EDIÇÃO #232 • 30/07/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que investir em ações só faz sentido pelo prêmio de risco (mais volatilidade por mais retorno). Mas na prática, desde 2022 apenas 4 das 347 ações da B3, com liquidez suficiente, bateram o CDI todo ano: Sabesp, Copel, Cemig e TIM - os setores mais previsíveis e "boring" da bolsa. Até o Ibovespa perdeu para o CDI em 3 das últimas 5 janelas.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Meta: o trimestre não foi ruim, foi caro
• Santander: lucro tomba, provisão explode
• Microsoft: o Capex parou de assustar

Por aqui, o Ibovespa segue à risca a história de que “tudo o que sobe, desce” e caiu 1,52% ontem - agora nos 173.885 pontos. A culpa nem foi tão interna, mas dos EUA, num dia todo tomado pela expectativa (e depois pela ressaca) da decisão do Fed sobre corte de juros. Do lado positivo, praticamente isolada, a Petrobras chegou a disparar mais de 2% na manhã, repercutindo números operacionais fortes do segundo trimestre.

Lá fora, quem espera por corte nos juros já foi dormir e agora só sonha com o Fed não aumentando mais… o Fed manteve a faixa de 3,50%–3,75% pela 5a vez seguida, mas o "manteu" veio com três diretores votando para subir a taxa. O Dow teve o pior pregão desde abril de 2025, caindo 2,19%, o S&P recuou 1,52% e o Nasdaq afundou 1,74%. Para completar o combo negativo, o petróleo disparou com uma escalada surpresa das tensões no Oriente Médio, encerrando de vez a trégua do fim de semana, Além disso, os semicondutores continuaram derretendo, com a Kospi sul-coreana acionando circuit breaker pelo segundo dia seguido.

EARNINGS

Meta: o trimestre não foi ruim, foi caro

A receita cresceu 28% e bateu recorde, mas FCF despencou 91%

Do lado da receita, a Meta pisou fundo no trimestre: bateu recordes e vendeu anúncios como se fosse água no deserto… Mas do lado do consumo de caixa: bancar o futuro custou tanto que sobrou quase nada na carteira. Aí o mercado não perdoa e a ação chegou a cair -7,45% no after-market.

Os números do trimestre:

🟢 Receita Líquida: US$ 60,8 bilhões, alta de 28% no ano
🔴 Lucro Líquido: US$ 15,85 bilhões, queda de 14% no ano, puxada por itens não-recorrentes.
🔴 Lucro por ação: US$ 6,18 × US$ 7,22 esperados
🔴 Fluxo de Caixa Livre: US$ 784 milhões, tombo de 91% comparando o mesmo tri do ano passado.

A primeira linha do balanço foi digna de foguetes: mais gente vendo anúncio, e cada anúncio custando mais caro pro anunciante, fazendo a receita crescer 28% e estipular novo recorde. Mas o resto… veio carregado de números que nenhum anunciante quer anunciar.

Só no tri foram gastos US$ 31 bilhões em Capex (83% a mais que um ano atrás), deixando míseros US$ 784 milhões de FCF (contra US$ 8,5 bi um ano antes). A empresa zerou a recompra de ações e, pela primeira vez em vários trimestres, emitiu dívida de longo prazo (~US$ 25 bilhões).

Pelo menos a explicação para a queda no lucro vem de fora da operação:

→ US$ 2,4 bilhões em provisões judiciais.
→ US$ 1,18 bilhão em rescisões das 8 mil demissões de maio.

Para piorar, o guidance também não ajudou: a receita estimada para o 3T’26 ficou entre US$ 61-64 bi, abaixo do que o mercado esperava. E o os gastos investimentos em Capex subiram de novo, pra US$ 130–145 bilhões, mais que o dobro de 2025.

  • Para os Bulls: a operação de anúncios nunca esteve tão forte e a receita batendo recorde mesmo com dólar fraco no caminho. O Capex assusta no curto prazo, não se pode negar, mas a empresa segue gerando caixa operacional recorde (US$ 31,9 bilhões) mesmo pagando a conta da expansão.

