EDIÇÃO #240 • 27/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que total addressable market existe pra dar uma régua realista do tamanho do mercado que uma empresa pode capturar. Mas na prática, isso virou disputa de quem chuta mais alto, com a SpaceX falando em US$ 28,5 trilhões em maio, e a Anthropic mirando em US$ 30 trilhões, mesmo faturando US$ 11,6 bilhões no trimestre. O número é maior que triplo do faturamento de todo o setor de tecnologia do S&P 500. #sonharédegraça

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Nvidia: ótimo hoje, melhor amanhã!
• Bolsa e cassino: agora com apenas 1h de intervalo
• Salesforce: lucro recorde que só existe no papel

Por aqui, o Ibovespa quase estragou a festa da sexta alta seguida, perdeu fôlego depois de subir quase 1% e fechou com ganho de míseros 0,01%. Quem deu uma animada pela manhã foi a deflação surpresa do IPCA-15, que caiu -0,40%, turbinada pelo bônus da conta de luz da Itaipu. No radar das ações, o índice perdeu a Braskem, que afundou -14% e foi expulsa do Ibovespa depois de pedir RE. E por falar em recuperação, depois de Casas Bahia e Braskem, agora o Habib's entrou na turma com uma dívida de R$ 265 milhões.

Lá fora, Wall Street ficou esperando os resultados do balanço da Nvidia, que saiu só depois do fechamento. A inflação PCE de julho foi acima do esperado e reacendeu o medo de que o Fed tenha menos espaço pra cortar juros em setembro. O petróleo deu uma trégua depois que Irã e Omã sinalizaram avanço nas negociações sobre o Estreito de Ormuz. No mercado de opções, as da Nvidia precificavam uma oscilação de US$ 280 bilhões para hoje (mais do que o valor de mercado de 90% das empresas do S&P 500).

EARNINGS

Nvidia: ótimo hoje, melhor amanhã!

A maior empresa do mundo bateu recordes de receita de novo, mas o que empolgou foi a promessa do próximo ciclo.

A empresa mais valiosa (e única pentatrilionária) do mundo soltou seus resultados com um enredo já conhecido: recorde aqui e ali. Mas enquanto toda empresa do clubinho da IA faz isso e vê as ações caindo porque tem um capex estratosférico nas letras miúdas, a Nvidia subiu 5%. A razão? O CFO disse que espera crescimento de receita de 70% no próximo ano fiscal.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 96,2 bilhões x US$ 92,2 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 2,22 x US$ 2,09 esperados.
🔴 Fluxo de Caixa Livre: US$ 21,3 bilhões, queda de 56% no trimestre.

Como era de se esperar, quem vem puxando o carro com força é o setor de Data Centers, que cresceu 117% no ano e chegou aos US$ 89 bilhões de receita. Fora da planilha, a Nvidia ainda soltou a info de que tem +US$ 2 trilhões no backlog e que ainda vai aumentar a parceria com a AWS.

Mas nem tudo que reluz é chip: a margem bruta já caiu para 74% e o CFO projeta que vai cair ainda mais até 71%. Tem também US$ 279 bi em compromissos de fornecimento e US$ 105 bi em garantias com a OpenAI. O próprio executivo soltou: "sabemos que alguns vão chamar isso de financiamento circular. Nós vemos de forma diferente."

  • Para os Bulls: um backlog de US$ 2 trilhões e um guidance de crescimento de 70% é o tipo de sinal que o mercado não ignora. A Nvidia não está só vendendo mais, está dizendo que a demanda por trás disso já está contratada e visível para os próximos dois anos.

  • Para os Bears: a margem vai ficar mais apertada por pelo menos três trimestres seguidos por causa de memória, e a empresa está usando o balanço pra financiar a demanda dos próprios clientes, com US$ 105 bilhões amarrados numa única relação. Risco muito grande que não está na conta.

