EDIÇÃO #251 • 06/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que enquanto o Ibovespa teve um dia histórico subindo 7,7%, o S&P 500 teve uma segunda quase sem graça, com alta de só 0,66%. Mas esses 0,66% somaram perto de US$ 500 bilhões em valor de mercado, um pouco mais da metade de todo o Ibovespa antes do pregão. A bolsa brasileira precisou de eleição, recorde e alta de dois dígitos em dólar para fazer barulho. Wall Street criou meio Ibovespa num dia tranquilo.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Ibov: os 200 mil chegaram
• Tesouro: os juros caíram do penhasco
• Trending: o termômetro proibido da eleição
• Nike: o trimestre passou na prova, o ano reprovou

Por aqui, o "Flávio Day" de dezembro (a pior queda desde 2021) ganhou uma nova temporada, mas agora com o sinal trocado. O Ibovespa subiu 7,70%, a maior alta diária desde março de 2020, e fechou acima dos 200 mil pontos (206.911) pela primeira vez. O dólar caiu 4,12%, para R$ 5, maior queda desde 2018, e os juros futuros longos despencaram, alguns mais de 1 ponto percentual. Só algumas exportadoras ficaram no vermelho, justamente por causa do dólar mais baixo.

Lá fora, Wall Street também fechou no azul, puxada pela tecnologia. O destaque foi a Nvidia, que bateu nova máxima e está perto de ser a primeira empresa a valer US$ 6 trilhões. O petróleo ajudou ao recuar, com a volta das exportações do Oriente Médio e a liberação de estoques pelo G7. E o payroll fraco de sexta já tinha derrubado para menos de 20% a chance de alta de juros do Fed em outubro, embora dezembro siga na mesa. Na Europa, o clima foi menos festivo: o euro caiu à mínima em 17 meses frente ao dólar, com a França pressionada pelo déficit e a Espanha convocando eleições antecipadas.

BOLSA

Ibov: os 200 206 mil chegaram

TL;DR: Ibovespa sobe 7,7%, na maior variação diária em 26 anos; dólar volta para os R$ 5 e juros futuros têm a maior queda da série, tudo num único pregão.

Sabe aqueles dias em que meses acontecem? Ontem aconteceu um desses no Brasil! Em um único pregão, o Ibovespa atravessou os 200 mil pontos, o dólar voltou para a casa dos R$ 5 e os juros futuros despencaram como se o calendário econômico tivesse sido colocado no modo 2x.

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O gatilho foi o primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, e o mercado recalculou de uma vez o prêmio de risco dos ativos brasileiros. Na leitura dos investidores, o efeito dominó é conhecido:

  • melhora fiscal reduz o prêmio de risco → juros longos caem → o real se fortalece → abre-se mais espaço para cortes da Selic → ações domésticas ganham uma bela vitamina na planilha de valuation.

Bora para um rápido recap da segunda-feira:

→ Ibovespa: chegou a bater 209.605 pontos durante o dia e fechou em 206.912, alta de 7,70%, no maior avanço diário desde março de 2000. O volume financeiro foi de festa, com R$ 103,3 bilhões - quase 4x a média dos últimos 12 meses.

→ Dólar: caiu 4,12%, encerrando praticamente em R$ 5, depois de tocar R$ 4,953 na mínima.

→ Juros: o Tesouro chegou a suspender as negociações por causa da “alta volatilidade dos mercados” - as taxas tinham registrado a maior queda diária de toda a série histórica do Tesouro Direto.

→ Small Caps: o índice SMLL disparou 9,17%, mostrando que o mercado não estava apenas comprando Petrobras e bancões.

Foi aí que o “Flávio Day” virou um festival de dois dígitos:

  • Setor financeiro: XP subiu +24,43%, B3 +22,63%, BTG Pactual +22,52%, Bradesco +15,03%, Banco do Brasil +11% e Itaú +10,37%

  • Varejo: Magazine Luiza +24,18%, Assai +16,41%, Lojas Renner +15,79%, CVC +13,77%, Azzas +13,46%

  • Construção Civil: Gafisa +22,22%, Cyrela +18,40%, MRV +11,37%

Mas nem todo mundo saiu dando pirueta: Suzano, Klabin, Embraer, Vale, Gerdau e WEG ficaram de fora da festa, terminando o dia no vermelho, enquanto todo o resto subia. O ponto em comum? Forte exposição ao exterior e ao dólar.

Wall Street reacts: o J.P. Morgan elevou o Brasil para overweight, o Morgan Stanley passou a trabalhar com Ibovespa em 250 mil pontos e o Goldman Sachs vê espaço para o dólar chegar a R$ 4,50 em um cenário favorável.

