EDIÇÃO #242 • 03/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que padrões previsíveis não deveriam sobreviver, porque os investidores perceberiam rapidamente. Mas na prática, desde 1950 o mês de setembro é o pior para as ações e o padrão é tão conhecido que virou piada recorrente em Wall Street todo ano. O mercado é eficiente o suficiente pra saber que setembro é ruim. Só não é eficiente o suficiente pra parar de ser. Já diria o trader Billie Joe: wake me up when september ends

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Azzas 2154: o divórcio do ano
• Coopetição: o nome bonito pra vender no rival
• Dell: o lucro subiu, o caixa não foi junto

Por aqui, se o investidor brasileiro foi triste, ele não se lembra! O Ibovespa já sobe 11 dias seguidos e agora teve a maior alta do ano, com 3,05%. O gatilho foi doméstico e político: a Quaest mostrou Lula com folga no 1º turno, mas empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º (42% a 41%), e o mercado gostou de ver uma disputa mais acirrada. Itaú (+3,94%), Vale (+2,68%) e Petrobras (+2,7%) puxaram o pelotão. O dólar emendou a 3ª queda seguida, recuando 0,91% e fechando a R$ 5,1065.

Lá fora, Wall Street conseguiu cortar a sequência de três dias no vermelho: S&P subiu 0,46%, Nasdaq +0,45% e Dow +0,56%, com Nvidia e Johnson & Johnson no time dos destaques. O alívio veio porque os yields do Tesouro deram uma pausa depois de baterem a maior marca desde novembro de 2023, pressionados pela escalada recente entre EUA e Irã e pela alta do petróleo. Do lado dos dados, o payroll privado da ADP mostrou só 38 mil vagas criadas em agosto, o pior número desde janeiro, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho americano está perdendo fôlego.

VESTUÁRIO

Azzas 2154: o divórcio do ano

Depois de brigar feio, Birman e Jatahy assinam o divórcio da Azzas 2154, separando a empresa em 2, ambas listadas na B3.

O nascimento da Azzas 2154 foi como o de qualquer fusão: foto sorridente e juras de amor eterno. Mas depois de três anos sem atingir o objetivo da sinergia, os sócios decidiram que era melhor ir cada um para o seu canto. Agora a empresa vira duas, ambas listadas no Novo Mercado da B3.

Não é surpresa pra quem acompanha a novela: a integração nunca engatou de verdade, e a relação entre os dois lados chegou a procedimento arbitral e medida cautelar. Agora, como parte do acordo, os dois se comprometeram a encerrar as disputas judiciais.

Como fica a divisão:

  • Arezzo&Co (Bloco Birman): leva Shoes & Bags, Hering, Carol Bassi e ZZ Mall, com nomes como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans e as extensões da Hering.

  • Soma (Bloco Jatahy): fica com o vestuário feminino e masculino premium: Animale, Cris Barros, Maria Filó, NV e a Reserva.

  • A exceção: a Farm Rio não foi fatiada e foi parar numa sociedade separada, com a Arezzo&Co ficando com 57,4% e o grupo de Jatahy com os outros 42,6%.

Birman termina com 32,13% da Arezzo&Co e ainda mantém uma fatia residual de 6,18% na Soma. Jatahy fica com 25,95% da Soma e sai zerado da Arezzo&Co. Os demais acionistas ficam com 67,87% de cada empresa, num processo de permuta de ações que só deve terminar em 2027 (e ainda depende do aval do Cade).

