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EDIÇÃO #227 • 14/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que na teoria as gigantes do entretenimento migraram para o streaming próprio para não depender de terceiros, controlar a distribuição, capturar todo o valor do catálogo e não dividir receita com ninguém. Já na prática, a Wells Fargo calcula que a Disney valeria 40% mais na bolsa se desistisse do Disney+ e voltasse a licenciar Marvel, Pixar e Star Wars para os outros streamings
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• PepsiCo: 137% ou só 1%?
• Shein: o IPO na 3a tentativa
• Panda bonds: a dívida falando mandarim


Por aqui, o fim de semana foi de festa (Ibov disparou ~3% na sexta, com IPCA fraco e nova aposta no corte de juros), mas a segunda foi de ressaca (queda de 1,2%). O culpado não é nada inédito: Trump disse que vai reinstaurar o bloqueio no Estreito de Ormuz e o petróleo saltou 9% - levando junto o dólar, que bateu R$ 5,13.
Lá fora, o mesmo Trump proclamou os EUA os "Guardiões do Estreito" e avisou que vai cobrar um pedágio de 20% sobre toda a carga que passar por lá. O petróleo saltou e o Brent furou os US$ 82, ressuscitando o medo de inflação bem na semana em que saem os índices nos EUA (CPI hoje e PPI amanhã). E a semana só esquenta: Kevin Warsh depõe no Congresso e a temporada de balanços abre com os bancões à frente.

EARNINGS
PepsiCo: 137% ou só 1%?
lucro contábil parece muito melhor do que é, culpa do efeito-base

Crescer muito sobre uma base pequena é fácil. Não é à toa que a PepsiCo reportou o lucro disparando 137% e não viu nenhum acionista estourando fogos - a comparação é contra um trimestre em que a empresa levou um tombo de quase US$ 2 bilhões. Tirando isso, o crescimento real do lucro foi de só 1%.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: US$ 24,18 bilhões x US$ 23,95 bilhões da expectativa.
🔴 Lucro por ação: US$ 2,20, x US$ 2,21, quebrou uma sequência de quatro trimestres batendo expectativas.
🔴 Margem Operacional Core: 16,8%, caindo 40 pontos-base na comparação anual.
A alta de 6,4% na receita até parece animadora, mas olhando mais de perto tem mais maquiagem do que crescimento de verdade: 2,2% foram do câmbio favorável e outros 1,8% de aquisições. No fim, sobraram apenas 2,4% de crescimento orgânico.
E tem um detalhe que ainda passa meio despercebido, mas merece atenção: a dívida de curto prazo praticamente dobrou, saltando de US$ 6,86 bilhões para US$ 10,6 bilhões.
Para os Bulls: o motor internacional acelerando em todos os segmentos é um alento, junto com o fluxo de caixa operacional praticamente dobrando ante 2025 (US$ 2,37 bi no semestre).
Para os Bears: margem comprimindo há dois trimestres sem sinal de reversão, e com perspectiva de piora para o próximo semestre. A linha de bebidas só cresce via aquisição, com volume orgânico caindo 4%. Dívida de curto prazo quase dobrou e também não deve ser ignorada.
A Pepsi já vinha tentando reverter esse quadro: cortou preços de Lay's, Tostitos, Doritos e Cheetos em até 15%, e repaginou marcas como Gatorade para tentar reconquistar o consumidor. A recuperação, segundo o CFO Steve Schmitt, deve ser "gradual” - ou seja, nada de milagre no próximo trimestre.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 4 | Compra: 3 | Neutro: 16 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 156,41 | Preço atual: US$ 138,59

Efeito-base
é a distorção que aparece em uma variação percentual quando o período de referência é atípico, e não na variação em si.
Como toda taxa de crescimento é uma razão entre dois períodos, o denominador pesa tanto quanto o numerador: se a base foi deprimida por um evento não recorrente (um impairment, uma provisão, um choque pontual), o avanço seguinte aparece inflado mesmo sem qualquer melhora operacional real.

MACRO/AÇÕES
→ IPCA: número bom, mas não veio limpo.
→ CVM: suspende oferta de CRI da Riza e faz alerta ao mercado.
→ Venezuela: inflação dobra de maio para junho e chega a 544% ao ano.
→ Boletim Focus: inflação recua, mas juros de longo prazo não caem.
→ XP: com Selic elevada, BTG vê guinada no modelo de negócios da XP.
→ Lojas MM: a varejista do interior do Paraná que fatura R$ 2 bilhões longe das capitais.
→ Porto: depois de pescar R$ 2,5 bi "dentro de casa", Porto Serviço sai em busca de mais R$ 4,5 bi.
→ Petrobras: reforça expansão internacional com aquisição de bloco exploratório na África.
→ Nubank: recebe aprovação definitiva para operações bancárias no México.
→ Delta: solta resultados e mostra uma gestão esperando bater as metas de 2026.
→ Strategy: interrompeu sua onda de vendas de Bitcoin, optando por levantar quase US$ 500 milhões em dinheiro.
→ Inter: os planos do banco para chegar no ROE de 30%.

