EDIÇÃO #250 • 01/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que a última coisa que um investidor deveria comemorar é a chegada de mais ursos (bears) nos EUA. Mas dois pandas chineses acabam de desembarcar por lá, e, desde 1972, sempre que isso acontece, o S&P 500 sobe nos 12 meses seguintes em mais de 75% das vezes. Talvez a diplomacia dos pandas tenha criado o único indicador em que mais bears significam mais chance de bull market.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• VIX Brasil: medo em máxima histórica
• Micron: trimestre perfeito, ação de ressaca
• IPOs: lucro no freio, prejuízo no acelerador

Por aqui, o terceiro trimestre disse “adeus”, e que trimestre! O Ibovespa engatou uma alta de 8,3% em três meses, cravando o melhor desempenho para o tri desde 2022. O último dia veio embalado pelo bom desempenho dos bancos daqui e pelos dados da inflação de lá (EUA), que vieram abaixo do esperado. O dólar acompanhou o clima positivo e caiu 0,81%, encerrando a R$ 5,1735, mas fechando o mês praticamente estável (-0,15%), e com queda acumulada de -5% no ano.

Lá fora, o dia prometia ser de festa depois que o Core PCE, inflação preferida do Fed, veio abaixo do esperado (3% em 12 meses, contra 3,3% projetados). Isso derrubou as apostas de alta de juros em outubro e a Nasdaq chegou a subir mais de 1% no meio do pregão, mas na reta final entregou boa parte e fechou com alta tímida de 0,24%, enquanto o S&P 500 (-0,25%) e Dow Jones (-0,86%) fecharam em queda. No balanço do mês, só a Nasdaq fechou no verde (1,9%), enquanto o Dow Jones caiu -4,3%, e o S&P perdeu -0,5%.

INVESTIMENTOS

VIX Brasil: medo em máxima histórica

O “índice do medo” bate recorde e mostra que mercado está buscando proteção e esperando grandes movimentos

Se o mercado tivesse unhas, já teria roído todas. O VIX Brasil, o "índice do medo" da B3, fechou a terça em 32,06 pontos, o maior nível desde o lançamento, em março de 2024. Na segunda, já tinha batido recorde aos 31,84. São duas sessões seguidas furando o próprio teto.

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O S&P/B3 Ibovespa VIX é calculado a partir dos preços das opções sobre o Ibovespa e mostra a volatilidade esperada para os próximos 30 dias. Ele não diz para onde a bolsa vai, só que o mercado está pagando caro para se proteger de um movimento grande, para cima ou para baixo. Segundo a B3, acima de 30 pontos já é território de turbulência.

Em português menos “mercadês”: ele mede o tamanho da montanha-russa que os investidores estão esperando. É daí que vem o apelido de “índice do medo”.

Medo é sinônimo de volatilidade, não necessariamente de tombo. Na prática, é o mercado pagando caro por proteção: quando o nervosismo sobe, o seguro fica mais salgado para todo mundo.

O que está pesando na balança:

  • Eleição presidencial: a expectativa em torno do resultado mantém o risco doméstico na mesa.

  • Guerra entre Estados Unidos e Irã: os desdobramentos seguem sem desenho claro.

  • Petróleo mais caro: o preço mais alto pressiona a inflação.

  • Treasuries: os rendimentos dos títulos americanos estão nos maiores níveis em décadas, com apostas de um ciclo de alta de juros por lá.

Nenhum dos quatro é novidade sozinho, mas o empilhamento entre risco local e risco externo fez o índice se mexer. Não há um vilão único para apontar, e é justamente isso que deixa o termômetro no vermelho.

Vale um asterisco no "recorde": a série tem só 2,5 anos, então bater a máxima aqui pesa menos do que num índice com décadas de história - mas o ritmo chama atenção. Além dos 31,84 de segunda e dos 32,06 de terça, as outras quatro maiores marcas também são de setembro: 30,98 (dia 21), 30,58 (22), 30,53 (25) e 30,25 (24).