Um detalhe importante é que segunda-feira foi um dia de reprecificação, não de transformação econômica. A dívida não caiu no fim de semana, o déficit não sumiu e nenhuma reforma foi aprovada entre sexta e segunda. O mercado só comprou a expectativa de um Brasil diferente.

INVESTIMENTOS

O dia em que os juros caíram do penhasco

TL;DR: Tesouro Direto registra a maior queda diária de taxas da história, e a volatilidade foi tanta que o Tesouro teve que suspender as negociações

Se alguém dissesse que um título do Tesouro poderia render mais de 11% num único dia, você provavelmente perguntaria em qual memecoin o governo estava investindo. Mas foi o que aconteceu ontem: quem tinha o Tesouro IPCA+ 2050 viu o saldo subir cerca de 11,5% em um pregão. Sim, a renda fixa não é tão fixa assim.

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Ontem, quem abriu o Tesouro Direto achou que o site tinha caído. Não caiu: as negociações foram suspensas por “alta volatilidade”. Simplesmente as taxas tinham feito a maior queda diária da história.

Os contratos de DI negociados na B3 chegaram a cair mais de 1 ponto percentual nos vencimentos intermediários e longos. O movimento foi tão forte que a própria Bolsa precisou ampliar os limites permitidos de oscilação dos contratos. E mesmo assim alguns entraram em leilão.

No Tesouro Direto, a pancada apareceu em praticamente todos os vencimentos, dos curtos aos longos:

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,66% → IPCA + 6,91%

  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,25% → IPCA + 6,68%

  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,08% → IPCA + 6,59%

  • Prefixado 2029: 13,84% → 12,74%

  • Prefixado 2032: 14,21% → 12,81%

E aqui mora uma das pegadinhas da renda fixa: quando a taxa cai, o preço do título sobe. Quem já tinha esses papéis, principalmente os mais longos, teve uma forte valorização. Quanto maior o prazo, maior o efeito. É a famosa marcação a mercado.

O real mais forte também ajuda nessa conta. Com o dólar em queda, diminui a pressão sobre combustíveis, insumos e importados, o que reduz o risco de inflação e pode abrir espaço para mais cortes na Selic. O mercado, inclusive, já passou a precificar um corte maior na próxima reunião.

Passada a lua de mel pós-eleição, cortes de gastos, reformas e medidas fiscais terão de sair do PowerPoint e chegar ao Congresso. Porque eleição acontece a cada quatro anos… mas título público pode oscilar todos os dias!

PS: você já acompanha o quadro “Baú do Tesouro” no instagram do MoneyDrops?

Túnel de Negociação

É um mecanismo da B3 que funciona como um guardrail para impedir que uma ação saia oscilando sem nenhum freio.

Os túneis de negociação operam ativo por ativo e ordem por ordem, sem parar o pregão inteiro. A B3 usa 3 tipos:

Túnel de rejeição: bloqueia ordens fora de um intervalo de preço ou quantidade (compra acima do teto, venda abaixo do piso).

Túnel de leilão: quando o preço ou a quantidade passa do parâmetro, o ativo vai automaticamente para leilão.

Túnel de proteção: atua nos leilões e nas calls de abertura e fechamento, prorrogando o encerramento se o preço teórico viola o limite, ou se um participante concentra quantidade acima do permitido.

MACRO/AÇÕES

→ Boletim Focus: mercado projeta IPCA acima de 5% em 2026 e segue reduzindo as projeções de PIB.
→ FIIs: TRXF11 lidera ranking de fundos imobiliários mais negociados na B3.
→ Europa: inflação ao produtor na zona do euro dispara 1,6% em julho.
→ Quants: lucram alto com liquidação de títulos públicos.
→ Incorporadoras: JP Morgan eleva Cyrela e Eztec e rebaixa nomes do MCMV.
→ CVM: multa fundador e ex-diretor financeiro da Reag em R$ 170 mil cada um.
→ Petróleo: G7 vai liberar até 100 milhões de barris de diesel e petróleo para conter preços.
→ Totvs: conclui venda de 80% da RJ Participações.
→ Bradesco: homologa aumento de capital no valor de R$ 10 bilhões.
→ MBRF: cancela oferta para recomprar títulos de dívida com vencimento em 2029.
→ Porto: anuncia pedido de cancelamento de registro da controlada Porto Serviço na CVM.
→ Hapvida: relatório do Jefferies sobre gatilho para reforçar caixa impulsiona o papel.
→ Smart Fit: compra fatia do Buddha Spa por até R$ 32 mi e vai apoiar expansão no exterior.
→ Toky: minoritários pedem OPA de quase R$ 2 bilhões contra fundos da SPX e da DSK.
→ BTG Pactual: compra fatia do Beira-Rio e amplia aposta em esporte.

