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EDIÇÃO #241 • 01/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que informações capazes de mexer no preço de uma ação deveria virar fato relevante divulgado formalmente pra todo mundo ao mesmo tempo. Mas Jensen Huang (CEO da Nvidia) disse em entrevista que a parte mais divertida do trabalho é escolher com quem vai jantar, porque a ação da empresa escolhida dobra no dia seguinte. Fato relevante virou saber a agenda e quem tem reserva na mesa.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• SBF: amarra a Nike até 2034
• Squadra: Hapvida foi o "maior erro" da história
• Natura: voltando com o ex


Por aqui, nem nove altas seguidas salvaram o mês de agosto do Ibovespa, que fechou em baixa de 0,33%. No último dia, quem ajudou o índice foi a Petrobras, que subiu mais de 3% no embalo da alta do petróleo (sim, de novo por causa da instabilidade no Oriente Médio). Já no radar político, a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro num eventual 2º turno, apontando para uma corrida mais apertada do que antes se previa.
Lá fora, confusão e belicismo: os EUA atacaram lançadores de foguetes do Irão, que revidou atacando uma base americana na Jordânia. Foi o primeiro confronto direto em um mês, mas foi suficiente para fazer o petróleo disparar acima dos US$ 90 e para reacender a possibilidade de o Fed subir os juros americanos em setembro. Com isso, o S&P caiu 0,33%, o Dow perdeu 0,7% e o Nasdaq recuou 0,12% - mas todos fecharam agosto no positivo.

VAREJO
SBF: amarra a Nike até 2034
Dona da Centauro e distribuidora da Nike no Brasil conseguiu expandir o contrato com a marca, que responde por 60% do faturamento.

60% da receita dependendo de um único parceiro: não é bom!
Esse parceiro estar em queda livre e com a ação nas mínimas da década: pior!
Ver qualquer sinal de instabilidade no contrato: essa parte, pelo menos não é mais uma realidade para a SBF, que conseguiu se amarrar à Nike até 2034.
Além dos anos extras, o aditamento criou um mecanismo de renovação contínua, em que as empresas se sentam todo ano pra discutir mais um ano de prazo. Isso empurra o horizonte de previsibilidade de cerca de cinco anos para sete, sem nunca deixar o contrato "vencer de verdade". Não é automático, mas mostra boas intenções.
A Fisia (braço da SBF que distribui Nike no Brasil) faturou R$ 1,33 bilhão só no segundo trimestre
Isso é cerca de 60% de toda a receita da SBF, e cresce mais rápido que o resto da empresa.
Atacado subiu 36,1%, digital 29,7% e lojas físicas 13,1%.
O que começou em 2020 como uma diversificação virou o principal motor de lucro do grupo e é justamente por isso que qualquer risco de expiração contratual pesa tanto.
Vale lembrar que o acordo nasceu de uma disputa: a SBF perdeu a briga pela Netshoes pro Magazine Luiza e resolveu apostar suas fichas na Nike como resposta. Também fazia parte de um plano mais ambicioso de diversificação, que incluía negócios como Desimpedidos e FitDance.
Só que esse plano foi revisto em 2025, e a empresa vendeu os ativos de mídia digital pra focar só no que dá dinheiro de verdade: Centauro e Fisia, uma empresa que vende muito produto da Nike e outra que distribui Nike para o Brasil todo.
PS: ontem a empresa também divulgou um novo programa de recompra de ações, com duração de até 18 meses e de até 10% das ações em circulação.
PS2: ações da Nike caminham para pior ano desde a aposentadoria de Jordan em 1993.