Não se trata de um dia ruim, e sim de um mês inteiro de nervo à flor da pele. O recado prático para o investidor é simples: não confunda termômetro com previsão do tempo, mas também não finja que a febre não existe!

MACRO/AÇÕES

→ Inadimplência: do consumidor nas operações de crédito atinge 8% em agosto, novo recorde histórico.
→ Bitcoin: sobe 43% no trimestre e tem melhor desempenho para o período desde 2017.
→ Frigo: Brasil atinge cota de carne bovina na China e passa a enfrentar tarifa extra de 55%.
→ China: PMIs sinalizam melhora econômica em diversos setores no 3º trimestre.
→ Anthropic: multiplica receita em 12x, mas vê prejuízo bater US$ 42 bilhões.
→ BTG Pactual: obtém licença para operar banco no Peru com capital inicial de US$ 100 mi.
→ OpenAI: após adiar IPO, avalia nova captação com valuation de US$ 1,4 tri.
→ Petrobras: fecha contrato para comprar gás natural liquefeito dos EUA por 22 anos.
→ Vale: mira captar até US$ 522 mi na China com emissão de ‘panda bonds’.
→ Pix: transações têm queda de 10% após proibição de bets.
→ J&F: levanta US$ 1,32 bilhão com bancos para alongar perfil da dívida.
→ Azul: recebe primeiro desembolso de R$ 1,3 bilhão do FNAC e reforça liquidez.
→ Eneva: o desafio de gerenciar R$ 20 bi em dívidas.
→ Nubank: nega que esteja avaliando a compra da Monzo no Reino Unido.
→ Iguatemi: conclui venda de participações em shoppings para o TRX por R$ 876,1 milhões.

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EARNINGS

Micron: trimestre perfeito, ação de ressaca

A receita quase quintuplicou em um ano, mas o mercado já olha para o guidance com margem maior - só que com aumentos de preço "mais moderados".

Se antes da IA, o mercado de memórias não passava dos US$ 100 bi, em 2026 ele deve fechar o ano com ~US$ 600 bi e colocando as grandes fabricantes no clubinho das trilionárias. O trimestre da Micron mostra que o trem segue acelerando, só que os trilhos não acompanham no mesmo ritmo.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 54,23 bilhões, alta de 379% a/a e acima dos US$ 51,07 bilhões esperados.
🟢 Margem operacional non-GAAP: 82,3%, contra 35,0% há um ano.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 33,42 x US$ 31,61 do consenso.

Com a receita quase quintuplicando em um ano e o custo dos produtos vendidos subindo só 14,3% (de US$ 6,3 bilhões para US$ 7,2 bilhões), não é só eficiência: é poder de preço. A Micron vendeu o mesmo chip por muito mais, num mundo em que a IA compra tudo o que aparece.

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O que mudou foram os contratos: a Micron já tem 26 acordos take-or-pay (o cliente paga mesmo se não usar), somando cerca de US$ 150 bilhões e mais de 35% da receita esperada até 2030, boa parte com preço mínimo. Num dos mercados mais cíclicos da tecnologia, é receita blindada contra a próxima queda de preços.

O caixa chegou a US$ 73,5 bilhões, com apenas US$ 5,2 bilhões de dívida. Mas nem tudo brilhou: o opex subiu para US$ 1,1 bilhão, e uma licença de patente de US$ 500 milhões pesou no lucro contábil. E o guidance trouxe a frase mais reveladora do release: daqui para frente, a empresa espera aumentos de preço "mais moderados".

  • Para os Bulls: contratos com piso de preço tiram a Micron do jogo simples de commodity. Já são US$ 150 bilhões travados e guidance crescendo a cada trimestre para 2027. A ação, hoje a 24x P/L, ainda está barata para o cenário que se desenha.

  • Para os Bears: a escassez que enriquece a Micron é a mesma que financia a expansão de todo mundo. Preços "mais moderados" já no guidance descrevem um pico de ciclo. No trimestre passado a ação subiu 15,7% na euforia do dia do resultado… e devolveu quase 20% na semana seguinte.