  • Para os Bears: tire o Capex da conta e sobra um FCF de menos de US$ 1 bilhão, a ponto de a empresa emitir dívida e zerar recompra pra bancar isso. O quadro atual é de gasto no limite justo quando o retorno ainda não apareceu em nenhuma linha do balanço.

A Meta não teve um trimestre ruim ruim… teve um trimestre caro. A publicidade paga a conta de sempre, mas agora a conta não para de subir por causa da corrida por IA e essa fatura pode ser maior do que o caixa aguenta sozinho.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 8 | Compra: 47 | Neutro: 7 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 824,68 | Preço atual: US$ 585,61
Potencial: +40,82%

MACRO/AÇÕES

→ IPCA-15: surpreende positivamente e reforça expectativa de corte da Selic.
→ FGTS: vai distribuir R$ 13 bilhões do lucro de 2025 a trabalhadores.
→ Cripto: brasileiros "esquecem" R$ 320 milhões em criptomoedas em exchanges.
→ BDRs: mais de 100 BDRs tiveram seus preços unitários diminuídos na B3.
→ Tesouro Nacional: tem tempestade perfeita e as emissões de NTN‑Bs caem ao menor nível em 20 anos.
→ WEG: fecha contrato com Engie para projeto de R$ 1,2 bilhão em hidrelétrica.
→ Embraer: sell side ajusta plano de voo após recorde nos pedidos de aviões militares.
→ 3tentos: ou 3 tombos?
→ Petrobras: registra produção recorde de 3,34 milhões de barris por dia no segundo trimestre.
→ Coca-Cola: solta seus resultados no trimestre.
→ SK Hynix: ações caem após resultado decepcionar.
→ IRB: CVM absolve ex-diretores do IRB após suspender julgamento duas vezes.
→ Bradesco: fará aumento de capital de até R$ 10 bilhões mediante subscrição privada.
→ Fifa: busca até US$ 4,2 bilhões com investidores externos pela primeira vez.

EARNINGS DROPPED BY EQI

Santander: lucro tomba, provisão explode

ROE despenca para 12,5% e deixa a meta de 20% da matriz espanhola cada vez mais distante

O Santander Brasil abriu a temporada de balanços dos bancões sendo o abre-alas que nenhuma escola quer: o lucro caiu 20% comparado ao trimestre anterior, o PDD explodiu e o ROE despencou. A ação foi junto: -7,37% após o resultado.

Os números do trimestre:

🔴 Lucro Líquido: R$ 3,0 bilhões, queda de 20,4% no trimestre e abaixo do consenso de R$ 3,4 bi.
🔴 ROE: 12,5%, recuo de 3,4 p.p. no tri e bem longe da meta de 20% da matriz.
🔴 Provisão para Devedores Duvidosos (PDD): R$ 7,654 bilhões, alta de 20,6% no trimestre e 11,5% no ano.

Por trás dos números está uma escolha deliberada: o CFO Carlos Muñiz acha melhor "não crescer" do que "pagar a conta" depois com mais calote. O banco reduz exposição a crédito de maior risco há alguns trimestres, mas o efeito colateral chegou agora.

O detalhe mais revelador nem é o lucro líquido, é o lucro antes de impostos: caiu 44,6% no trimestre. Isso quer dizer que a linha de impostos "socorreu" o resultado: o banco teve um efeito positivo de R$ 477 milhões em impostos e participações (contra uma despesa de R$ 795 milhões no trimestre anterior).

Do lado bom, a carteira de crédito ampliada seguiu crescendo (R$ 715 bilhões, +5,8% no ano) e as despesas gerais continuam disciplinadas, subindo abaixo da inflação.

  • Para os Bulls: a carteira de crédito segue crescendo, as despesas seguem abaixo da inflação, e o de-risking que está doendo agora é exatamente o tipo de disciplina que evita um problema maior lá na frente.

