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EDIÇÃO #252 • 08/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que restituir as apostas parece devolver tudo o que foi gasto nas bets, mas a real é que só volta o que sobrou na conta: R$ 1,3 bilhão para pelo menos 26 milhões de CPFs. Enquanto isso, o governo comemorou que entre R$ 600-650 milhões por dia deixariam de sair da “poupança” e voltariam a ficar com as famílias. É curioso quando o principal benefício econômico de uma indústria aparece justamente no dia em que ela para de funcionar.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Brasil: a volta dos gringos
• SpaceX: US$ 40 bi para levar IA pro espaço
• Oi: o último sinal V.tal


Por aqui, a ressaca pós-"Flávio Day" continua. O Ibovespa caiu 0,74%, a segunda queda seguida, com investidores vendendo as ações que mais tinham subido na segunda para embolsar o lucro. As maiores quedas foram de Bradesco (-3,68%), Itaú (-2,66%), Vale (-2,30%) e B3 (-1,54%). O dólar voltou a R$ 5,01, interrompendo três quedas seguidas. O mês ainda fecha com +9,64%, mas o mercado agora tem uma pulga atrás da orelha: qual é o plano fiscal? A primeira pesquisa Datafolha de segundo turno sai amanhã.
Lá fora, a ata do Fed trouxe o recado que o mercado temia: a alta de 0,25 p.p. de setembro foi unânime, e a maioria do comitê vê ao menos mais uma até o fim do ano, em outubro ou dezembro. O Treasury de 30 anos chegou a tocar 5,70%, o maior nível em 24 anos, e o de 10 anos andou na casa dos 5,3%. As bolsas americanas recuaram de máximas históricas (S&P 500 -0,22%, Nasdaq -0,22% e Dow -0,66%), com o Brent de volta à casa dos US$ 100. O bitcoin também sentiu o juro e zerou os ganhos de outubro. Com a renda fixa americana pagando isso, o rali das techs passou a ter um concorrente de peso.

BRASIL
Bolsa: o gringo está de volta
Estrangeiros colocaram R$ 10,06 bilhões em ações na segunda pós-eleição, o maior fluxo diário desde 2012.

Você viu a apuração das eleições aqui no Brasil e parece que os gringos fizeram o mesmo lá fora. Na segunda, investidores estrangeiros colocaram R$ 10,06 bilhões em ações listadas na B3, no maior fluxo diário da série histórica do Valor Data, iniciada em 2012!
Parte do mercado viu chances de uma mudança na política econômica, principalmente nas contas públicas, e voltou a se interessar por ações brasileiras. Morgan Stanley e J.P. Morgan passaram a recomendar mais peso na Bolsa brasileira, e o Citi apostou na alta do Ibovespa futuro.
A matemática por trás do otimismo:
Para o Citi: o aumento de 1 p.p acima do peso de referência do Brasil nas carteiras globais poderia representar mais de US$ 30 bilhões entrando no mercado local.
Para o Itaú BBA: se estrangeiros e fundos brasileiros simplesmente voltassem às suas médias históricas de alocação, há potencial para R$ 270,2 bilhões em novos recursos na Bolsa.
Para o Morgan Stanley: o motor interno também impulsiona. Se investidores brasileiros aumentarem em cerca de 2 p.p sua exposição na Bolsa nos próximos 12 meses, seriam ~US$ 40 bilhões em volume.
Claro, essas projeções dependem de uma sequência de condições: melhora das expectativas fiscais, juros mais favoráveis, maior apetite por emergentes e investidores efetivamente aumentando exposição ao Brasil. Mas o primeiro sinal já apareceu no extrato da B3.
Depois de anos em que investidores globais reduziram exposição a emergentes, o gringo voltou a mandar dinheiro. Agora o mercado quer descobrir se foi apenas uma entrada pontual… ou o primeiro depósito de uma transferência muito maior.

MACRO/AÇÕES
→ Fed: reforça sinais de nova alta dos juros ainda neste ano.
→ IGP-DI: sobe 1,50% em setembro e acumula 3,80% em 12 meses, informa FGV.
→ Ibovespa: bancos "mexem na calculadora" e ajustam potencial de valorização de Petrobras, Rede D'Or e outras ações
→ FIDCs: nova regra ajuda gestores, melhorando informação.
→ NTN-Bs: títulos atrelados à inflação sobem até 6,7% no 3º tri e lideram ganhos na B3.
→ Bitcoin: perde os US$ 83 mil e zera ganhos de outubro com disparada dos juros americanos.
→ Cosan: reavalia venda de ativos após primeiro turno com Flávio Bolsonaro à frente de Lula.
→ HBR: lança OPA pela Helbor após aval da CVM.
→ Axia: aprova desembolso de R$ 4 bi para novo resgate de ações preferenciais Classe C.
→ JBS: XP vê oportunidades no papel.
→ Itaúsa: se prepara para investir se juros recuarem.
→ Dexco: depois de economizar R$ 311 milhões, quer gerar receita com a inovação “feita em casa”.
→ Banrisul: UBS BB muda recomendação de “venda” para “neutra”.
→ IMC: B3 concede novo prazo para reenquadramento do valor das ações da MEAL3.
→ Tegra: pede cancelamento de registro na CVM.
→ GPA: dono do Pão de Açúcar, dispara com homologação do plano de RE.