A surpresa do balanço não é a Nvidia batendo o recorde e consenso, isso já virou rotina. Foi a promessa de esticar mais ainda a régua. A métrica agora não é "quanto a Nvidia entregou", é "quanto a Nvidia promete subir o guidance". E por enquanto ainda tem gente disposta a pagar por essa promessa.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 9 | Compra: 49 | Neutro: 2 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 305,79 | Preço atual: US$ 209,66
Potencial: +45,85%

MACRO/AÇÕES


→ Brasil: concentra 40% do investimento estrangeiro da LatAm, mas fica em 7º em ranking de residência.
→ Venezuela: a dolarização seria a maior mudança cambial desde o surgimento do Euro.
→ México: resgates de US$ 130 bilhões à Pemex fazem mercado tratar títulos do México como ‘junk’.
→ Ações Brasil: Morgan Stanley rebaixa recomendação de ações brasileiras por riscos fiscal e eleitoral.
→ Café: exportação nesse mês já supera agosto de 2025, com alta de 50%.
→ FIIs: crise no varejo impacta os FIIs de logística.
→ Governo: ~70% das despesas crescem acima do limite do arcabouço fiscal.
→ PicPay: supera guidance, alcança 70 milhões de clientes e avança na diversificação.
→ Brava: sem poison pill e com "desconto" de mais de R$ 3 bilhões.
→ Ambev: entra no top 10 das ações mais negociadas da B3 pela 1ª vez.
→ Squadra: reduz participação na Hapvida e chama investimento de "maior erro" de sua história.
→ Oi: justiça decreta falência pela segunda vez.
→ Oncoclínicas: CVM determina que Centaurus faça a OPA da Oncoclínicas.
→ Meta: fecha acordo de até US$ 18 bi nos EUA sobre impacto de redes sociais em jovens.
→ Unipar: BTG começa cobertura com recomendação neutra.
→ Havanna: mantém plano de abrir 60 lojas no Brasil enquanto renegocia dívida de R$ 127 mi.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Magazine Luiza: 3,74%, no quarto pregão positivo, mas ainda acumulando queda de 6% no mês, com as preocupações no setor de varejo.

Cogna: 2,76%, mesmo com o BTG Pactual cortando o preço-alvo da ação de R$ 5 para R$ 4 e apontando maiores riscos macro.

Sabesp: 1,5% com o JP Morgan reiterando compra da ação. Papel ainda acumula queda de 9,5% no mês.

Em baixa

Zoom Communications: 7,03% após uma previsão para o terceiro trimestre que ficou abaixo das expectativas de Wall Street.

SAP: 2,42% após o UBS rebaixar a ação, destacando a lenta implementação de agentes de IA para os clientes.

DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS

Sua carteira não gosta de piloto automático

O calendário anda sozinho. Sua carteira, não (ou não deveria). E se você ainda está investindo com base no cenário do início do ano, está na hora de rever algumas teses.

A EQI fez o trabalho pesado por você no Guia dos Melhores Investimentos para o Segundo Semestre. Especialistas analisaram o cenário, identificaram os ativos com maior potencial para os próximos meses e organizaram tudo em um guia com caminhos para posicionar melhor sua carteira.

É a diferença entre investir olhando pra frente ou passar o segundo semestre inteiro com a cabeça no passado. Confira a seleção atualizada da EQI aqui

AÇÕES

Bolsa e cassino: agora com apenas 1h de intervalo

A Nasdaq está pedindo licença para conseguir operar negociações 23 horas por dia.

Parabéns, traders do giro louco! Vocês estão prestes a ganhar um punhado de novas horas para continuar operando: a Nasdaq anunciou que quer permitir negociações 23 horas por dia a partir de 6 de dezembro. O cronograma fica assim: 

  • Sessão estendida das 4h às 9h30 (horário de NY);

  • Pregão regular das 9h30 às 16h;

  • After-hours das 16h às 20h;

  • Nova sessão overnight das 21h às 4h. 

  • Sobra de 20h às 21h todo dia para dormir.

A Nasdaq não é a única inimiga da melatonina e do ciclo circadiano. O mercado de apostas previsões Kalshi quer lançar contratos futuros perpétuos ("perps") vinculados ao índice MerQube US Large Cap, também sem pausas. Em julho, a Kalshi já tinha pedido autorização pra perps de ouro, prata e platina.

Nada garantido: a Nasdaq ainda precisa de aprovação da SEC pra rodar as novas horas; e a Kalshi precisa de aval da CFTC pra oferecer perps ligados a índice de ações.

