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EDIÇÃO #224 • 02/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que todo mundo chamava o MoneyDrop de MoneyDrops e agora até a gente vai fazer o mesmo! Pois é, mudamos de nome e contamos tudo dessa história aqui. E já que era pra mudar, refizemos o layout da news também!
Também pensei: que 440 mil americanos viraram milionários em 2025, ou seja~1.200 por dia. Não porque construíram empresas ou inventaram algo, mas sim porque o S&P subiu. A maior fábrica de milionários do mundo não tem chão de fábrica. Tem portfólio.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Nike: o lucro voou 407%
• O clube dos 100%: está lotado
• Raízen: prejuízo recorde no ano


Por aqui, metade do ano já foi e ela se encerra com um número que engana: +6,76% no Ibovespa. O problema é que o número só é bonito no papel, porque derreteu 8,24% no segundo tri e os quase 200 mil pontos de maio viraram 172.024. O segundo semestre começou como terminou o primeiro: sem empolgação. Para esse segundo tempo, o mercado vai ficar de olho na inflação, juros e no calendário eleitoral.
Lá fora, contra tudo e contra todos, WS fechou o melhor primeiro semestre desde 2021 - S&P 500 (+9,6%), Nasdaq (+12,8%), Dow (+8,9%). Mas a estrela foi o Russell 2000, das small caps, com quase 22% de alta, no melhor semestre desde 1991. Com o medo da bolha da IA menor e a Guerra caminhando para o fim, o grande derrotado do semestre foi o petróleo, que devolveu todo o prêmio de guerra e o WTI caiu mais de 30% no trimestre.

EARNINGS
Nike: o lucro voou 407%
mas o trimestre que pareceu melhor na planilha do que na prática

No documento planilha-fechamento-final-vale-esse.xlsx da Nike, parece que a empresa relembrou o antigo slogan “Just do it” e subiu o lucro em 407%. Já nas linhas células pequenas a história é bem diferente porque essa vitória não veio de uma partida excepcional - mas de uma ajuda considerável do juíz.
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu que as tarifas impostas por Trump eram inválidas e a Nike correu para colocar os US$ 986 milhões pagos de volta no balanço. Tirando esse efeito, o lucro por ação "de verdade" ficaria perto de US$ 0,20, ainda acima do consenso, mas mais modesto.
Os números do trimestre:
🔴 Receita Bruta: US$ 10,97 bi, -1% a/a (e -4% sem o efeito do câmbio favorável).
🟢 Lucro por ação: US$ 0,72 x US$ 0,13 esperados (mas a devolução da tarifa turbinou US$ 0,52).
Na América do Norte, as vendas subiram 3% no trimestre e 5% no ano fiscal - o único mercado puxando o carro para frente. O wholesale também voltou a crescer (+4%), sinal de que a Nike está reconstruindo pontes com varejistas que tinha cortado na era de "vender só direto pro consumidor".
→ Do outro lado do mundo, as vendas na China caem pelo 10o trimestre seguido.
O CEO, Elliott Hill, assumiu que a Nike ainda não está jogando no nível que poderia, especialmente nas linhas de sportswear e Jordan, que seguem com dificuldades de venda. O plano? Reconquistar a China e reorganizar a casa… mas sem prometer milagre rápido.
Para os Bulls: a América do Norte está crescendo, o wholesale voltou a ser amigo, e a ação negocia a quase 1x receita, nível que não se via desde a crise de 2008. Ou seja, barato demais para ignorar. Se a China parar de cair e a margem core continuar melhorando mesmo sem ajuda de tarifa, tem espaço de recuperação real no valuation.
Para os Bears: a entrega do resultado foi contábil, não operacional. China não dá sinal de fundo, sempre caindo e a Converse está em queda livre de mais de 30%. A aposta estratégica no canal direto também está encolhendo.
Foi um trimestre bom, mas que pareceu melhor na planilha do que na prática. Ela ganhou um respiro contábil bem-vindo, mas não resolveu nenhum dos problemas que a levaram a essa queda de quase 35% no ano.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 11 | Neutro: 24 | Venda: 1 | Venda Forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 51,86 | Preço atual: US$ 43,06

MACRO/AÇÕES
→ Mag-7: perdem US$ 2,3 trilhões em junho.
→ Stablecoin: Visa, Stripe e BNY lançam aliança para criar stablecoin aberta lastreada em dólar.
→ Frigoríficos: mudam estratégia de exportação para China.
→ Dólar: HSBC alerta para alta ‘explosiva’ do dólar se Fed endurecer tom sobre juros.
→ FIIs: CACR11 volta a suspender dividendos e cotas despencam 16% na bolsa.
→ CSN: quando a Selic derruba o que a alavancagem levantou.
→ Nubank: avança em disputa para comprar unidade de banco português no Brasil.
→ iFood: EBITDA cresce 40% para R$ 2,2 bi; novas categorias aceleram.
→ Lindt: elevou preços para compensar a alta do cacau. Agora ação tem pior tri em 17 anos.
→ Digi+: Banco Safra está entre os interessados nos ativos do Digimais.
→ Suzano: conclui negócio de US$ 1,3 bilhão com Kimberly-Clark.
→ Strategy: a empresa que nunca venderia Bitcoin está vendendo Bitcoin.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Meta: subiu 8,69% com o projeto “Meta Compute”, para vender excedente de IA para terceiros.
General Mills: a dona da Cheerios e Blue Buffalo bateu a estimativa de lucro e subiu +7,93%.
Suzano: subiu +2,11% com a conclusão de negócio de US$1,3 bi com a Kimberly-Clark
Em baixa
CoreWeave: a mesma notícia que impulsionou a Meta detonou a “neocloud”, que desabou -13,16%
Micron: caiu -11,38% em uma realização após a divulgação de um resultado histórico.
Engie: caiu -6,14% sem um fato relevante específico.

