EDIÇÃO #233 • 04/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que um índice de bolsa mede o desempenho das ações dela e é assim que mercado decide onde o dinheiro rendeu mais. Já na prática, o MSCI Brasil foi ativo que mais rendeu em julho, com alta de 6,3%, mas boa parte disso veio do Real(que valorizou 1,8% no mês), porque o índice é calculado em dólar. O IBrX 50, medido em real, subiu bem menos.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Apple: casca bonita, polpa duvidosa
• Vale: commodity pagou, o hedge cobrou
• Amazon: enfim nas nuvens de verdade

Por aqui, o Ibovespa brigou com ele mesmo quase o dia todo por não saber pra que lado ir e acabou não indo para lugar nenhum, fechando no 0,00%. A culpa foi das commodities: minério caiu 2,85% derrubando a Vale (-2,15%) e o petróleo caiu 4%, levando junto a Petrobras (-0,86%). Quem segurou a barra foi o setor financeiro. Agora a atenção se volta para a reunião do Copom amanhã, com boa parte do mercado apostando em corte de 0,25%, levando a Selic para 13,75%.

Lá fora, o iô-iô da relação Trump/Irã saiu dos ataques e estava na negociação, derrubando o preço do petróleo. Aí Nasdaq subiu 2,13%, o S&P 500 avançou 1,48% e o Dow foi a +1,32%, puxados pelas Big Techs, com o “Taco trade" funcionando novamente. Agora o mercado vai digerir a temporada de resultados, com um olho nos dados do payroll, que sai na sexta-feira.

EARNINGS

Apple: casca bonita, polpa duvidosa

Tim Cook faz sua última call como CEO, e com um aviso que assustou mais que o resultado

O que passou está lindo: a Apple faturou e lucrou mais do que todo mundo esperava - no melhor segundo trimestre fiscal da história. Mas o que está por vir não agradou tanto e a ação da empresa chegou a cair -9%. Crescer 10% já não convence qualquer um…

Os números do trimestre:

🟢 Receita Total: US$ 109,4 bilhões x US$ 108,9 bilhões esperados.
🟢 Lucro Líquido: US$ 29,8 bilhões, crescendo 27% a/a.
🟢 Lucro por ação: US$ 2,02 x US$ 1,89 do consenso.
🔴 Guidance: crescimento entre 9-11%, abaixo dos 12%+ que o mercado esperava.

Para entender o que aconteceu é preciso ler as letras miúdas - ou ler o resumo que o MoneyDrops fez para salvar o seu tempo:

→ Cerca de 2 p.p da margem bruta de 50,1% vieram de reembolsos tarifários - que não vão se repetir.
Dois pilares do crescimento decepcionaram - China faturou US$ 18,8 bi (dos US$ 19,5 bi esperados) e Serviços vendeu US$ 30,7 bi (US$ 500 mi abaixo).

Resultado: a Apple teve que prever um futuro menos brilhante do que gostaria. Tim Cook disse que as restrições de fornecimento (memória e chips avançados) vão apertar "significativamente". Menos flexibilidade na cadeia de produção atrapalha entrega e pressiona custos… bem na hora de produzir o novo iPhone.

  • Para os Bulls: a Apple bateu receita e lucro, cresceu de dois dígitos em praticamente toda linha de produto e região, e sai da gestão Cook no melhor trimestre de sua história. Se a restrição de oferta for administrada como prometido, o próximo iPhone chega sobre uma base de demanda que só cresce.

  • Para os Bears: tire o efeito tarifário e o "beat" de EPS praticamente desaparece. China e Serviços, pilares da tese de crescimento de qualidade, vieram abaixo do esperado - e o próprio guidance já avisa que o trimestre que vem será pior em oferta.