O mercado gostou da separação: a ação da Azzas 2154 disparou 11,28%, a R$ 16,87. Mas isso não apaga o ano, com os papéis acumulando queda de 33,35%. Hoje a empresa vale R$ 3,4 bilhões, uma fração do que valia quando o casamento foi anunciado, caindo -82% desde a sua máxima histórica em 2022.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 2 | Compra: 5 | Neutro: 6 | Venda: 0 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: R$ 26,58 | Preço atual: R$ 16,77
Potencial: +58,48%

MACRO/AÇÕES

→ PIB: +0,5%, mas com combustível emprestado.
→ Energia Elétrica: os três riscos no mapa da Fitch para o setor no País.
→ FIIs: ARZ capta R$ 200 mi para investir em crédito imobiliário nos EUA, ‘que aguenta desaforo’.
→ REs: cautelares sem critério e credores sem isonomia.
→ Dívida Global: juros dos títulos do G7 no maior nível desde 2000.
→ Pecuária: domínio do Brasil na carne bovina esbarra em regras da UE.
→ Ambipar: ações entram em leilão permanente na B3.
Chilli Beans: analisa recuperação judicial e anuncia novo CEO.
→ Shein: tem estreia volátil em Hong Kong, após IPO avaliar empresa em US$ 26 bilhões.
→ BTG Pactual: o fi-agro de R$ 10 bilhões do BTG Pactual que será (quase) imune à inadimplência.
→ Wiz: "corta intermediários" para fazer o consórcio pesar mais no balanço.
→ Raízen: conclui venda de operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão.
→ Nestlé: vende portfólio de vitaminas para a Yellow Wood por US$ 1 bilhão.
→ Nvidia: como a aquisição da Hugging Face por US$ 14 bilhões pode garantir seu domínio em IA.
→ CSN: Benjamin deixa o comando e Schvartsman é o novo CEO.
→ Eztec: Itaú perto de fechar a maior locação da história de SP.

VAREJO

Coopetição: o nome bonito pra vender no rival

Magalu passa a vender diretamente dentro do Mercado Livre, e segundo Trajano, 3 em cada 4 compradores serão clientes novos.

Por anos, Magalu e Mercado Livre brigaram por cada clique dos brasileiros. Até que ontem a Magalu decidiu fazer as pazes de um jeito peculiar e montou uma banca dentro da rival. Agora a varejista vende seu estoque dentro do ML, com ~27 mil produtos, tudo entregue pelo Magalog.

Em junho, a Magalu tinha feito o mesmo movimento com a Amazon. Frederico Trajano, o CEO, chama isso de coopetição - num mercado onde as fronteiras competitivas ficaram borradas, brigar o tempo todo só gera perde-perde

E o contrário de “perde-perde” é “ganha-ganha”:

  • Magalu ganha escala: o ML lidera os marketplaces do país, com GMV estimado em R$ 185 bilhões em 2025, enquanto Magalu ficou em 3°, com R$ 44,3 bilhões, atrás até da Shopee. Tudo isso enquanto tenta levantar do tombo de 11,9% na receita de e-commerce, que responde por 70% da empresa.

  • Mercado Livre ganha diversificação: ampliando o leque de sortimento e logística que não tinha em categorias pesadas, games (Kabum!) e cosméticos.

Nas contas do próprio Trajano, 3 em cada 4 pessoas que comprarem produtos do Magalu dentro do Mercado Livre serão clientes novos. Ou seja: pessoas que a varejista não alcançaria sozinha.

A Magalu, aos poucos, vai virando infraestrutura: 30% da receita do Magalog já vem de fora do ecossistema, com clientes como Samsung, O Boticário, Renner e até a Centauro (rival direta da própria Netshoes, que é do grupo). É o manual da AWS aplicado ao varejo: construiu logística pra si mesma, percebeu que dava pra vender, e agora transforma concorrente em cliente.

Com a Casas Bahia na RJ, a Ricardo Eletro fora do jogo e a Americanas praticamente sumida do online, o tabuleiro vai se esvaziando. E o Magalu chegou a uma conclusão contraintuitiva: no varejo de hoje, a melhor forma de sobreviver é montar banca em todo lugar!

PS: o varejo tradicional já fechou 1.133 lojas apenas nos últimos 4 anos.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

GoPro: ▲ 37,4%, com a crescente expectativa em torno da estratégia de investimento em IA.

