EDIÇÃO #247 • 23/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que listar uma ação na bolsa serve pra dar liquidez ao acionista, já que ele pode entrar e sair quando quiser. Só que a B3 anunciou a exclusão de OIBR3 e OIBR4 depois da falência decretada da Oi, mas isso não cancela as ações nem as transforma em crédito contra a massa falida. O papel só migra pros registros do Banco do Brasil e a empresa continua aberta na CVM, com todas as obrigações regulatórias intactas. O acionista continua acionista, só perdeu o único lugar onde isso significava alguma coisa.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Inter: foi pra Nasdaq e o BDR foi pro limbo
• Japão: a terra do juro nascente
• Liverpool: £8 milhões de lucro, US$ 7 bilhões de valor

Por aqui, bancos e pesquisas eleitorais apertaram as mãos e se juntaram com o bom humor externo para fazer o Ibovespa subir 0,74% e chegar aos 186,6 mil pontos. Um empurrãozinho da queda do petróleo também abriu espaço para o apetite a risco. O Focus trouxe um combo raro: baixou a projeção da Selic pra 2026 (de 13,75% para 13,50%), mas subiu a do IPCA pra 4,92%. O dólar recuou 0,89%, para R$ 5,11.

Lá fora, a tese da IA voltou ao modo turbo e turbinou junto as bolsas: o S&P 500 avançou 1,49% e a Nasdaq saltou 2,26%, renovando sua máxima histórica. A demanda por chips colocou também mais uma empresa no clubinho das trilionárias, que agora recebe a nova sócia AMD - com ~9% de valorização só ontem. A queda dos rendimentos dos Treasuries e o petróleo recuando perto de 4% completaram o combo, pois menos pressão inflacionária, mais vontade de comprar tecnologia. E o bitcoin, embalado pelo clima, ultrapassou os US$ 85 mil.

AÇÕES

O Inter foi pra Nasdaq, e seu BDR foi pro limbo

O Inter confirmou o fim do programa de BDR patrocinado (INBR32) na B3, com prazo até 16 de outubro para o investidor decidir o que fazer com a posição.

Se você tem BDR do Banco Inter na carteira e estava esperando outubro pra pensar no assunto, o prazo mudou de mãos: o Inter confirmou o cronograma para encerrar o programa de BDRs patrocinados na B3, e "não fazer nada" deixou de ser uma opção neutra.

Por que o fim do BDR? Reorganização societária. O banco quer sair da categoria de emissor estrangeiro na CVM e concentrar sua estrutura acionária nos EUA, onde já negocia ações desde 2022 - e tem até aval do Fed pra crescer por lá.

Na prática, o investidor tem três caminhos:

  • Migrar pra Nasdaq: trocar o BDR pela ação INTR direto na bolsa americana (mas precisa ter uma conta habilitada lá fora).

  • Trocar por um BDR novo: receber o INBR34, um BDR Não Patrocinado Nível I, na mesma proporção. É a alternativa mais parecida com a posição atual para quem prefere continuar negociando o Inter pela B3.

  • Não escolher nada: as ações serão vendidas na Nasdaq automaticamente, convertidas em reais e repassadas ao investidor da BDR.

Quem não registrar uma decisão válida até 16 de outubro não continua automaticamente exposto ao Inter. Na omissão, a posição vai para venda forçada pelo preço médio obtido na Nasdaq, já descontados eventuais tributos.

No fim, não é um adeus do Inter à B3. É um adeus ao INBR32, BDR Patrocinado, e, desta vez, o investidor precisa decidir como quer continuar na história.

Dica dropper: quem ainda pensa em comprar INBR32, cuidado para não deixar tudo para os 45 do segundo tempo, pois pode não ter tempo suficiente para ver os papéis liquidados na custódia e registrar sua escolha.

MACRO/AÇÕES

→ CVM: quer usar IA para fiscalizar mercado em tempo real.
→ Focus: reduz projeção da Selic para 13,50% no fim de 2026.
→ Tesouro: o alívio das NTN-Bs à espera de um ajuste fiscal.
→ Argentina: economia desacelera e ameaça planos de Milei para a reeleição em 2027.
→ Energia: risco maior movimenta derivativos, colateral e até bolsa.
→ Nestlé: Rússia toma o controle de operação no país, na maior expropriação desde 2024.
→ Netflix: Wells Fargo corta recomendação, levando o preço-alvo para US$ 57.
→ Oi: após falência, ações serão excluídas da bolsa.
→ TIM: Brasil passa a ter nova controladora indireta após oferta pela Telecom Italia.
→ Shopee: com carteira de R$ 8 bilhões, Shopee avança em crédito e amplia disputa dos marketplaces.
→ Assaí: compra 18 postos de combustíveis como parte de estratégia para diversificar receitas.
→ Unitree: ações caem 53% um mês após estreia na Bolsa de Xangai.
→ Rede D’Or: anuncia pagamento de R$ 400 milhões em JCP.
→ Bradsaúde: anuncia pagamento de R$ 250 milhões em JCP.

