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EDIÇÃO #246 • 17/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que um rating de "venda" existe pra antecipar o problema, pois o analista enxerga o risco antes de virar manchete e protege quem confia no preço-alvo. Já na prática, o UBS BB só puxou a Braskem de neutra pra venda quase um mês depois do pedido de RE, cortando o alvo em 74% (de R$ 10,50 pra R$ 3,75) com a ação já 41% no vermelho no ano. O preço-alvo não previu a queda… só a carimbou e deu mais um empurrãozinho pra baixo.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Bolsa nova no Brasil: o ovo e a galinha da liquidez
• Juros: Copom corta, Fed sobe
• Adobe: de graça hoje, cobra amanhã


Por aqui, teve BC para todos os gostos. Antes do Copom, o Ibovespa caiu 0,51% pressionado pelo petróleo em baixa (Petrobras -3,53% e Prio -4,72%) e pela Vale, que perdeu 2,14%. O dólar ficou quietinho esperando a decisão do comitê. Depois do fechamento, o Copom decidiu pelo corte da Selic em 0,25% para 13,75% ao ano.
Lá fora, o Fed fez o caminho inverso e contra trump todos, elevou os juros em 0,25% e colocou o fedfunds na faixa de 3,75-4%, na primeira alta desde 2023. Foi uma decisão unânime (12×0) e ainda sinalizou que o aperto pode continuar se a inflação não se acalmar. Wall Street não gostou da mudança no roteiro: o S&P 500 caiu 0,44%, o Dow Jones perdeu 1,21% e a Nasdaq escapou por pouco, com queda de 0,01%.

INVESTIMENTOS
Bolsa nova no Brasil: o ovo e a galinha da liquidez
Para atrair investidor, uma bolsa precisa de liquidez; para ter liquidez, precisa de investidor. Concorrentes precisam resolver esse ciclo para roubar clientes da B3.

Criar uma nova bolsa no Brasil tem um “problema de ovo e da galinha”: para atrair investidores, precisa ter liquidez; para ter liquidez, precisa atrair investidores. E quebrar esse ciclo fica ainda mais difícil em um mercado relativamente pequeno. Essa é a armadilha que A5X, Base Exchange e CSD BR precisam resolver pra roubar clientes da B3.
Os brasileiros têm R$ 9,1 trilhões investidos, mas cerca de 60% estão na renda fixa e apenas R$ 816,9 bilhões em ações. Também são quase cinco anos sem IPO, o que ajuda a concentrar o volume em Petrobras, Vale e bancões.
Os caminhos e estratégias são diferentes, mas o objetivo é o mesmo: puxar liquidez para si. E nenhuma delas pretende começar copiando tudo o que a incumbente faz.
A5X: começa pelos derivativos e pretende estrear no 2T’27.
Base Exchange: mira ações, ETFs e FIIs no 2S’27.
CSD BR: quer usar sua infraestrutura de registro, depósito e liquidação para avançar também sobre negociação.
A aposta mais forte vem da A5X, que acaba de levantar R$ 360 milhões. Começou por derivativos - setor que escala mais rápido, com break-even já projetado para o primeiro ano. A Base Exchange, que já adiou a estreia, apostou no mercado à vista, mirando 15-20% de share em ~2 anos.
A promessa: para entrar no mercado, um dos discursos é o da velocidade. A A5X afirma que sua plataforma terá latência inferior a 50 microssegundos, contra cerca de 350 microssegundos da B3. Ou seja: 7x mais rápida, música para os ouvidos dos traders de alta frequência.
A estrutura: enquanto a A5X tem parceria de tecnologia com a London Stock Exchange, estrutura mais enxuta e prometendo taxas menores. A Base já chega com a infra da Flowa, que conecta todas as corretoras e ~300 gestores.
O desafio: transformar conexão em negociação, e negociação em liquidez recorrente.
O problema: bolsa só funciona bem quando compradores e vendedores estão no mesmo lugar. Dividir um mercado já pouco líquido pode aumentar spreads e piorar a formação de preços se os novos ambientes não conseguirem rapidamente criar profundidade.
Os novos rivais não vão destronar a B3 da noite pro dia. A briga vai ser produto por produto e, mesmo que ninguém tome o trono, só a existência de concorrência já pressiona a B3 a cortar preço, investir em tecnologia e lançar novidades.

