EDIÇÃO #245 • 15/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que um alerta de segurança pedindo para desacelerar a IA deveria fazer o mercado inteiro sofrer, afinal foi a tese de IA que sustentou o mercado nos últimos tempos. Mas na prática, o capital só trocou de assento. Semicondutores caíram 5,86%, enquanto empresas de software e cibersegurança como ServiceNow, Adobe, Salesforce, CrowdStrike e até Alphabet e Microsoft subiram. Um ritmo mais lento não tira ninguém da IA, só dá vantagem a quem ainda não a alcançou.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Oracle: recorde de receita, queimando caixa
• IPOs chineses: a loteria do mercado em crise
• Isenções: mira A e acerta B

Por aqui, o mau humor externo e a crise no STF pesaram e o Ibovespa recuou 0,91% aos 185.500 pontos. A Vale foi a vilã do dia, caindo 3,66% mesmo com o minério comportado, mostrando que o ambiente doméstico deteriorou, com o setor bancário também pesando. O dólar subiu 0,43%, fechando a R$ 5,1472, com o petróleo em alta batendo mais um pouco na moeda. Amanhã tem Copom, e o mercado já dá como certo um corte de 0,25 p.p. na Selic, para 13,75%.

Lá fora, o CEO da Anthropic pediu pra frear o avanço das IAs e ganhou endosso até dos rivais, deixando Wall Street com um nervosismo bem visível. Resultado: uma onda de correção na tese IA, com Nvidia caindo 3,4%. Pra completar o combo, o petróleo Brent bateu US$ 109 e o Treasury de 10 anos tocou 5% pela primeira vez desde 2023. Amanhã também temos reunião do FOMC, com decisão sobre a taxa de juros, e com boa parte do mercado apostando em uma alta. Super-quarta dos dois lados do Equador.

EARNINGS

Oracle: recorde de receita, queimando caixa

O negócio tradicional de licenças de software encolhe, enquanto o setor de infraestrutura de nuvem vira o motor principal da empresa.

Quanto vale uma empresa que gasta mais dinheiro construindo o futuro do que ganha vendendo no presente? É a pergunta que a Oracle jogou pro mercado ao divulgar seu resultado, depois de queimar US$ 5,4 bilhões em caixa livre no mesmo trimestre em que bateu recorde de receita.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 19,35 bilhões x US$ 19,14 bilhões esperados.
🟢 Receita de Infraestrutura Cloud (IaaS/OCI): US$ 7,4 bilhões, saltando 121% a/a, 9° trimestre seguido de aceleração.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 1,92 x US$ 1,74 das estimativas.
🔴 Fluxo de Caixa Livre: -US$ 5,4 bilhões, piorando de -US$ 362 milhões no mesmo trimestre do ano passado.

A empresa voltou a performar do jeito que fez o dono Larry Ellison assumir rapidamente o posto de homem mais rico do mundo um ano atrás.

A grande aceleração: a receita subiu 30% acima do ano passado com a divisão de infra de nuvem sustentando a história e deixando pra trás o negócio tradicional de licenças de software (que encolheu 3% no período). O lucro líquido também saltou 63%, puxado pela margem, que subiu de 29% para 35%.

O custo de acelerar: "vender mais nuvem de IA" significa construir datacenters e isso custa caro… muito caro. A Oracle gastou US$ 28,5 bilhões em capex só no trimestre (3x o valor de um ano atrás) para entregar 850 MW de capacidade nova.

Passando no crédito: por mais recorde que seja, o caixa operacional não acompanha os gastos e a empresa teve que emitir US$ 20 bilhões em ações e contar com clientes pagando adiantado (US$ 11,4 bilhões só nesse trimestre) pra fechar a diferença.

  • Para os Bulls: os contratos futuros (RPO) bateram US$ 664 bilhões, ou seja, é receita contratada, ainda não faturada, que dá visibilidade de anos pra frente. Mostra que os clientes de IA estão dispostos a financiar o crescimento da própria Oracle, reduzindo o risco de que tudo isso seja capex sem demanda real por trás.

  • Para os Bears: a empresa está sustentando a maior expansão de capex da sua história com emissão de equity e adiantamento de clientes porque o caixa operacional simplesmente não cobre a conta. E isso é o tipo de dependência que só funciona se o apetite por IA não esfriar nem por um trimestre.

No fim das contas, o resultado foi bom. Talvez ótimo, se você olhar só a linha de receita e RPO. Mas "bom" e "sustentável" são coisas diferentes, e a Oracle está pedindo pro mercado confiar que os dois vão se encontrar lá na frente. A empresa fica com a missão de converter o backlog gigantesco em receita sem quebrar o cofre no processo.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 8 | Compra: 27 | Neutro: 7 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 239,10 | Preço atual: US$ 144,79
Potencial: +65,13%

RPO (Remaining Performance Obligations)

É a fila de receita já contratada que a empresa ainda não entregou: o valor total dos contratos assinados que, por regra contábil, só vira faturamento à medida que o serviço é prestado.

É o número que separa a promessa da realização… a empresa já fechou o negócio e travou o cliente, mas ainda vai reconhecendo a receita mês a mês conforme cumpre o combinado.

Se a fila está crescendo mais rápido que a receita atual, tem combustível de crescimento contratado esperando pra ser queimado; se está encolhendo, o motor pode estar perdendo tração mesmo com o resultado do trimestre ainda parecendo saudável.

