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EDIÇÃO #244 • 10/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que na teoria Ryan Cohen assumiu a GameStop para transformar a varejista numa potência de e-commerce e hardware capaz de competir de igual pra igual com a Amazon. Mas na prática, os colecionáveis (leia-se: cards de Pokémon) já são 45% da receita, quase o dobro do ano passado, enquanto jogos (o motivo de a empresa existir) caíram pra um terço do faturamento. A empresa que ia se reinventar como tech virou uma loja de brinquedos que também vende consoles.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Trade eleitoral: opção compra, urna decide
• JHSF: ainda vivendo de dezembro
• Ibovespa: se a montanha não vem ao índice…


Por aqui, depois de praticamente 14 pregões de embalo, o Ibovespa parou a sequência de altas e caiu 0,93%, fechando aos 185.629 pontos, num daqueles dias de realização de lucro (que é um jeito educado de dizer que todo mundo saiu vendendo). O gatilho veio de fora, com o petróleo Brent passando de novo dos US$ 100 e o Oriente Médio daquele jeito. O dólar aproveitou o clima de aversão a risco e subiu 0,51%, fechando em R$ 5,11, sendo a pior moeda entre as 33 mais líquidas.
Lá fora, o trio S&P 500, Nasdaq e Dow fechou todo no vermelho (-0,48%, -0,64% e -0,77%), com as small caps apanhando mais que as gigantes de tecnologia. Os motivos foram: 1) inflação (PPI de agosto veio mais quente que o esperado); 2) juros abrindo, com o 10y batendo 4,85%, o maior desde novembro de 2023; 3) e geopolítica pesada, com os EUA destruindo cinco petroleiros iranianos e o Irã prometendo vingança. Hoje o roteiro segue quente, com resultados de Oracle e Adobe ao final do pregão.

BOLSA
Trade eleitoral: opção compra, urna decide
Traders compraram quase 6 milhões de calls do Ibovespa com strike em 215 mil pontos e vencimento em 16 de outubro.

A mesa de operações em dia comum é normalmente morna, mas nos últimos dias começou a pingar ordem gorda para os traders. Depois outra, e outra… todas na mesma direção: compra de calls de PETR4 e do Ibovespa com vencimento bem na boca das urnas. O mercado já batizou o movimento: "trade eleitoral".
Por que fazer isso via opção, e não via ação? Alavancagem.
Um movimento de valorização de 10-40% na ação pode representar um movimento de 100-400% no mercado de opções, além de exigir um capital inicial menor para aportar.
Não são apostas tímidas! Repara no tamanho, e no tanto que os ativos precisam correr só pra empatar o jogo:
Ibovespa: quase 6 milhões de calls com strike em 215 mil pontos, vencendo em 16 de outubro. Com o índice na casa dos 187 mil, ele precisa subir ~14,8% pra operação virar lucro.
PETR4: 2 milhões de calls, strike de R$ 50,41, prêmio de R$ 2,58, desembolso de R$ 5,16 milhões. A ação teria que subir ~14% a partir de onde estava só pra chegar no empate.
Ou seja: quem está comprando não aposta que o mercado vai subir só um pouquinho. Aposta que ele engata a primeira marcha e segue reto.
O momento e o vencimento claramente têm as eleições como destino e as pesquisas como GPS. Datafolha e Quaest mostraram Lula e a oposição tecnicamente empatados num eventual segundo turno, e o PoderData chegou a colocar Flávio Bolsonaro numericamente à frente pela primeira vez desde maio.
Tudo dentro da margem de erro, mas o mercado só precisa de probabilidade mudando de lugar.
O outro lado da mesa está vazio, com o put/call ratio do Ibovespa no menor nível desde o fim de 2021, ou seja, quase ninguém está pagando pra se proteger de queda. A leitura que o mercado interpreta: pouco espaço pra cair se nada mudar, muito pra subir se a oposição levar.