MACRO/AÇÕES
→ Economia: vendas no varejo do Brasil recuam 0,8% em julho, diz IBGE.
→ Inadimplência: Serasa diz que ainda é cedo para dizer que ela atingiu o pior momento.
→ Dividendos: crescem 12,8% no Brasil no 2º tri; veja ranking das maiores pagadoras.
→ Mineradores: frete para a China dispara, corrói margens e força mineradoras de MG a cortar produção.
→ Ações: descontadas e juros altos aceleram êxodo de empresas da B3.
→ Tesouro: na montanha-russa dos juros, Tesouro IPCA+ 2040 rende 460% do CDI em 6 semanas.
→ IBC-Br: a prévia do PIB cai 0,2% em julho, em linha com o esperado pelo mercado.
→ LVMH: vive queda histórica, deixa top 10 da Europa e expõe tamanho da crise do luxo.
→ Bradesco: levanta R$ 6,5 bi na primeira fase de aumento de capital e fará rateio de sobras.
→ iFood: "serve" R$ 24 bilhões em investimentos e avança para três novos segmentos.
→ Bradsaúde: passa na "bateria de exames" e ganha recomendação de compra do BofA.
→ Stablecoins: cripto “de dólar” movimenta 15 vezes mais que Bitcoin no Brasil.
→ Altera: a fabricante de chips faz seu pedido confidencial de IPO nos EUA.
→ Nubank: Itaú BBA corta recomendação para "Market Perform", para avaliar próxima fase do banco.
→ IBM: fecha acordo de US$ 1 bi com o governo para construir a primeira fábrica de computação quântica dos EUA.

MACRO
Copom corta, Fed sobe
Copom levou a Selic para 13,75%, enquanto o Fed fez sua primeira alta desde 2023. Dois BCs, duas direções e o mesmo problema: inflação ainda longe de estar totalmente vencida.

Enquanto o BC aliviou o freio por aqui, lá fora o Fed pisou mais forte nele. No mesmo dia, o Copom cortou a selic em 0,25 p.p. e o Fed dos EUA achou os mesmos 0,25 p.p. para a primeira alta dos juros americanos desde julho de 2023. Parece contraditório, mas faz sentido quando se olha para o momento de cada economia.
No Brasil
Os últimos dados deram um pouco mais de conforto ao Banco Central: inflação corrente mais comportada, atividade com sinais mais claros de desaceleração.
O próprio Copom reconheceu uma economia menos aquecida, mas manteve o resto do comunicado praticamente intacto com tom cauteloso e preocupação com as expectativas de inflação de longo prazo. O cenário melhorou o suficiente pra cortar, mas não o bastante pra acelerar.
Detalhe: o Brasil projeta Selic em 13,25% no fim de 2026 e possibilidade de chegar a 11,50% em meados de 2027.
Nos EUA
O Fed olha para uma economia resistente: PIB em alta, mercado de trabalho firme, inflação ainda acima da meta. Kevin Warsh reforçou que a inflação segue sendo o problema nº 1 e as novas projeções mostram que ela pode só voltar à meta de 2% em 2029.
E essa não deve ser a última alta americana. Dos 18 membros, 16 projetam pelo menos mais um aumento de 0,25 p.p. ainda este ano, e o mercado já precifica chance relevante de nova alta nos próximos meses.
Para os mercados, a mensagem não é que um país “está certo” e o outro “errado”. É que os dois estão em momentos diferentes do mesmo filme.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Magazine Luiza: ▲ 6,64%, com a expectativa de corte da Selic dando combustível às empresas mais sensíveis aos juros.
SpaceX: ▲ 5,21%, a empresa marcou para 22 de setembro o 14º teste da Starship, que tentará completar seis órbitas e lançar satélites Starlink V3.
Assaí: ▲ 4,66%, com o BofA elevando o preço-alvo de R$ 10 para R$ 12, citando juros menores, inflação de alimentos e melhora do balanço.
Em baixa
Braskem: ▼ 15,17%, depois do UBS BB cortar a recomendação de neutra para venda, derrubando o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75, sem enxergar uma saída fácil pra companhia, que fez pedido de RE no mês passado.
Robinhood: ▼ 5,46%, depois que promotores federais acusaram dois funcionários de supostamente usarem informações confidenciais para realizar negociações com criptomoedas.
Petrobras: ▼ 3,53% com o petróleo recuando com a perspectiva de retomada do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, reduzindo parte do prêmio geopolítico acumulado nos últimos dias.

