Bom dia Droppers.

Pensei no chuveiro: que tarifaço de Trump até tentou fechar uma porta, mas a China descobriu que o planeta inteiro é uma janela gigantesca.

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No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• TSMC: trimestre forte da fabricante de tudo
• Big banks: resultados sem empolgação
• China: o superávit trilionário
• CVC: ida e volta no mercado

Dropped by Igor Chede Collaço e Renan Hamann
GIRO PELO MERCADO

Por aqui, o Ibovespa conseguiu fingir que não viu as tensões comerciais (e militares) no cenário global e fechou praticamente estável – mesmo com um dia mais fraco por causa do feriado nos EUA. Entre os destaques da segunda, o minério de ferro chegou a cair 2,60%, mas a Vale conseguiu segurar a barra e caiu só 0,39% no pregão.

Lá fora, Trump continua jogando War na vida real e querendo adicionar a Groenlândia no seu mapa – o que gerou protestos na Europa e a ameaça americana de novas tarifas pra todo mundo que se opuser à anexação. Uma onda fria atingiu os mercados, o Stoxx 600 caiu 1% e o mercado americano (fechado pelo feriado de Martin Luther King) já cai fortemente nos futuros. Com um olho em Davos e outro na temporada de balanços, hoje vamos ter Netflix, com o mercado analisando, além dos números, como vai ficar a proposta para comprar a Warner Bros.

VISUAL

TSMC: trimestre forte da fabricante de tudo

A fabricante de aproximadamente todos os chips do mundo entregou alta de 35% no lucro no último trimestre, superando as estimativas e esmagando os recordes anteriores. O combustível do motor da TSMC é – para a surpresa de ninguém – a IA.

Os números do trimestre:

  • 🟢 Receita: US$33,7 bilhões x US$33,3 bilhões

  • 🟢 Lucro Líquido: US$16,3 bilhões x US$15,1 bilhões

Já são 8 trimestres (aka 2 anos) consecutivos com a empresa entregando crescimento de lucro e não há qualquer sinal de desaceleração. Para o próximo a TSMC espera aumento de 38% na comparação anual e a margem deve crescer junto – principalmente porque a demanda por tecnologias mais avançadas segue em alta até no backlog.

→ A divisão de computação de alto desempenho (com IA e 5G) ficou com 55% da receita da fabricante.
→ Smartphones representam 32%.

No setor de wafers (o material da TSMC que vai virar um chip da Nvidia, por exemplo), os circuitos de 7nm já são 77% do total e a ideia é de entregar os de 2 nm já em 2026 – lembrando que miniaturização é o grande diferencial das clientes da taiwanesa em relação às IAs chinesas.

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Aqui não tem nada de “nanômetro”: a TSMC espera gastar US$ 56 bilhões nesse ano – bem acima dos US$ 40,9 bilhões projetados. Entre um aporte e outro, a empresa amplia seu alcance global, com projetos no Japão, na Europa e no Arizona.

Com uma carteira de clientes que inclui as pequenas Apple, Nvidia, AMD, Qualcomm, Broadcom, MediaTek e Intel, a TSMC já deixou claro que quer criar um verdadeiro “gigacluster” de chips nos EUA, aumentando produtividade, reduzindo custos e ficando mais próxima dos clientes americanos – que, por coincidência, concentram boa parte da grana.

Recomendação dos analistas:

Compra: 17 | Neutro: 1 | Venda: 0

Preço-alvo médio: US$ 408,05 | Preço atual: US$ 342,40

MACRO/AÇÕES
  • IBC-Br: a “prévia do PIB”, subiu 0,7%, acima do esperado.

  • FIIs: Empiricus vê potencial para shoppings e escritórios em 2026.

  • Goldman Sachs: levanta US$ 16 bilhões em venda recorde de títulos de bancos.

  • Café: tarifas de Trump ao café brasileiro tiveram impacto de R$ 2,4 bilhões em 2025.

  • Banco Inter: consegue licença bancária nos EUA.

  • OpenAI: Sam Altman diz que empresa bateu US$20 bilhões em ARR.

  • Sabesp: reservatórios baixos colocam pressão na empresa.

  • Empiricus: Felipe Miranda, um dos fundadores, deixa a empresa depois do período de earn-out.

  • CSN: planeja reduzir dívida com a venda de ativos-chave.

  • Brava Energia: compra ativos da Petronas por US$ 450 milhões.

  • Eneva: Cambuhy zera sua participação em um block trade de 3,4% da empresa.

  • Cury: Cyrela diminui sua participação na construtora de imóveis populares.

  • Ultrapar: BTG começa cobertura recomendando compra, com preço-alvo em R$ 31.

  • HSBC: papel está na máxima histórica e ainda pode ter mais campo para subir.

MUNDO

China: o superávit trilionário

Tensão comercial global: check!
Tombo de 20% nas exportações para os EUA: check!
Recorde de maior superávit comercial da história: check também!