Resultado foi ruim disfarçado de recorde: os números do topo são ótimos, mas cada camada vai revelando motivos a mais para o mercado ficar com a sobrancelha erguida.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 6 | Compra: 22 | Neutro: 14 | Venda: 2 | Venda forte: 2
Preço-alvo médio: US$ 323,28 | Preço atual: US$ 303,42
Potencial: +6,55%

Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

MACRO/AÇÕES

→ Commodities: novo ciclo à vista? Commodities podem impulsionar dividendos na América Latina.
→ Hedge Funds: fundo do “profeta da IA” cai de US$ 45 bi para US$ 10 bi.
→ Energia: bandeira amarela é mantida em agosto.
→ FED: o comitê dividido que já avista subida de juros.
→ Bloomberg: especulações sobre um possível IPO da empresa.
→ CSN: em processo de reestruturação, empresa deve emitir US$ 1 bi no exterior.
→ ETFs: alavancados estouram "bolha" de ações IA na Coreia do Sul.
→ Adidas: a derrota da empresa depois do apito final.
→ Ambev: resultado deixa um gosto de "quero mais" para o mercado.
→ Raízen: justiça homologa plano de R$ 65 bilhões e credores viram sócios da empresa.
→ Bradesco: o reforço de R$ 10 bilhões no colchão de capital do Bradesco.
→ Ray-Ban: família entra em conflito por controle de fortuna de € 40 bilhões.
→ Santander: propõe comprar fatia restante do Santander Brasil com prêmio de 15%.
→ Multiplan: antecipa crédito de R$ 253 milhões antes da reforma tributária.
→ Auren: chega a uma TIR de 15%.
→ Palantir: lucro bate US$ 1,06 bilhão, alta de 224,5% na base anual.
→ ISA Energia: tem lucro líquido regulatório de R$ 174 milhões no 2º tri, queda anual de 32%.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Alibaba: 4,09%, após o lançamento do Qwen3.8-Max, que rivaliza com os principais modelos da Anthropic.

SpaceX: 5,68%, antes da divulgação de seus resultados trimestrais que saem hoje

Hapvida: ▲ 5,59% sem notícias corporativas, ação ainda amarga uma queda de -19,14% no ano e -63,53% nos últimos 12 meses.

Em baixa

GameStop: 12,25%, após o anúncio de planos para trocar US$ 1,4 bilhão em dívida conversível por ações ordinárias.

CSN: ▼6,82% após um corte de rating da empresa pela agência Fitch.

eBay: 6,03% após a Wells Fargo rebaixar recomendação com preocupações de que a Depop possa afetar os lucros futuros.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS

Vale: commodity pagou, o hedge cobrou

Marcação a mercado de derivativos tirou quase US$ 800 milhões do lucro.

Os números operacionais da Vale foram dignos de manchete: maior produção de minério de ferro para um 2T desde 2018, cobre com o melhor 2T também em nove anos. Só que o lucro despencou ~35% na comparação anual. O problema não estava na mina… estava na engenharia financeira.

Os números do trimestre:

🟢 EBITDA: US$ 4,066 bilhões, alta de 19% a/a e acima do esperado.
🔴 Lucro Líquido: US$ 1,375 bilhão x US$ 1,84 bilhão esperado
🟢 Fluxo de Caixa Livre: US$ 1,505 bilhão, alta de 49% a/a, puxado pelo maior EBITDA.

Começando pelo que funcionou. A receita cresceu 19% a/a para US$ 10,5 bi - com vendas em alta em todos os segmentos: minério (+3%), cobre (+10%) e níquel (+7%). O EBITDA foi junto, bateu US$ 4,1 bi impulsionado por mais volume e preços melhores.

Mas o resultado financeiro ficou negativo em US$ 473 milhões, de US$ 167 milhões positivos um ano antes.

A culpa foi da marcação a mercado de derivativos, que sozinha subtraiu quase US$ 800 milhões do lucro na comparação anual, somada a um salto nos tributos sobre o lucro puxado por efeitos cambiais em prejuízos fiscais de subsidiárias.

No lado dos gastos as coisas vão ter que se ajustar pra cima e a Vale já até revisou o guidance de custo do ferro, admitindo que o câmbio mais forte veio para ficar - mas os custos de cobre e níquel vão cair. A dívida líquida caiu para US$ 16,7 bilhões, dentro da meta da empresa.

No meio disso tudo, a companhia ainda achou espaço para mimar o acionista e aprovou US$ 1,7 bilhão em dividendos e JCP a serem pagos em setembro. Lançou também um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, válido por até 18 meses.

  • Para os Bulls: o cobre já é quem manda no crescimento da Vale, com EBITDA subindo quase 80% a/a e um pipeline de projetos (Bacaba, Salobo, Alemão) que aponta para dobrar a produção até 2035. Enquanto isso, minério segue fazendo recordes e gerando caixa, dando retorno ao acionista via recompras e com dívida líquida dentro da meta.