TRENDING

Polymarket: o termômetro proibido da eleição

Existe um mercado de quase R$ 1 bilhão sobre a eleição brasileira em que o brasileiro não pode entrar pela porta da frente: a Polymarket. Só na disputa presidencial, as apostas já somam US$ 173,7 milhões (cerca de R$ 865 milhões). O dinheiro gira lá fora, mas o assunto é daqui, e o impacto também.

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Para quem nunca abriu a plataforma: na Polymarket, dá para negociar contratos sobre quase qualquer evento futuro usando o pUSD, um token lastreado em USDC.

O usuário compra "sim" ou "não" para um cenário, e o preço varia conforme as expectativas. Se o resultado escolhido acontecer, cada contrato paga US$ 1. Quanto mais contratos, maior o ganho possível e, claro, a perda.

Ou seja, o preço do contrato é uma probabilidade com cheiro de dinheiro. Hoje, o “sim” para Flávio Bolsonaro custa 82 centavos de dólar (82% de chance de vitória), e o de Lula, 18 centavos (18%). Quem aposta no favorito ganha 18 centavos por contrato se ele vencer e perde os 82 se não vencer, um risco bem assimétrico.

Só que o Brasil tentou tirar esse produto da prateleira: em abril, o CMN proibiu derivativos ligados a eleições e esportes. Hoje, a Polymarket nem é legalmente acessível daqui.

EARNINGS

Nike: o trimestre passou na prova, o ano reprovou

TL;DR: O guidance de lucro ficou abaixo da estimativa mais pessimista de Wall Street.

A Nike pode ter marcado um belo gol, mas ainda está atrás do placar e a torcida até já foi embora mais cedo. Traduzindo para quem não fala futebol: fechou um bom trimestre, mas segue devendo nos resultados do ano e as ações caíram ~10% porque a previsão para o ano não é promissora.

Os números do trimestre:

🔴 Receita: US$ 11,2 bilhões, queda de 4% x US$ 11,3 bilhões esperados.
🟢 Margem bruta: 42,8%, alta de 0,6 p.p. a/a, puxada por armazenagem e logística mais baratas.
🟢 Lucro por ação: US$ 0,48 x US$ 0,43 esperados

Sem festas e sem sustos: o lucro acima do esperado veio pouco da operação: o EBIT ficou praticamente parado, em US$ 907 milhões, contra US$ 904 milhões um ano antes.

O que funcionou: foi o corte de despesas, com os custos fixos caindo 6% graças a menos gastos com salários e administrativos. A Nike chegou lá gastando menos, não vendendo mais.

O que não funcionou: só a América do Norte teve crescimento (+2%), com a alta vindo do atacado (+9%), enquanto o canal próprio caía -6%. No consolidado, o canal direto recuou 8%, com o digital despencando 13%. Na China, as vendas caem há 9 trimestres seguidos!

O que assustou: foi o guidance. A Nike projeta queda de receita na casa dos "high-single digits" (algo entre 7% e 9%) no ano fiscal, enquanto o consenso esperava cerca de 2%.

Para compensar, veio o Pace, programa de reestruturação que prevê US$ 2,5 bilhões em economia acumulada até 2031 e cerca de US$ 1 bilhão em encargos. O plano inclui demissões a partir de 2027, três regiões no lugar de quatro e um novo campus na Índia. A virada da Nike virou programa de corte de custos.

  • Para os Bulls: a ação está 80% abaixo da máxima de 2021, e o guidance foi desenhado para ser batido, pois a régua nunca esteve tão baixa. O Pace vem para colocar as coisas em ordem, cortando US$ 2,5 bilhões de gordura, e quando a receita estabilizar, o lucro deve acompanhar.

  • Para os Bears: a própria empresa diz que o ano vai piorar, o lucro do trimestre veio de corte de despesa, e a China cai há 9 trimestres. Um plano de reestruturação de 4 anos é a forma corporativa de admitir que a receita não volta tão cedo.

A Nike está tentando provar que sabe apertar o cinto. O problema é que ninguém comprou a ação para ver a Nike economizar, e sim para vê-la vender tênis.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 1 | Compra: 9 | Neutro: 26 | Venda: 3 | Venda forte: 3
Preço-alvo médio: US$ 39,99 | Preço atual: US$ 33,96
Potencial: +17,75%

STATS

US$ 6 trilhões

de valor é o que o mercado espera que a Nvidia alcance nessa semana. A empresa de Jensen Huang está atualmente em US$ 5,76 tri, bem perto de se tornar a primeira da história a romper a marca dos 6 trilhões.

A primeira a chegar aos US$ 5 trilhões: Nvidia
A primeira a chegar aos US$ 4 trilhões: Nvidia
A primeira a chegar aos US$ 3 trilhões: Apple
A primeira a chegar aos US$ 2 trilhões: Saudi Aramco
A primeira a chegar a US$ 1 trilhão: Apple

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