MACRO

Japão: a terra do juro nascente

O BoJ subiu os juros em 0,25 p.p., para 1,25% ao ano - o maior nível em 31 anos. O movimento encerra décadas de "juro zero" que o país usou para escapar da deflação

A terra do sol nascente está virando a terra do juro nascente. O Banco do Japão anunciou alta de 0,25 p.p. na taxa básica, levando os juros a 1,25% ao ano. Parece pouco para quem vive em Selic de 13,50%, mas é o maior patamar em 31 anos no país que, por décadas, viveu no modo “juro zero” pra fugir da deflação!

Trump passou a semana batendo boca com o Fed por subir juros. Dois dias depois, aplaudiu de pé quando o Japão fez exatamente a mesma coisa… só que a 12 mil quilômetros de distância.

A justificativa oficial: é a inflação, que rodou em 1,9% em agosto, colada no teto da meta de 2%.

A justificativa não-oficial: pressão direta da Casa Branca, com o secretário do Tesouro Scott Bessent fazendo pressão. Os EUA querem o iene mais forte pra segurar o carry trade e evitar bagunça cambial global, mesmo que isso jogue contra o discurso do próprio Trump em casa.

O tabuleiro ficou mais quente com alguns efeitos colaterais:

  • Títulos japoneses: de 10 anos foi ao maior nível em três décadas.

  • Iene fraco: encarecendo importações, principalmente petróleo.

  • Votação dividida no BoJ: dois dos nove membros do comitê, indicados pela primeira-ministra Sanae Takaichi, foram contra a alta.

A parte mais curiosa: Bessent não é espectador da Abenomics. Nos anos 2010, como gestor de hedge fund na órbita de George Soros, apostou pesado na queda do iene e na alta das ações japonesas - uma das jogadas mais lucrativas da carreira, construída em cima da mesma política que agora ajuda a desmontar.

O Fed sobe juros e leva bronca de Trump; o BoJ sobe juros e leva elogio da Casa Branca. A única constante é que quem paga a conta, seja em Tóquio, seja em Washington, é sempre o bolso de quem financia a dívida do governo!

PS: a dívida pública do país já bate 226,8% do PIB, deixando cada vez menos espaço pra continuar bancando estímulo com dinheiro barato.

Abenomics

Foi o pacote lançado em 2012 por Shinzo Abe pra tirar o Japão de décadas de deflação e estagnação, apoiado em três flechas (pilares):

  1. Política monetária ultra-frouxa: inundando a economia de dinheiro e juros perto de zero (ou negativos) pra forçar a inflação pra cima e desvalorizar o iene, favorecendo exportadoras.

  2. Estímulo fiscal: gasto público pesado pra injetar demanda na economia.

  3. Reformas estruturais: mudanças pra destravar crescimento de longo prazo (mercado de trabalho).

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Moderna: ▲ 12,26%, a biotech voltou a subir com a vacina personalizada de mRNA contra o câncer.

Meta: ▲ 11,43%, o Muse virou o app gratuito mais baixado da App Store americana e reacendeu a tese de monetização da IA. Para ajudar na festa, o Wells Fargo elevou o preço-alvo da ação de US$ 640 para US$ 796.

C&A: ▲ 6,60%, com o Citi citando que a varejista encerrou sua fase de reconstrução e entrou em um estágio mais agressivo de crescimento, batizado de “Full Power”. Juros futuros em queda deram aquela ajuda extra para o varejo.

Em baixa

Novo Nordisk: ▼ 7,96%, um evento da empresa não convenceu e a dona do Wegovy prometeu crescimento de receita até 2030 apenas em linha com seus pares.

BB Seguridade: ▼ 2,55%, com dados da Susep mostrando L.L de julho 19% menor que um ano antes, com resultado financeiro mais fraco da BrasilPrev e tombo de 40% nos prêmios do seguro rural.

