o Ibovespa junto (-0,86%), num tombo que só não foi maior porque a Petrobras amorteceu, subindo 2,6%. O real também sentiu: o dólar subiu 1,28%, fechando a R$ 5,168.

Lá fora, os treasuries roubaram a cena: o rendimento da T-note de 10 anos disparou pro maior nível desde 2007, com aquele empurrão do medo de novas elevações na taxa de juros. O dirigente do Fed, Michael Barr, colocou mais lenha na fogueira, dizendo que "ajustes adicionais" na política ainda são necessários. O impacto foi geral: o S&P 500 -0,76%, Nasdaq -1,13%, e o Dow Jones -0,68%.

INVESTIMENTOS

ETFs no Brasil: saindo do nicho

Quase 1 milhão de brasileiros já têm fundos de índice na carteira, e a renda fixa virou a nova estrela do segmento.

Quase todo mundo que tem algum tipo de investimento já ouviu falar em ETF, mas aqui no Brasil esse era o tipo de produto que ganhava um “sorria e acene”, mas não ganhava espaço nas carteiras. Só que a história mudou e 914 mil brasileiros já têm ETFs, numa alta de 39% em um ano.

A oferta também disparou: eram 219 ETFs listados em agosto, 55% a mais que nos últimos 12 meses. Tem fundo seguindo Ibovespa, bolsas internacionais, setores específicos e, cada vez mais, renda fixa.

Onde está indo o dinheiro? Pelo mesmo caminho dos investimentos tradicionais. Ou seja: mais renda fixa, menos ações. O segmento atraiu mais de R$ 27,3 bilhões neste ano até agora e já supera a renda variável em patrimônio total entre os ETFs brasileiros. Com juro real ainda gordo, pessoa física está trocando risco de bolsa por CDI empacotado.

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O veterano da turma continua sendo o BOVA11, ETF da BlackRock que acompanha o Ibovespa. Em agosto, ele movimentou em média R$ 671,6 milhões por dia, equivalente a 41,5% de todo o volume negociado em ETFs no país.

Algumas vantagens que endossam o aumento dos ETFs:

  • taxas geralmente menores que as de muitos fundos tradicionais;

  • diversificação dentro de um único ativo;

  • facilidade de comprar e vender pela própria bolsa;

  • ausência do come-cotas, a antecipação semestral de Imposto de Renda comum em vários fundos tradicionais de renda fixa.

O ETF replica uma carteira diversificada, com liquidez diária e taxas bem menores que fundos ativos sem exigir do investidor a escolha de cada papel individual. Na prática, virou o meio-termo perfeito pra quem quer diversificação sem abrir mão da agilidade de negociar em tempo real.

PS: a XP suspendeu as aplicações em ETFs atrelados ao CDI por dúvidas em relação ao IR.

PS2: o varejo ainda está longe de mandar nesse mercado. O volume movimentado por CPFs representa menos de 15% do total.

MACRO/AÇÕES

→ Brasil: Investimento Direto continuará em níveis historicamente altos.
→ Japão: participação dos grandes bancos japoneses em empréstimos tem primeira alta sustentada em 3 décadas.
→ Anbima: contesta IR de 25% nos ETFs de renda fixa que seguem CDI.
→ Ata do Copom: comitê vê a economia esfriando, mas mantém a porta aberta para novos cortes.
→ Aneel: aprova edital de leilão de transmissão, com investimento de R$ 8,9 bi.
→ Papel e Celulose: Suzano ou Klabin? Bradesco analisa o setor e apresenta sua “top pick”.
→ Receita Federal: reduz projeção de arrecadação com dividendos para R$ 10,5 bilhões em 2026.
→ Braskem: credores cobram injeção de US$ 3 bilhões de Petrobras e IG4.
→ Petrobras: têm potencial de alta de 33%, diz Itaú BBA.
→ Iguatemi: fundo espanhol compra 4,5% e diz que só sai quando mercado reconhecer valor.
→ Vale: comprou 30% da Ligga Mineração por US$ 190 milhões.
→ Kepler Weber: XP vê agro na ‘direção correta’, mas corta estimativas e preço-alvo.
→ Mercado Livre: movimento da Shopee beneficia gigante argentina e melhora ambiente competitivo, vê BBA.
→ Binance: investe US$ 100 milhões na Circle, dona da stablecoin USDC.
→ Log: conclui venda de galpão no Recife por R$ 210 milhões para TRXF11.
→ Yduqs: e Afya assinam fusão e criam gigante do ensino superior privado.

OPA

Santander se oferece pra comprar a si mesmo

O laudo do UBS BB, encomendado pelo próprio Santander, calculou métricas de relação de troca… todas acima do que o banco espanhol está oferecendo aos minoritários.

Quando um banco encomenda o laudo que embasa a própria oferta, dá pra desconfiar da nota final. Mas no caso da OPA do Santander pelos 10% que ainda não controla do Santander Brasil, o problema é outro: o próprio laudo mostra que a oferta ficou abaixo do que ele mesmo calculou como "justo".

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A oferta: o Santander espanhol quer trocar as ações que ainda não tem do Santander Brasil por papéis do banco lá de fora - na proporção de 0,2028 BDR/ADS por ação, e 0,4056 por unit. No total, a operação vale até € 1,9 bilhão, com um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento de 30 de julho (R$ 25,25 a unit).