DROPPED BY EQI RESEARCH
Quem nunca imaginou ter uma renda além do salário?
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EARNINGS
Adobe: distribui de graça hoje, aposta em cobrar amanhã
A tese da Adobe é capturar usuários antes que OpenAI e Canva o façam primeiro. O desafio é que a empresa pede paciência ao mercado sem dar uma data para a virada de preço.

Depois de muitos anos no mesmo modelo, a Adobe tomou uma decisão contraintuitiva e parou de tentar converter usuários em clientes pagantes. Adiou reajustes no Creative Cloud, abriu a porteira freemium e viu 100 milhões de pessoas entrarem para usar as ferramentas de graça (+70% a/a).
A receita cresceu 13% mesmo assim, o lucro veio acima do consenso e o guidance do ano subiu.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 6,76 bilhões, alta de 13% a/a e US$ 70 milhões acima do consenso.
🟢 Lucro por ação: US$ 6,13 x US$ 6,07 esperado. Foi o 15º trimestre seguido batendo.
🔴 RPO: US$ 22,16 bilhões, crescendo só 8% a/a, o primeiro dígito único desde o início de 2023.
O RPO é a receita já contratada que ainda não foi reconhecida. A Adobe entregou 13% mais, só que a fila cresceu só 8%. Quando esses dois números divergem por vários trimestres seguidos, a conta não fecha.
O que explica isso: é a decisão de parar de empurrar conversão paga. Junto com o adiamento na revisão dos preços, a Adobe mostra que está no modo “volume primeiro, dinheiro depois".
O resultado é previsível: o ARR novo do trimestre caiu mais de um terço na base anual.
O motivo real: capturar a base antes que a OpenAI e a Canva capturem por você, mas a empresa pediu paciência sem dar uma data.
A conta aparece na margem operacional, que caiu de 46,3% para 44,0% em um ano, com despesa operacional subindo quase 15% e o headcount saltando de 31,5 mil para 34,2 mil pessoas.
O lucro líquido cresceu 3,1%, mas o lucro por ação subiu 11%, sendo que toda a diferença vem de recompra. A Adobe gastou US$ 2,23 bilhões para comprar 29 milhões de ações, reduzindo bastante o denominador no cálculo.
Para os Bulls: a Adobe está construindo uma grande base de usuários enquanto a concorrência queima caixa tentando chegar lá. O ARR de IA passou de US$ 650 milhões crescendo 150% a/a, o caixa operacional bateu recorde de US$ 2,52 bilhões e a empresa gera dinheiro suficiente para recomprar 2,3% do capital por trimestre. Quando a chave do preço virar, a alavancagem é brutal.
Para os Bears: ARR desacelerando pelo 3° ano seguido e o próprio guidance da empresa projeta 10,2% no fechamento do ano. Margem comprimindo, opex subindo, backlog minguado e uma monetização que a empresa se recusa a datar. "Confia em mim" é uma tese difícil de sustentar com múltiplo de software premium.
O trimestre foi bom. A trajetória é que está em xeque, e isso balanço nenhum resolve. Adobe está apostando que escala hoje vira preço amanhã, e acaba de trocar o CEO que construiu a empresa atual pelo executivo que vai ter que provar a próxima.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 4 | Compra: 7 | Neutro: 23 | Venda: 4 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 276,40 | Preço atual: US$ 250,50
Potencial: +10,34%

STATS
96%
Das ações americanas não conseguiram bater o Tesouro americano de curto prazo.
Via Igor Chede Collaço

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[para aprender] o que acontece com seu dinheiro se a gestora do fundo pedir RJ.
[para acompanhar] Uma nova análise revelou que o presidente Trump realizou 28.700 transações no mercado de ações desde que reassumiu o cargo — mais do que todos os membros do Congresso juntos.