MagazineLuiza: ▲ 16,88% depois da divulgação de que vai começar a fazer vendas direto pelo Mercado Livre.

Azzas 2154: ▲ 11,28% com o anúncio da trégua, e divórcio, entre os sócios da empresa, que resultará na divisão do negócio em 2 empresas listadas.

Em baixa

MongoDB: ▼ 13,54%, mesmo com o crescimento em seu negócio de banco de dados em nuvem Atlas.

Palo Alto Networks: ▼ 9,28%, em forte realização de lucros, após a divulgação dos resultados trimestrais.

PG&E: ▼ 5,16%, motivada pela ampla revisão que a empresa vai fazer após as preocupações com as responsabilidades relacionadas a incêndios florestais.

EARNINGS

Dell: o lucro subiu, o caixa não foi junto

Receita bateu recorde histórico, puxada pelo boom de servidores de IA. Mas o fluxo de caixa livre cai quase pela metade.

Quase 20% de todo laptop vendido no mundo é da Dell, mas o que faz ela ganhar dinheiro de verdade está em máquinas bem menos portáteis. Sem ninguém prestar muita atenção, ela virou uma das maiores apostas na corrida da infra de IA e entregou o seu melhor trimestre da história, com a ação subindo +14,45% ontem.

Os números do trimestre:

🟢 Receita líquida: US$ 46,97 bilhões, +58% a/a, recorde histórico.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 7,04 x US$ 4,92 esperados.
🟢 Backlog de servidores de IA: US$ 95 bilhões, depois de pedidos recordes de US$ 60,9 bi no trimestre.
🔴 Fluxo de caixa livre: US$ 986 milhões, -47% a/a.

Assim como todo analista precisa da sua planilha, toda IA precisa do seu servidor. E a receita desse segmento praticamente dobrou para US$ 16,4 bi. Só que não foi só IA carregando o piano: servidor tradicional subiu 122%, storage 26%, e o lado de PC cresceu 20% puxado pelos PCs comerciais.

Quem assusta um pouco é o fluxo de caixa livre (sem maquiagem contábil), que caiu 47% na comparação anual, pra US$ 986 milhões, justamente no trimestre de receita recorde. Mas a causa é nobre, pois o aumento de 84% no capex é necessário para poder entregar os US$ 95 bilhões que já tem em backlog.

Os clientes encomendaram US$ 60,9 bilhões em servidores de IA no trimestre. Pra cada US$ 1 que a Dell entregou, os clientes pediram quase US$ 4 a mais. A fila é maior que a produção.

Outro detalhe o release não destaca: o patrimônio líquido da empresa segue negativo, US$ -1,4 bilhão, herança de anos recomprando ação com dívida. Lucro recorde, patrimônio no vermelho.

  • Para os Bulls: o crescimento está espalhado em três frentes, com IA dobrando, servidor tradicional a 122%, e até o negócio de PC crescendo 20%. O backlog de US$ 95 bi que já garante volume pros próximos trimestres, com margem operacional saltando de 7,7% pra 12,6% no mesmo movimento.

  • Para os Bears: o fluxo de caixa livre caindo pela metade é alerta e o patrimônio líquido segue negativo, mostrando que mesmo faturando e lucrando bilhões, os passivos ainda são maiores que o ativo.

A pergunta que fica pro terceiro trimestre é se os US$ 95 bilhões de backlog viram caixa de verdade ou continuam empurrados pra frente enquanto a Dell financia a fila de clientes esperando GPU.

PS: a ação já sobe incríveis 288,23% no ano e 301,58% nos últimos 12 meses.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 5 | Compra: 14 | Neutro: 8 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 556,12 | Preço atual: US$ 492,20
Potencial: +12,99%

STATS

US$ 150,4 trilhões

É a previsão para o PIB Global em 2030. Em 2025, o mundo atingiu o recorde de US$ 118,3 trilhões, representando cerca de US$ 14.406 por pessoa em todo o mundo.

Via VisualCapitalist

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