Mas quase: a SEC já deixou a NYSE experimentar um pregão de 22 horas e a CFTC já aprovou os perps de criptomoedas da Kalshi em maio. As aprovações são meras formalidades.

Some 23 horas de pregão por dia com contratos perpétuos ligados a índices, e o resultado é um mercado de ações que está cada vez mais parecido com um cassino que nunca fecha as portas. O sistema financeiro sempre evoluiu… mas dessa vez a evolução é menos de um produto sofisticado e mais uma extensão para prender mais pessoas às negociações.

EARNINGS

Salesforce: lucro recorde que só existe no papel

A receita sobe, mas o que sustenta o lucro é um ganho contábil ameaçado por uma dívida crescente.

Quem olha para o report trimestral da Salesforce sem muita atenção pode até achar que está vendo a planilha de uma empresa de investimentos. Foram US$ 2,6 bilhões de valorização na carteira, ajudando a dar um boost no lucro recorde da empresa. Só que a história é um pouco mais complexa do que o número tenta contar.

Os números do trimestre:

🟢 cRPO (receita contratada para os próximos 12 meses): US$ 33,5 bilhões.
🟢 Receita: US$ 11,35 bilhões x US$ 11,32 bilhões esperados.
🔴 Dívida bruta: saltou de US$ 14,4 bilhões para US$ 39,3 bilhões em seis meses.

A lataria está boa: a receita cresceu na linha que o mercado mais olha; o cRPO acelerou. O Agentforce, a aposta de IA da casa, já soma mais de US$ 1,5 bilhão em ARR (receita recorrente anualizada), crescendo acima de 240% na comparação anual.

Embaixo do capô, nem tanto: para bancar uma recompra acelerada de US$ 25 bilhões em ações, a Salesforce emitiu uma pilha de dívida nova e o passivo da empresa quase triplicou em seis meses. Com isso, a despesa de juros saiu de US$ 67 milhões pra US$ 473 milhões no trimestre e o guidance de crescimento de fluxo de caixa livre foi cortado pela metade.

O outro detalhe que merece atenção é como o lucro chegou onde chegou. O ganho de US$ 2,6 bilhões em investimentos é contábil e pode virar prejuízo. Quem olhar só o LPA de US$ 4,29 sem entender esse contexto, pode achar que a empresa dobrou de eficiência, mas estaria errado.

  • Para os Bulls: o cRPO acelerando é o dado que realmente importa, porque mostra demanda contratada crescendo mais rápido que a receita reconhecida hoje. Com a recompra de 10% do free float, dá pra defender que a empresa está comprando as próprias ações baratas enquanto o negócio genuinamente acelera.

  • Para os Bears: a empresa trocou patrimônio líquido por dívida numa escala nunca antes vista. O "recorde de lucro" que animou o mercado depende de um ganho contábil que pode reverter no próximo trimestre.

A Salesforce entregou um trimestre operacionalmente sólido, mas embrulhou ele num presente que brilha mais ainda, com um bom lucro na carteira de investimentos. Na operação, cRPO acelerando é o ponto que importa... o resto é engenharia financeira que só vai aparecer na conta quando os juros da nova dívida começarem a comer o caixa de verdade.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 5 | Compra: 33 | Neutro: 13 | Venda: 0 | Venda forte: 2
Preço-alvo médio: US$ 242,64 | Preço atual: US$ 205,62
Potencial: +18,01%

STATS

19x P/L

É o indicador preço/lucro da Nvidia, que vem caindo constantemente após o pico de ~70x em 2023.

DROP LIKE IT'S HOT

[para estudar] a teoria ensina “compre na baixa, venda na alta”… mas as empresas fazem exatamente o contrário!

[para entender] o que move o brasileiro de alta renda.

[para acompanhar] a IA está se tornando melhor em investimentos?

[para conhecer] o discreto investidor que fez carreira na Petrobras, está em 4 conselhos e tem mais de R$ 100 mi na bolsa.

O que você achou da edição de hoje?

conta pra gente, aqui sua opinião realmente importa

Login or Subscribe to participate

0 comments

Avatar

or to participate

Veja as edições anteriores

Ver tudo
arrow-right