MACRO/AÇÕES

→ COPOM: vai cortar juros e palavras?
→ IPCA: cai 0,32% em agosto e tem maior deflação em quatro anos.
→ PPI Americano: a inflação que não estava lá.
→ Saneamento: deve ter pico de investimentos em 2027, diz Itaú BBA.
→ Agro: os riscos da nova safra, com custos, dívidas e clima desafiando agricultores.
→ Economia: onda de recuperações judiciais chega a microempresas.
→ ECB: Banco Central Europeu eleva taxas para 2,5%.
→ Nubank: busca seguir o exemplo do Pix com iniciativa voltada para remessas nos EUA.
→ Anthropic: escolhe Nasdaq para IPO e oferta pode ocorrer em outubro.
→ BTG: inicia operação de plataforma de pagamentos para empresas com cartão B2B e maquininha.
→ PagSeguro: JP Morgan vê empresa pressionada por concorrência e corta projeção de lucro.
→ BlackRock: prepara entrada em ETFs de renda fixa no Brasil.
→ OranjeBTC: anuncia a estreia do primeiro ETF de ‘Bitcoin Treasuries’ na B3.

BOLSA

IPOs chineses: a loteria do mercado em crise

As estreias de IPO na China sobem 350% em média no primeiro dia, mas só 46% das empresas dão lucro de fato.

Estrear na bolsa e disparar 350% no primeiro dia parece ótimo, e essa foi a média dos 53 IPOs que rolaram este ano em Xangai e Shenzhen. Mas olhando de perto, esse boom se tornou o retrato de um mercado sem outra saída na China, com o IPO ganhando traços de loteria.

Por que tanta gente aposta na “sorte”? Porque as outras portas se fecharam:

  • o imóvel, que sempre foi o cofre do chinês, segue em queda depois de anos de crise;

  • a poupança rende cada vez menos, com o juro de depósito em mínima recorde;

  • e a bolsa virou campo minado, com o CSI 300 andando de lado no ano, e quem apostou no hardware de IA levou um tombo.

Sobrou o bilhete da sorte do IPO chinês, mas isso também já dá sinais de que não é nada garantido. A própria Unitree despencou mais da metade desde o pico da estreia e o Morgan Stanley avisa: a escassez e o apoio de Pequim justificam preço premium, mas também amplificam a decepção quando a empresa não entrega.

Só 46% das estreias na bolsa chinesa deste ano dão lucro de fato para quem entrou no IPO - número que já foi 72% em 2022, uma queda de quase 30 pontos percentuais em três anos.

No fim, a loteria mais quente da China, olhando de perto, é menos uma máquina de enriquecer e mais um tampão pros buracos que o resto do mercado abriu!

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Palo Alto Networks: ▲13,09% e CrowdStrike: ▲13,85%, impulsionadas pelas preocupações com a segurança da IA, que por sua vez impulsionaram as ações de empresas de cibersegurança.

Roblox: ▲12,73% após revelar novos recursos e ferramentas com IA para criadores em sua conferência anual de desenvolvedores.

TOTVS: ▲4,34% com o Itaú BBA elevando o preço-alvo, citando otimismo com IA no setor.

Em baixa

HP: ▼10,76% após um downgrade de recomendação da Evercore ISI, que argumentou que a alta deste ano deixou pouco espaço para novos ganhos.

CMIN: ▼6,85% com as notícias de que as siderúrgicas chinesas tiveram uma queda abrupta no lucro e com a queda no minério.

Bank of America: ▼5,12% depois que o CEO Brian Moynihan afirmou que a receita de vendas e trading do 3T’26 deverá ficar praticamente estável em relação ao ano anterior.

DROPPED BY MONTE BRAVO

▲ Up: o Brasil tem 502% mais assessores de investimento do que em 2016

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INVESTIMENTOS

Isenções: mira A e acerta B

O governo estuda revisar a isenção de IR das LCIs e LCAs e também mira novas restrições ao lastro de CRIs e CRAs.

A isenção de IR das LCIs/LCAs parece aquele penduricalho de investidor… coisa de quem tem grana sobrando na renda fixa. Fácil de cortar, difícil de defender. Só que, quando o governo mira o papel isento, a bala costuma desviar e acertar outro alvo: quem vai financiar a casa própria.

Essa conversa voltou à mesa. Os bancos já dão como quase certo que o benefício não sobrevive no formato atual e o tema deve reaparecer na agenda em 2027. Se Lula for reeleito, o encaminhamento pode começar já em 2026.

A revisão que o governo estuda é mais larga que só LCI e LCA:

  • Na mira: a isenção das LCIs/LCAs e novas restrições ao lastro de CRIs e CRAs. A ideia é que o incentivo pare de irrigar setores que não deveria.

  • Poupados, por ora: Fiagros e debêntures incentivadas, que o governo entende estarem cumprindo o papel de direcionar dinheiro pra onde deviam.

Se a isenção cair, o rendimento líquido de LCI/LCA cai junto. Só que para manter o papel competitivo, o banco tem que pagar mais por ele e aí captação mais cara não fica no banco, escorre pra ponta: na taxa do financiamento imobiliário e do agronegócio, que ficam mais caros.

Segundo estudos do Braseco, uma tributação de 5% sobre LCI/LCA acrescentaria 0,8 ponto percentual ao custo do crédito imobiliário, o suficiente para encarecer sensivelmente dois setores que essa isenção foi criada para baratear.

Em 2024, o CMN já apertou o lastro de CRIs/CRAs pra barrar empresa de fora do setor pegando carona no papel isento. No ano passado, a MP 1.303 tentou taxar esses títulos e morreu no Congresso, de tanta resistência. Mas fica o aviso: se a isenção cair, a conta não aparece no extrato do investidor, aparece na prestação de quem financia o imóvel!

STATS

16%

é o quanto o brasileiro deveria ter de patrimônio no exterior, segundo estudo da FGV.

Via ValorInveste

DROPPED BY MONTE BRAVO

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