MACRO/AÇÕES
→ FED: o erro de Kevin de Warsh sobre o forward guidance.
→ Ações: Bank of America eleva ações brasileiras por espaço para cortes de juros.
→ Fiagros: R$ 65,8 bi, mas com base pulverizada e patrimônio concentrado.
→ Emergentes: BlackRock e JPMorgan apostam em emergentes diante de turbulência global de títulos.
→ Japão: PIB cresce 0,4% no 2º tri ante trimestre anterior; preliminar era 0,5%.
→ CVM: rejeita acordo com QI Corretora em caso que envolve liquidez de fundo.
→ Shein: perde US$5 bilhões em valor depois de uma das piores semanas pós-IPO de Hong Kong.
→ Qualcomm: fecha acordo para aquisição de chips de IA com a Amazon, oferecendo o direito de comprar cerca de US$ 4 bilhões em ações.
→ BYD: mira vender mais de 2,5 milhões de carros fora da China em 2027.
→ Petrobras: Foz do Amazonas tem mais peso do que as eleições para a estatal.
→ BTLG11: compra galpões da Capitânia por quase R$ 1 bi, num raro deal em cash
→ Viridis: obtém R$ 77,5 milhões do BNDES para projeto de terras raras no Brasil.
→ Avianca: levanta US$ 300 milhões para fazer manutenção de aviões no Brasil.
→ Banco Inter: desembarca na Argentina de olho na demanda local por dólar.
→ Mercado Livre: levanta US$ 1 bi com bond de 10 anos.
→ Embraer: Fitch eleva rating para BBB, com perspectiva estável.
→ Light: justiça decreta encerramento da recuperação judicial.

EARNINGS
JHSF: ainda vivendo de dezembro
A holding de luxo lucrou 81% mais no 2T’26, mas o negócio que sustenta a tese perdeu força.

A JHSF acabou de fechar o seu melhor 2T da história, com R$ 444 milhões de lucro líquido e alta de 81% no ano. Parece ótimo, mas debaixo do tapete persa tem um segredo: boa parte da festa não veio do negócio que sustenta a tese de investimento.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$ 935,3 milhões, alta de 88,5% a/a.
🟢 EBITDA Ajustado: R$ 502,6 milhões, mais que dobrou (+103,3%) na comparação anual.
🔴 Lucro Líquido da Renda Recorrente: R$ 143,3 milhões, queda de 27,7% a/a.
O que “contamina” o resultado é uma venda feita em dezembro de 2025, de R$ 5,2 bilhões em estoques imobiliários para um fundo estruturado pela própria gestora do grupo. Já é a terceira onda consecutiva empurrando os números, mas não é recorrente e nem da origem que a empresa vem vendendo.
Mesmo sem esse efeito, tudo segue bem: os shoppings cresceram receita em 10%, o aeroporto Catarina saltou 54% em receita; e a vertical de Residences e Clubs praticamente dobrou de tamanho.
Por que esse crescimento não apareceu no lucro recorrente? A apreciação contábil das propriedades (que não é caixa) e a despesa financeira quase dobraram, de R$ 39 milhões para R$ 74 milhões, Como efeito colateral, o caixa líquido da companhia recuou 36% frente ao trimestre anterior.
Para os Bulls: a tese de diversificação está funcionando na prática, com as cinco verticais crescendo ao mesmo tempo, e os ativos-âncora como o Cidade Jardim e o Catarina rodando lotados. Tem uma expansão internacional (Miami, Punta del Este, Europa) sendo financiada em modelo asset light, sem pressionar o balanço da controladora.
Para os Bears: o "recorde histórico" alardeado depende de um reconhecimento contábil pontual, não de geração de caixa nova; o núcleo recorrente lucrou menos na comparação anual; e a dívida bruta, com as despesas financeiras subindo em um cenário nada propício para isso.
O trimestre foi bom, mas leia a manchete com uma mão na calculadora. Quando a poeira contábil da venda ao FII baixar, o que vai definir a ação é se a renda recorrente volta a lucrar tanto quanto cresce.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 3 | Neutro: 3 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 12,22 | Preço atual: R$ 11,60
Potencial: +5,32%