Esse é o resumo de 2025 da China, que fechou o ano com US$ 1,2 trilhão positivo. Se os dados são reais, we never know, mas a surpresa foi grande porque a aposta geral era que o tarifaço ia dar esfriada no gigantesco setor exportador chinês.

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As empresas americanas até tentaram fugir da China na cadeia de suprimentos, levando produção para países como Vietnã e México. Só que de onde partem os insumos, peças e máquinas que eles usam? Adivinha!

No ano passado, os embarques chineses cresceram para praticamente todos os cantos do mapa. No agregado, as exportações cresceram 5,5% em relação a 2024.

  • União Europeia:+8,4%;

  • América Latina: +7,4%;

  • África: +26%;

  • Sudeste Asiático: +13%

Com todo esse crescimento nas exportações, o FMI já ligou o alerta: uma economia do tamanho da China não pode viver eternamente de exportações como o principal motor de crescimento.

Caneta dropadora: países pequenos conseguem sustentar a economia por muito tempo com exportações… mas para uma gigante como a China, isso vai ficando cada vez mais difícil, porque o resto do mundo simplesmente não consegue absorver. E com o gigante desse tamanho, qualquer dor de cabeça por lá vira um problema global.

PS: com essas exportações, a China alcançou a meta de 5% no PIB.

BANCOS

Big banks: resultados sem empolgação

Os donos dos cofres americanos já terminaram a sua passagem pela temporada de balanços e deixaram todo mundo com a sensação de que tudo podia ser melhor. Em resumo: Bank of America, Citi, JPMorgan Chase e Wells Fargo não empolgaram!

  • Bank of America até superou as expectativas de lucro, mas esfriou o entusiasmo ao indicar receitas mais modestas e despesas mais salgadas do que o mercado gostaria.

  • JPMorgan viu a receita com fusões e aquisições cair 4%, com negócios empacados e um lucro anual mais magro.

  • Wells Fargo entregou abaixo das projeções, sofreu com um mercado imobiliário sem brilho e ainda teve custos maiores com indenizações de funcionários demitidos.

  • Citi também teve dificuldade em segurar gastos, que subiram 6% no trimestre após uma onda de contratações.

Como big banks também têm uma mãe pra dizer “você não é todo mundo”, dois figurões voaram graças ao dinheiro dos clientes mais ricos:

  • Goldman Sachs teve um trimestre de gala, com lucro 12% maior e receita recorde de US$ 4,31 bilhões em trading de ações.

  • Morgan Stanley também brilhou, com um salto de 47% nas receitas de investment banking, que ajudou o lucro ir além das projeções.

Para o ano que vem, a expectativa é que os bancos continuem crescendo, mas com mais nuvens no horizonte. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, alertou que, apesar do consumo seguir resiliente, o mercado parece subestimar a complexidade geopolítica, os preços elevados dos ativos e o risco de uma inflação teimosa.

Além das nuvens naturais do mercado, o sistema bancário ainda tem seus sustos regulatórios, como a tentativa de Trump de limitar as taxas do cartão de crédito e de que processará o JPMorgan por "desbancarização".

BOLSA

CVC: ida e volta no mercado

As ações da CVC compraram um pacote de ida e volta nos pregões desse ano: subiram 20% nos primeiros dias e chegou a cair 24% durante o pregão na sexta, fechando em ~11% – mas ontem recuperou 4,15%. A rádio corredor aponta que o motivo da queda não foi por alguma alteração de fundamento, mas porque um investidor que decidiu encerrar uma posição relevante em derivativos.

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Nos derivativos, os contratos permitem apostar na ação sem comprar o papel. Para se proteger, os bancos do outro lado montam posições no mercado à vista. Quando o investidor encerra o derivativo, essa proteção some – e a venda concentrada de ações entra em cena, pressionando o preço como um tapete puxado no meio do pregão.

O detalhe é que esse ajuste técnico coincidiu com um momento sensível para a empresa: a troca do CEO. Nos bastidores, a leitura é que a mudança pode ser positiva, trazendo mais clareza estratégica e disciplina de capital num momento em que a renegociação de dívidas entra no radar.

Para quem olha o filme completo, a empresa segue a mesma: casa arrumada, troca de comando pensada para a próxima fase e um desafio claro de execução pela frente. Para quem olha só o gráfico do dia, pareceu turbulência severa.

PS: fora do Ibovespa por menor liquidez, a empresa hoje vale R$ 1,3 bilhão.

PS: a família Paulus dobrou sua participação nos últimos anos, saindo dos 10% no fim de 2023 para os atuais 20,02%.

STATS DO DIA
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US$ 1 trilhão

é a perda estimada que a Califórnia teve em riqueza apenas no último mês devido aos receios sobre o Imposto dos Bilionários.

Via NY Post

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