  • Para os Bears: o banco já vem de trimestres prometendo que a inadimplência ia melhorar "no próximo tri", e isso não acontece… o ROE de 12,5% está mais longe da meta de 20% e a ação reflete o cenário, caindo 21% no ano.

O Santander entregou o pior trimestre de rentabilidade em anos logo na estreia do CEO novo, e a explicação oficial, "disciplina de curto prazo para ganho de longo prazo", só vai convencer quando aparecer em números.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 1 | Compra: 3 | Neutro: 8 | Venda: 1
Preço-alvo médio: R$ 34,59 | Preço atual: R$ 25,63
Potencial: +34,97%

Veja como encaixa na sua carteira:

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

GE HealthCare: ▲ 12,15%, após superar as estimativas de lucros e reafirmar sua perspectiva para o ano todo.

Prio: ▲ 2,89%, liderou os ganhos do índice com a disparada do petróleo.

Ford: ▲ 2,14% após superar as expectativas de lucro e elevar o guidance, citando preços mais fortes e melhorias operacionais.

Petrobras: ▲ 1,92% além do petróleo subindo, a estatal divulgou recorde de produção no 2º trimestre (3,336 milhões de barris/dia).

Em baixa

CSN:▼ 7,80%, foi a maior queda do índice fora do setor financeiro (o balanço sai dia 05/08).

Sabesp: ▼ 5,87%: sem fato específico do dia, com papel respondendo à sensibilidade a juros.

TECH

Microsoft: o Capex parou de assustar

US$ 41 bi de Capex e nenhuma dívida nova

Todo mundo esperava que o capítulo da Microsoft fosse reprise dos bons números, Capex assustador. Mas veio inédito: com a receita batendo US$ 90 bilhões e a Azure crescendo 43%, o argumento de "que um dia a IA vai pagar a conta" pode estar chegando e ação chegou a subir +9% no after-market.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 90,0 bilhões x US$ 89 bilhões esperados - e também acima do próprio guidance.
🟢 Azure: cresceu 43% no, acima das expectativas
🟢 Lucro por ação: US$ 4,74 x US$ 4,24 esperados.

O motor por trás do resultado é simples de explicar e caro de sustentar: a Microsoft está trocando margem por escala na nuvem. O custo da receita subiu 23% no trimestre, puxado inteiramente pela Azure e pela infraestrutura de IA - e por isso a margem bruta caiu 1 p.p, para 67%.

O Capex do trimestre bateu US$ 41 bilhões, 70% acima de um ano atrás e o maior valor da série histórica. A boa notícia é que, diferente de outros, a empresa não está tomando dívida pra bancar a festa. Quem pagou a conta foi o próprio caixa, que encolheu de US$ 51,4 bilhões para US$ 36,5 bilhões.

  • Para os Bulls: o trimestre reforça a tese e a Microsoft vai sair bem mais forte na guerra da IA. Azure continua acelerando forte, e o Copilot passou de 30 milhões de assentos pagos. Isso mostra que o Capex está sendo absorvido pela demanda, não represado em GPU ociosa.

  • Para os Bears: FCF caindo 23% e margem de nuvem em queda há cinco trimestres seguidos são sintomas do mesmo problema, só que ainda não resolvido. A empresa queimou quase US$ 15 bilhões de caixa no ano pra sustentar essa corrida.

Foi o trimestre que a Microsoft precisava pra reforçar a tese que todo o Capex investido vai se pagar. Mas falar isso olhando apenas um trimestre é diferente de vencer o debate.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 13 | Compra: 40 | Neutro: 3 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 555,77 | Preço atual: US$ 390,54
Potencial: +42,31%

STATS

US$ 77 bilhões

É o total previsto de investimento no setor de mineração entre 2026-2030. É o maior valor da história, e chega a ser 4x mais que o investido entre 2017-2021, que foi de US$ 18 bilhões.

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