DROPPED BY EQI RESEARCH
O dólar ganhou outro papel na carteira
Concentrar 100% do seu dinheiro em ativos PT-BR é colocar todos os ovos na mesma cesta política e econômica.
Por isso, a EQI Research elevou para 20% a recomendação de internacionalização de carteira no terceiro trimestre. Não é aposta cambial. É seguro de portfólio: menos dependência do Brasil, mais diversificação e proteção do poder de compra. Enquanto isso, na renda fixa, o IPCA+ é a principal preferência, mantendo o pós-fixado como amortecedor da volatilidade.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Cloudflare: ▲10,55%, após o lançamento do novo serviço de cybersegurança com IA, que incorpora os modelos da OpenAI.
CSN: ▲7,55%, com seu novo CEO já avaliando vender a CSN Cimentos e ativos de siderurgia na Alemanha, que pode render R$ 12,5 bilhões.
Meta: ▲6,55%, após o lançamento de seu novo app de agente pessoal de IA, o Muse.
Em baixa
CVC: ▼ 9,84% o grupo divulgou recentemente a emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em até R$ 450 milhões.
Comcast: ▼ 6,61% após a empresa alertar que a perda de clientes dificilmente melhorará em relação ao ano anterior, devido à concorrência mais acirrada.
Tenda: ▼ 6,54%, foi a maior queda do Ibov, com a troca de comando na companhia e pressão geral sobre ações cíclicas sensíveis a juros.

BRASIL
Ibovespa: se a montanha não vem ao índice, o índice vai à montanha
A B3 quer diluir o peso das commodities e abrir espaço para tecnologia e e-commerce, aceitando adicionar BDRs.

O Ibovespa passou anos vendo as empresas mais quentes do Brasil arrumarem as malas e irem morar em Nova York. Nubank foi, JBS foi, Banco Inter… uma fila de companhias atrás de liquidez lá fora enquanto o mercado de IPOs aqui secava. Agora a B3 resolveu que, se a montanha não vem até o índice, o índice vai até a montanha.
A bolsa anunciou que vai incluir BDRs de empresas brasileiras no universo elegível do Ibovespa já em 2027. Ou seja: papéis de brasileiras listadas no exterior, negociados aqui via BDRs, finalmente poderão compor o principal índice da bolsa.
Pra quem não convive com a sopa de letrinhas: BDR é o recibo de uma ação listada lá fora que você compra e vende na B3 sem precisar de conta em corretora gringa. É o Nubank (ROXO34), a JBS (JBSS32), Banco Inter (INBR32) morando em Nova York, mas com endereço de correspondência no Brasil.
O motivo por trás dessa mudança não é caridade, é sobrevivência de relevância. Nos últimos anos, o índice virou refém de dois setores pesados demais. Ao abrir espaço pros BDRs, a B3 mira três coisas ao mesmo tempo:
Diluir o peso das commodities, que hoje dominam a carteira;
Deixar entrar tecnologia e e-commerce, ausentes das principais posições.
Modernizar a cara de um índice que estava ficando velho pro próprio mercado.
Antes que alguém saia comprando BDR achando que já garantiu vaga, um aviso: entrar no universo elegível não é entrar no índice, mas ganhar o direito de disputar. Os papéis ainda precisam passar pelos mesmos critérios de sempre: índice de negociabilidade, volume, nada de penny stock ou empresa em RJ.
Detalhe: a participação total de BDRs foi limitada a 10% da carteira teórica. A B3 abriu a porta, mas deixou a corrente na tranca.
No fim, a notícia é melancólica e inteligente. Melancólica porque escancara que a bolsa não conseguiu segurar seus próprios craques em campo. Inteligente porque, ao invés de fingir que o problema não existe, a B3 mudou o regulamento.
PS: essa é a nova carteira do Ibovespa, válida de ontem até 31/12/26.

STATS
US$ 18,5 bilhões
é o quanto o Tesouro Americano deve recomprar essa semana em títulos da sua própria dívida, em uma das maiores recompras semanais da história.


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