TECNOLOGIA
O clube dos 100% está lotado
42 empresas dobraram de valor em 2026

Na corrida do ouro, a história diz que quem ficou rico não foi quem encontrou ouro, mas quem vendeu picareta. Agora com a corrida da IA, enquanto todo mundo debate qual modelo vai dominar o mundo, os fabricantes de chips, memória e fibra óptica estão silenciosamente dobrando (ou até decuplicando) de valor.
Por enquanto, 42 empresas já entraram no chamado “triple-digit club” em 2026. Ou seja, mais que dobraram de valor. Para efeito de comparação, a média da última década é de 19.
Os maiores destaques mostram (de novo) que IA é o grande combustível do mercado:
SanDisk: +4.094% em 12 meses, após spinoff da Western Digital
Bloom Energy: +1.064%, fornecendo energia para data centers da Oracle
Western Digital: +851% / Micron: +774% / Seagate: +592%
Ciena: +541%, óptica de alta velocidade para infraestrutura de IA
Esse movimento ajudou a empurrar o setor de tecnologia para cerca de 37% de todo o mercado americano, acima até do pico da bolha das pontocom nos anos 2000.
Muitas dessas empresas negociam a múltiplos elevados e, mais importante, nem todas possuem vantagens competitivas duradouras. Ou seja: podem estar surfando uma onda forte… mas não necessariamente vão continuar no topo quando ela passar. Buffett já dizia que, quando a maré seca é que se vê quem estava nadando pelado.
Outro ponto de atenção: o movimento está extremamente concentrado. Enquanto a maré da IA sobe, tudo parece funcionar. Mas se o humor do mercado mudar (ou se a promessa da IA demorar mais para virar lucro) o risco é de correções igualmente intensas.
Em 2001, os vendedores de picareta da bolha da internet sofreram tanto quanto os mineiros, pois o mercado não distinguiu quem tinha negócio real de quem tinha slides bonitos. Em 2026-27-28… será que o setor vai mostrar que aprendeu como se defender?

STATS
R$ 1,14 bilhão
em ordens foi o tamanho do erro que a Mirae Asset cometeu ao não confirmar um e-mail de intenção na alocação.
Via BloombergLinea

EARNINGS
Raízen: prejuízo recorde no ano
dívida líquida quase dobrando e um plano de recuperação extrajudicial

Imagina uma reforma na cozinha, piso novo, eletrodomésticos turbinados - e o banco batendo no portão pra tomar a casa. É basicamente o ano-safra 2025/26 da Raízen: operação melhor, mas prejuízo recorde, dívida disparando e recuperação extrajudicial em andamento.
Os números do trimestre:
🟢 EBITDA Ajustado: R$ 2,9 bilhões no 4T, alta de 46% a/a, puxado pela Distribuição Brasil.
🔴 Prejuízo líquido: R$ 7,3 bilhões no tri e recorde de R$ 27,1 bilhões no ano-safra.
🔴 Dívida líquida: R$ 58,2 bilhões, alta de 70% a/a, com alavancagem subindo de 3,2x para 5,2x o EBITDA.
A Distribuição de Combustíveis Brasil foi o que pisou no acelerador: EBITDA, volume e margem crescendo. A marca Shell rodou redondo, e a empresa ainda cortou R$ 522 milhões em despesas recorrentes ao longo do ano.
Do outro lado, o segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB) pisou no freio: a moagem de cana caiu 9,8% por causa do clima adverso, e o EBITDA Ajustado do segmento encolheu R$ 1,4 bilhão no ano.
O que realmente explodiu o resultado, porém, foi um impairment de R$ 22,5 bilhões, um ajuste contábil, sem saída de caixa, que reconhece que parte dos ativos da empresa vale menos do que valia no papel.
→ R$ 12,5 bilhões vieram da incerteza sobre a continuidade operacional da companhia
→ R$ 10 bilhões de ativos que dificilmente vão gerar o retorno esperado.
E tem outro detalhe técnico que muda a leitura do prejuízo: com a Recuperação Extrajudicial em curso, a Raízen entrou num standstill de 180 dias: ela para de pagar os juros de boa parte da dívida, mas continua lançando esse juro no resultado por competência.
O que o mercado vai olhar
Plano de Recuperação Extrajudicial: mais de 80% dos credores já assinaram embaixo, um número raro nesse tipo de negociação. A expectativa é que a Justiça homologue até setembro de 2026.
Queima de caixa contínua: o Bradesco BBI projeta consumo de R$ 5-6 bilhões em 2026/27, com a alavancagem passando de 5,2x para perto de 6x.
Fechamento da venda dos ativos argentinos: a empresa estima R$ 12 bilhões de impacto positivo com a readequação do portfólio, mas só capturou 40% disso até agora. Os outros 60% dependem da conclusão da venda para a Mercuria, avaliada em cerca de US$ 1,2 bilhão.
A Raízen provou que sabe vender combustível melhor do que qualquer outra coisa que faz hoje. O problema é que virou uma empresa em recuperação extrajudicial que também vende combustível, e não o contrário.

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