TECNOLOGIA
Musk e os US$ 40 bi para colocar a IA em órbita
A SpaceX quer fazer uma das maiores captações já vistas para infraestrutura de IA, e comprar uma montanha de chips da Nvidia.

Um memorando de duas páginas, uma foto do espaço sideral e uma seta apontando para “algum lugar do universo". É assim, segundo relatos, que a SpaceX tem tentado vender um financiamento de US$ 40 bilhões para colocar seus data centers em órbita - e levar muitos chips Nvidia junto.
Se sair do papel, será um dos maiores financiamentos da história para construir infraestrutura de IA. A Apollo lidera as conversas, e a Pimco (olha ela aí de novo), uma das maiores gestoras de renda fixa do mundo, avalia entrar. O negócio pode ser fechado em 2027.
O mercado não se animou com a amizade entre Musk e Jensen Huang. No dia, a SpaceX caiu 2,51%, e a Nvidia, que deveria ser a beneficiária, recuou 0,74%. Wall Street parece fazer o que ninguém faz e decidiu ler todos os termos e condições antes de clicar em “aceitar”.
O tamanho da dívida: os US$ 40 bilhões que Musk pretende captar são quase equivalentes a toda a receita esperada da SpaceX neste ano, estimada em US$ 44,5 bilhões.
A apresentação também não ajudou: o suposto documento de duas páginas e poucos detalhes não convenceu muita gente - mesmo com o carimbo de Musk.
Mas nem tudo é só sonho: os dois data centers da SpaceX em Memphis, Colossus 1 e 2, já funcionam a todo vapor, ou seja, o negócio já existe. E a divisão de IA da empresa, que deve passar a se chamar "Super Intelligence", deve faturar US$ 60 bilhões em 2027, bem acima dos US$ 38 bilhões previstos em julho.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Magazine Luiza: ▲ 5,09%, sem fato corporativo novo, foi mais um capítulo do mercado recalibrando o prêmio para empresas domésticas sensíveis a juros.
GPA: ▲ 4,15%, com a Justiça homologando o plano de RE que reestrutura R$ 4,57 bilhões em dívidas e prevê mais R$ 200 milhões em novos recursos.
Spotify: ▲ 5,08%, com a expansão do serviço de audiolivros para mais de 180 países.
Micron: ▲ 4,03% após a revisão da D.A. Davidson do preço-alvo de US$ 2.100 para US$ 3.000.
Em baixa
Webull: ▼ 19,09%, com um relatório apontando ligações relevantes da corretora com a China e possíveis riscos ao armazenamento de dados de clientes americanos.
Natura: ▼ 9,03%, sem gatilho corporativo novo capaz de explicar sozinho o tombo, mas na semana passada, o JPMorgan cortou a recomendação para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 11 para R$ 8,50. Foi a maior queda do Ibovespa.
Bradesco: ▼ 3,68%, os bancos devolveram parte da disparada pós-eleição, num pregão de realização no Brasil e alta dos juros longos americanos. Itaú, BB e Santander também fecharam no vermelho.

TELECOM
Oi: o último sinal V.tal
A Oi deu Tchau. Depois de vender US$ 34 bilhões em ativos, ainda tem uma última peça valiosa no tabuleiro que vale bilhões

A Oi passou a última década fazendo uma espécie de liquidação de garagem corporativa: vendeu telefonia móvel, fibra, banda larga e outros ativos que somaram cerca de R$ 34 bilhões. Só que isso não foi suficiente e ela disse adeus ao mercado deixando +R$ 40 bilhões em dívidas.
Mas, sob os escombros, há algo valioso o bastante para pôr BTG Pactual e Pimco em lados opostos de uma briga bilionária: uma fatia de 27,26% na V.tal, empresa de infraestrutura de fibra óptica que nasceu dentro da própria Oi.
De um lado: fundos ligados ao BTG já controlam a companhia e fizeram a única proposta por essa fatia em um leilão realizado em março, em R$ 4,5 bilhões
Mas o edital previa um piso de R$ 12,3 bilhões… então…
Do outro: a Pimco e outros credores internacionais acharam muito pouco e foram à Justiça. Assim, a venda que chegou a ser autorizada foi suspensa e segue travada.
Por que essa briga vale tanto?
Porque o preço pago pela V.tal ajuda a definir quanto dinheiro sobrará para pagar os credores da Oi. Para o BTG, comprador, interessa pagar o menor preço possível. Para a Pimco e outros credores, quanto maior o valor da venda, maior será a recuperação daqueles bilhões que ainda têm para receber e provavelmente nunca irão.
A ironia é que a V.tal nasceu justamente do esforço para salvar a Oi. Em 2022, o BTG comprou o controle, mas a Oi ficou com uma fatia minoritária. Depois, a V.tal comprou a banda larga da Oi e pagou parte em ações. Resultado: a Oi ficou com 27,26% da V.tal, e é essa fatia que virou cabo de guerra.
Então chegamos ao paradoxo final da Oi: o Tchau. A empresa vendeu quase tudo tentando sobreviver, mas não sobreviveu. E uma das últimas coisas que restaram pode determinar agora quem recupera quanto dos bilhões deixados para trás.
PS: 900 ex-funcionários ainda esperam pagamento de indenizações.

STATS
39 toneladas
Foi o que os BCs ao redor do mundo compraram de ouro em agosto, marcando a 5ª compra mensal consecutiva. Já são 170 toneladas no acumulado do ano.


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