A Micron entregou um trimestre perfeito, e esse é o problema. Quando o balanço já vem precificado, a ação deixa de reagir ao que a empresa fez e passa a reagir ao que ela ainda pode fazer, e o que ela anunciou foi um ritmo de aumento de preço menor.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 9 | Compra: 36 | Neutro: 3 | Venda: 0 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 1.520,76 | Preço atual: US$ 1.065,11
Potencial: +42,78%

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Magazine Luiza: ▲ 12,52%, foi a maior alta do Ibovespa, impulsionada pelo fechamento dos juros. Para uma varejista alavancada, juro mais baixo é quase vitamina.

Itaú: ▲ 4,68%, os bancões deram boa parte do combustível para a alta do Ibov, subindo forte em meio ao “trade eleitoral”.

GameStop: ▲ 3,75%, Ryan Cohen colocou mais dinheiro onde coloca seus memes: o CEO comprou 450 mil ações, desembolsando US$ 10,6 milhões. Foi a terceira grande compra pessoal dele em setembro.

Em baixa

Cerebras: ▼ 8,87%, sofreu após relatos de que a OpenAI optou por chips da Nvidia em vez do hardware da empresa.

Moderna: ▼ 5,35%, depois subir +500% no ano, o Citi cortou a recomendação para venda e disse que a avaliação já embute sucesso demais para a vacina personalizada contra câncer.

Mattel: ▼ 4,24%, Ynon Kreiz, CEO responsável por transformar Barbie em fenômeno de Hollywood, está deixando a fabricante de brinquedos para assumir a liderança da Paramount-Warner Bros-Discovery. O mercado parece não ter gostado de perder o Ken corporativo.

BOLSAS

IPOs: lucro no freio, prejuízo no acelerador

Treasuries nas máximas e juros mais altos transformaram uma janela aquecida de IPOs em terreno bem mais seletivo

Convite impresso, champanhe no gelo e, na véspera da festa, o anfitrião avisa que ficou para depois. Foi o que a Oura, dona do anel inteligente Oura Ring, fez ao suspender o IPO um dia antes da estreia. A empresa mirava um valuation de US$ 14,1 bilhões, bem acima dos US$ 11 bilhões da última rodada.

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O que deixa a história esquisita é que a Oura não é uma promessa de planilha bonita. Entre junho de 2025 e junho de 2026, segundo documento enviado ao regulador, ela faturou US$ 1,4 bilhão e lucrou US$ 59 milhões.

De um lado: o humor virou com um pacote de preocupações, com tensão geopolítica, treasuries nas máximas e o Fed sinalizando mais altas de juros. O resultado é uma fila de IPOs adiados - incluindo Holtec Nuclear e Bamboo Insurance.

Do outro: a Anthropic segue confiante em atingir o valuation de US$ 2 trilhões quando estrear na Bolsa. Isso mesmo com o prospecto dedicando 80 das 261 páginas aos riscos, incluindo “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”, e só 48 ao negócio - que deu prejuízo de US$ 42 bilhões no ano passado.

Dá para ler isso como confiança, falta de alternativa ou as duas coisas ao mesmo tempo, já que quem compra tese de IA parece menos preocupado com a conta do mês e mais com o tamanho do futuro.

PS: A Oura queria cerca de 10 vezes a receita e tem lucro. A Anthropic espera cerca de 435 vezes a receita e tem prejuízo de US$ 42 bilhões.

PS2: O mercado de IPOs já tem US$ 127 bilhões levantados em 2026, alta de 400% sobre o ano passado.

STATS

R$ 151 milhões

Foi o quanto os candidatos a Presidência já gastaram nesse 1° turno.

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[para entender] a tese “clear buy Brasil” do gestor da BlackRock.

[para acompanhar] os hedge funds seguram uma fatia recorde do mercado de US$ 30 trilhões de Treasuries.

[para entender] por que a treasury de 30 anos está no maior nível em 24 anos?

[para assistir] quem manda nos juros no Brasil?

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