CAPITAL ABERTO
Shein: o IPO na 3a tentativa
Depois de ignorada por NY e Londres, fast fashion consegue aprovação de listagem em Hong Kong

Foi barrada nos Estados Unidos. Ignorada em Londres. E viu sua avaliação derreter feito ferro em brasa. Mesmo assim, a Shein finalmente conseguiu o que perseguia há anos: a aprovação para um IPO - que vai rolar na bolsa de Hong Kong -, ainda sem data.
A oferta prevê a venda de até 341,6 milhões de ações. Os planos apontam para uma captação de alguns bilhões de dólares, mas o valor final ainda depende de quanto o mercado vai estar disposto a pagar.
Os acionistas pressionam a empresa a aceitar ~US$ 30 bilhões - um tombo para quem já foi avaliada em mais do triplo disso no passado.
O caminho até aqui não foi nada linear:
Nos EUA, o plano foi descarrilado há dois anos, em meio a escrutínio sobre práticas trabalhistas e de cadeia de suprimentos;
Em Londres, a tentativa foi abandonada quando os reguladores chineses seguraram a aprovação.
O timing carrega sua ironia. A bolsa de Hong Kong caiu cerca de 6% neste ano, mas o mercado de IPOs por lá está em festa, com quase US$ 35 bilhões captados em ofertas iniciais… sinal de que investidores ainda têm apetite, mesmo com o índice patinando.
Apesar de toda a pressão - concorrência crescente da Temu, tarifas de Trump, queda no tráfego online -, a Shein esperava fechar o ano passado com US$ 2 bilhões de lucro líquido. Como? Com aumento de preços e corte de custos que compensaram o tombo na demanda.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Brainin: a plataforma de IA subiu +16,59% com o lançamento da Aria, criada para o setor imobiliário.
CSN Mineração: subiu +4,21%, indo na contramão do próprio setor e liderando os ganhos do Ibovespa no dia.
Petrobras: +3,40% subindo junto com o petróleo, que disparou com o Brent em +9,59%
Em baixa
AppLovin: -12,65% depois que o BofA sinalizou crescimento mais lento.
SpaceX: -4,24%, ampliando sua recente correção após a alta inicial depois do IPO.
Casas Bahia: -6,31%, como a varejista é mais sensível a juros, levou a pior num dia em que a curva de juros abriu forte.

BONDS
Panda bonds: a dívida falando mandarim
O Brasil quer se endividar em yuan para ficar menos dependente de euro e dólar

Depois de anos dividindo o flerte entre dólar e euro, o Tesouro Nacional decidiu abrir uma conta em outro banco. O pequeno detalhe: fica em Pequim. O plano é emitir títulos soberanos em yuan, os chamados "panda bonds". Nome fofo para uma manobra bem séria de diversificação de dívida.
O secretário do Tesouro, Daniel Leal, confirmou a movimentação, mas o valor e as condições (juros, prazos) ainda dependem das negociações.
A lógica macro por trás disso parece simples: quanto mais moedas na carteira de dívida, menor a dependência de uma só. Como o yuan não necessariamente anda no mesmo ritmo do dólar ou do euro, ter dívida na moeda chinesa funciona como um seguro extra
Vale lembrar que essa aproximação com a China não nasceu agora:
Desde 2023, existe uma câmara de compensação direta entre yuan e real, sem passar pelo dólar;
Os bancos centrais dos dois países têm um acordo de swap cambial de R$ 157 bilhões, válido por 5 anos;
A participação do yuan nas reservas internacionais do Banco Central saltou de 5,3% para 8,3% entre 2024 e 2025, ultrapassando o euro e até o ouro.
A Suzano já testou esse caminho duas vezes: US$ 165 milhões em 2024 (a 2,8% ao ano) e US$ 196 milhões em 2025 (entre 2,55% e 2,90%). Com o Tesouro abrindo a porta, a aposta é que outras empresas brasileiras sigam o mesmo roteiro.
O yuan também tem uma “vantagem estrutural”: como a China controla rigidamente a entrada e saída de capital, os juros por lá não costumam dar saltos bruscos - aliás, vêm caindo desde 2020, de 4,05% para 3% ao ano.
Se o risco não está nos juros chineses, está no câmbio: caso o real perca valor, o Tesouro paga a conta. O alívio é que nos últimos 12 meses, a moeda chinesa ficou parada em R$ 0,77, praticamente sem sobressaltos.
PS: o Brasil é o primeiro país da América Latina a formalizar esse tipo de operação.

STATS
R$ 8,3 milhões
foi o quanto a Receita Federal já arrecadou em multas por omissão, erro ou atraso nas informações sobre operações com criptomoedas entre 2020 e abril de 2026
Via Portal do Bitcoin

DROP LIKE IT'S HOT
[para historiar] os personagens por trás dos grandes escândalos financeiros que abalaram mercados.
[para refletir] o primeiro livro de investimentos não deveria ser de investimentos.
[para ler] uma conversa de bar entre um otimista e um pessimista.