Vale: ▼ 1,12%, com o minério de ferro sem força relevante na China, tirando combustível da mineradora justamente num dia em que boa parte da Bolsa brasileira estava no verde.

DROPPED BY MONTE BRAVO

Trocar o nome do cargo é a parte fácil

Deixar de ser um assessor de investimentos para se tornar um Financial Advisor exige mais do que uma boa carteira de clientes e um discurso bonito. O teste é outro:

  • Se o seu mês ainda depende do que o cliente comprou e da meta que destrava a comissão, o cargo mudou só no papel.

  • Se as suas orientações fazem a diferença na vida dos seus clientes e os ajudam a alcançar objetivos, você já é um Financial Advisor — e tem espaço para você no time Monte Bravo.

M&A

Liverpool: £8 milhões de lucro, US$ 7 bilhões de valor

Um consórcio com Jeff Bezos comprou cerca de um terço do Liverpool FC, avaliando o clube em mais de US$ 7 bilhões.

Tem ativo que vale muito porque dá lucro e tem ativo que vale muito porque não tem outro igual. Esse tipo parece ser a última aventura de Jeff Bezos, que entrou em um consórcio para comprar ~1/3 do Liverpool FC, numa transação que avaliou o clube em mais de US$ 7 bilhões.

Nas últimas semanas, outras franquias esportivas trocaram de mãos por cifras quase absurdas.
Seattle Seahawks (NFL): US$ 9,6 bilhões;
Los Angeles Lakers (NBA): US$ 12,5 bilhões;
Chelsea (Premier League): US$ 6,8 bilhões.

Pela lente de um investidor tradicional, as contas são estranhas: o Liverpool faturou £703 milhões na última temporada e lucrou apenas £8 milhões depois dos impostos. Não é exatamente uma máquina de margens, mas o valuation só sobe. O time já tinha sido comprado por £ 300 milhões em 2010, valorizando ~15x em ~15 anos.

Pela lente da escassez, as contas fazem sentido: você pode abrir outra empresa de software, outro restaurante ou até fundar outro clube. Mas não dá para fabricar outro Liverpool com mais de um século de história, títulos, rivalidades e milhões de torcedores espalhados pelo mundo.

Essa escassez ficou ainda mais valiosa por três motivos:

  1. A oferta é fixa. Existem poucos clubes realmente globais, enquanto o número de bilionários, fundos e investidores capazes de comprá-los continua aumentando.

  2. A atenção ao vivo ficou rara. Streaming e redes sociais fragmentaram o entretenimento, mas grandes jogos ainda colocam milhões de pessoas olhando para a mesma tela ao mesmo tempo.

  3. A monetização virou global. O estádio Anfield comporta cerca de 60 mil pessoas, mas o Liverpool vende patrocínios, camisas, licenciamento e mídia para uma torcida espalhada pelo mundo todo.

Futebol pode até ser algo passional, mas o investimento de US$ 7 bilhões tem bastante racionalidade por trás.

Curiosidade: a receita média de clubes da Premier League é parecida com a de times da NBA, na faixa de US$ 425 milhões a US$ 450 milhões por ano. Mas enquanto na NBA os times geram ~US$ 113 milhões de lucro operacional, na Premier League a média fica em US$ 17 milhões.

O motivo? Nos EUA, não existe rebaixamento, a receita de mídia é mais compartilhada e salary caps limitam a guerra por jogadores.

Bezos está comprando o Liverpool não pelo lucro de hoje, mas por ser um ativo global, impossível de replicar e com oferta praticamente fixa. Existem muitos negócios que podem crescer, mas só existe um Liverpool.

PS: 15 dos 20 times mais valiosos do mundo são da NFL, e nenhum clube europeu aparece nessa lista.

STATS

17,5x

É o P/L NTM (Next Twelve Months) da Nvidia, que se encontra no menor patamar desde 2017, apesar do market cap próximo das máximas, em US$ 5,49 trilhões.

DROP LIKE IT'S HOT

[para entender] por que tantas exchanges de criptomoedas estão fechando no Brasil?

[para acompanhar] o Fed divulgou um relatório afirmando que sua equipe de supervisão deveria saber que o Silicon Valley Bank estava em apuros antes de seu colapso em 2023.

[para entender] ausência de volatilidade não significa ausência de riscos.

O que você achou da edição de hoje?

conta pra gente, aqui sua opinião realmente importa

Login or Subscribe to participate

0 comments

Avatar

or to participate

Veja as edições anteriores

Ver tudo
arrow-right