O detalhe incômodo pro minoritário: o laudo, feito pelo UBS BB, calculou o valor "justo" de três formas diferentes. E a proposta do banco ficou abaixo das três:

  • Pelo preço médio de cotação nos 12 meses antes do anúncio, a relação seria 0,5223.

  • Pelo patrimônio líquido tangível, 0,6833.

  • Pelos múltiplos de bancos comparáveis, a mediana ficou em 0,3236.

Isso não significa automaticamente que a oferta seja ruim: a operação foi anunciada com um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento anterior ao anúncio. Mas mostra que a leitura muda bastante dependendo da régua utilizada.

Seria esse o primeiro passo para uma futura deslistagem? Não há anúncio nesse sentido, mas existe precedente dentro de casa: o Santander fez movimento semelhante no México e concluiu a retirada de sua operação local da bolsa em 2023, via OPA tradicional.

Por enquanto, a OPA não tira o Santander Brasil da B3. Mas pode deixar cada vez menos Santander Brasil disponível para comprar nela.

PS: o Santander é 5° maior banco do país em ativos, com cerca de R$ 1,29 trilhão e 76 milhões de clientes.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Palantir: ▲ 3,68% depois que a FAA começou a usar seu software de IA para controle de tráfego aéreo em aeroportos da região de Washington.

Magazine Luiza: ▲ 3,73%, a Anvisa voltou atrás na proibição que impedia o Magalu de intermediar a venda de medicamentos de farmácias parceiras.

Petrobras: ▲ 2,59%, com o Brent saltando 3,86%, para US$ 103,08, e a tensão entre EUA e Irã de volta ao radar. Para completar, o UBS BB elevou o preço-alvo da ação para R$ 62 e reiterou compra, projetando dividend yield de até 14% em 2027.

Em baixa

Expedia: ▼ 7,72%, o novo Muse, da Meta, assustou as plataformas de viagem ao mostrar capacidade de pesquisar e concluir reservas de voos e hotéis dentro do próprio agente.

Braskem: ▼ 7,41%, a reestruturação da dívida ganhou mais um capítulo indigesto: o Ministério Público de SP recomendou suspender novos aportes na Braskem Idesa, no México.

Alibaba: ▼ 4,75%, após relatos de que Pequim está investigando as empresas de IA rivais, aumentando as preocupações sobre uma regulamentação mais rígida do setor.

DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS

Você já sabe quanto vai pagar de imposto sobre seus dividendos ano que vem?

Desde janeiro, a tributação sobre lucros e dividendos mudou. Pra quem recebe mais de R$ 600 mil por ano, entender o impacto no bolso virou parte do jogo.

Pensando nisso, a EQI Research criou o Simulador Imposto sobre Dividendos. Uma calculadora pra mostrar essa conta de um jeito simples. Você coloca os números. Ela mostra o tamanho da mordida impacto. E você decide o que fazer com essa informação. Calcule aqui →

BOLSAS

Londres quer virar o plano B dos IPOs brasileiros

A bolsa inglesa está vindo ao Brasil vender uma ideia simples: em NY você pode ser só mais uma empresa, mas em Londres talvez seja protagonista.

Tocar o sino da Bolsa de NY parece ser o sonho de qualquer empresa. O problema é chegar lá e perceber que a festa está cheia de celebridades (Apple, Nvidia, Amazon), centenas de subcelebridades locais e que ninguém reparou que você apareceu. É pra essa dor de cabeça que a Bolsa de Londres quer ser o paracetamol.

O CEO da LSEG, David Schwimmer (não é o Ross de Friends), veio ao Brasil defender Londres como alternativa pra empresas brasileiras acessarem capital internacional: uma companhia média que vira "órfã" nos EUA tem mais chance de entrar no radar de investidores europeus.

Além de tentar atrair os CNPJs brasileiros, a velha London Stock Exchange também está tentando ficar menos… velha. Para isso:

→ Criou a plataforma Pisces, em que ações de empresas fechadas podem ser negociadas em janelas específicas sem abrir capital. É quase um “meio termo” entre ser privado e ser listado.

→ Pretende lançar a LSE 24, plataforma que funcionará 24 horas por dia, de segunda a sexta-feira. O começo será pelos ETFs, atendendo principalmente à demanda de investidores asiáticos, mas a ideia é levar outros ativos para esse modelo no futuro.

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Hoje, o negócio de bolsa propriamente dito representa apenas cerca de 4% da receita da LSEG. O restante vem de dados, índices, infraestrutura de mercado e análises. A empresa é dona do FTSE Russell, fornece tecnologia para instituições financeiras e até participa da construção da infraestrutura da A5X, uma das novas bolsas que pretende competir com a B3 no Brasil.

Para as empresas brasileiras, porém, o argumento principal continua sendo outro: atenção. Os EUA oferecem o maior mercado de capitais do mundo, mas isso também significa competir pelo olhar dos investidores com as maiores empresas do planeta. Londres está tentando vender exatamente o inverso.

Talvez a empresa brasileira não precise estar na maior bolsa. Talvez precise estar na bolsa em que alguém realmente vai olhar para ela.

STATS

100%

Do PIB global. Essa deve ser o tamanho da divida global que o FMI alerta que pode atingir esse patamar já em 2029.

Via Bloomberg

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