  • Para os Bears: o lucro líquido caiu 35% e ficou bem abaixo do consenso, com problemas estruturais, em uma combinação de câmbio, derivativos e imposto que pode voltar a aparecer todo trimestre enquanto o Real seguir apreciado. Além disso custo de minério só sobe e a frase "operação forte, resultado fraco" pode virar o novo normal, não a exceção.

O trimestre da Vale foi bom onde ela controla (mina, mix de produto, disciplina de custo em metais básicos) e ruim onde ela não controla (câmbio, petróleo, derivativo). Para quem investe pensando em operação, motivo de otimismo. Para quem lê a última linha do balanço, o alerta é: acostume-se a explicar a diferença entre os dois.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 3 | Compra: 4 | Neutro: 6 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 88,18 | Preço atual: R$ 74,64
Potencial: +18,14%

Veja como encaixa na sua carteira:

Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

Hedge Cambial

É o seguro que uma empresa faz para se proteger da oscilação do câmbio, não necessariamente para lucrar com ele, mas para tirá-lo da equação.

Quem tem receita, dívida ou custo numa moeda diferente da que usa no dia a dia fica exposto a uma variável que não controla e que pode transformar um bom negócio em prejuízo da noite para o dia.

O hedge trava esse valor. Hedge não é aposta: bem-feito, ele não gera ganho nem perda com o câmbio, apenas anula a volatilidade e dá previsibilidade ao caixa.

TECH

Amazon: enfim nas nuvens de verdade

com forte resultado, empresa volta para suas máximas históricas

What a quarter!

Wall Street esperava lucro de US$ 1,82 por ação, mas a Amazon triplicou a meta entregando US$ 5,75. Foi fantástico, mas teve uma ajuda e tanto de um ganho contábil de US$ 53,4 bilhões - principalmente da valorização da Anthropic. Sem isso… o trimestre continua deixando os analistas de queixo caído e a euforia fez o papel subir 18%.

Os números do trimestre:

🟢 Receita da AWS: US$ 42,2 bilhões, crescendo 37% a/a e a maior aceleração em 18 trimestres.
🟢 Margem operacional: 13,7%, recorde histórico, subindo de 11,4% no mesmo período do ano passado.
🔴 Fluxo de caixa livre (12 meses): -US$ 7,6 bilhões, revertendo os +US$ 18,2 bilhões de um ano atrás.

Depois de meses do mercado se perguntando se um dia os muitos bilhões gastos em chips e data centers voltariam como receita, isso aconteceu. a AWS cresceu 37%, mas o destaque fica com IA e chips próprios (Trainium e Graviton), que já passaram de US$ 25 bilhões em ARR, crescendo em ritmo de três dígitos.

O Capex saltou 64% em 12 meses para US$ 169 bi - e deve chegar a US$ 220 bi em 2026. Isso fez o fluxo de caixa livre ficar negativo pela primeira vez, e a dívida de longo prazo dobrou em seis meses para US$ 128,9 bi.

No mais, a Amazon segue sendo Amazon: publicidade cresceu 26% a/a para US$ 19,8 bilhões, o varejo na América do Norte cresceu 16% com recorde de entrega no mesmo dia, e a margem operacional do segmento internacional voltou a subir.

  • Para os Bulls: a AWS acabou de provar, com números, que a aposta bilionária em infraestrutura de IA está gerando receita incremental real, não só promessa. Com IA e chips já somando mais de US$ 50 bilhões, e crescendo em três dígitos, a Amazon tem o argumento mais forte entre as big techs de que o capex está voltando em caixa.

  • Para os Bears: dívida de longo prazo dobrando em seis meses e fluxo de caixa livre virando negativo não é detalhe de rodapé… é o preço real que a empresa está pagando pela corrida de IA. A Amazon está financiando a corrida da IA com dívida - algo que só fica sustentável se a receita continuar acelerando nesse ritmo.

A Amazon fechou um trimestre em que o lucro contábil brilhou por um motivo (Anthropic) e o mercado aplaudiu por outro (AWS). Os dois são reais, mas só um deles se repete todo trimestre.. e é isso que o mercado ta pagando pra ver!

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 16 | Compra: 43 | Neutro: 3 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 321,95 | Preço atual: US$ 284,02
Potencial: +13,35%

Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

STATS

81,9%

É o percentual da dívida bruta do governo em relação ao PIB, o maior patamar nos últimos 5 anos.

Via CNN

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