MACRO/AÇÕES
→ Fluxo: Brasil é um “emergente sem AI” (e ainda sem reformas), e assim ficará sem fluxo, segundo o BofA.
→ Varejo: gigantes fecharam 1,1 mil lojas desde 2022.
→ Aço: importação de aço chinês está caindo? Analista diz que é “mito”.
→ IGP-M: a 'inflação do aluguel', aponta deflação em agosto, mas aumenta em 12 meses.
→ Bilionários: Forbes divulga lista com os dez maiores bilionários do Brasil.
→ Inadimplência: mesmo com o Desenrola 2.0, inadimplência bancária sobe e bate recorde em julho.
→ Geopolítica: a transição dolorosa que vai desacelerar a China e alterar a relação com o Brasil.
→ Venezuela: em ação sem precedentes, Trump fecha acordo para controlar 55% do petróleo venezuelano.
→ SoftBank: estuda emitir até US$ 20 bi para refinanciar aporte na OpenAI.
→ Correios: caminham para encerrar o ano com pior resultado da história.
→ Equatorial: quer vender a Echoenergia, sua empresa de renováveis.
→ GAP: a marca dos moletons voltou à moda e animou os investidores.
→ Casas Bahia: obtém blindagem contra credores.

DROPPED BY MONTE BRAVO
Você confiaria nesse médico?
Seu médico te receita um remédio. Tudo normal. Até você saber que ele ganha uma comissão diferente dependendo da marca que indica. E aí? Foi a melhor escolha pra você ou pra ele?
A menor dúvida já basta pra abalar sua confiança – e não estamos falando do seu cardiologista.
Com investimentos é parecido. Por isso, mercados mais maduros, como os EUA, já adotaram modelos mais transparentes, colocando o objetivo do cliente à frente de qualquer produto. Por lá, 72% dos advisors são remunerados por taxa fixa, ou Fee Based.
E o Brasil está acompanhando. Na Monte Bravo, 43% dos R$ 45 bilhões sob custódia já estão em Fee Based. Mais transparência, mais consultoria e relações de longo prazo construídas com confiança. Simule a diferença para quem investe com Fee Based aqui →
*Conteúdo informativo. Esta não é uma recomendação de investimento
STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Strive: ▲11,41% após uma compra de US$ 143 milhões em bitcoins, o que a tornou a 5a maior empresa pública com criptomoeda na carteira.
Tesla: ▲ 5,51% na véspera das atualizações para o sistema de direção autônoma, incluindo o recurso de desvio de buracos anunciado por Elon Musk - e que seria sucesso no Brasil.
Petrobras: ▲ 4,23%, foi a ação mais negociada da B3; com o Brent disparando e voltando a superar US$ 90 o barril.
Em baixa
Pinterest: ▼ 6,38% após a notícia de que a diretora financeira, Julia Brau Donnelly, deixará a empresa no final de outubro.
Embraer: ▼ 1,82% liderou as perdas do Ibovespa; penalizada pela valorização do real.
Vale: ▼ 0,42%, queda moderada, mas que pesa no índice pela sua participação de 11%, segurando parte do avanço do Ibovespa.
SAÚDE
Squadra: Hapvida foi o "maior erro" da história
Gestora afirma que falhou em avaliar os três pilares da Hapvida e perdeu a paciência com a tese.

Tem gestor que erra e esconde embaixo do tapete. Tem gestor que erra e chama de "ajuste de rota". E tem a Squadra, que pegou a caneta e escreveu, com todas as letras, que Hapvida foi o maior erro de investimento da sua história.
Falou muito e fez também: a Hapvida informou que a Squadra reduziu sua fatia para cerca de 3,87% do capital, ante os 5,15% de julho. O detalhe é que o corte veio logo depois de a gestora brigar (e vencer) para emplacar três conselheiros no board e tentar arrumar a casa da operadora de planos de saúde.
Na carta, a Squadra assume que falhou nas três pernas que sustentam qualquer tese:
Preço: pagou caro demais pela empresa.
Negócio: subestimou o tamanho do abacaxi que era digerir tantos ativos comprados.
Gestão: errou ao avaliar os administradores a quem confiou o dinheiro. E esse é o pior erro, porque contamina os outros dois.
O erro machucou: em 2025, os fundos Long-Biased e Long-Only da Squadra subiram 29,4% e 27,7%, abaixo dos 34% do Ibovespa. No primeiro semestre de 2026, os dois fundos caíram (5,1% e 6,2%) enquanto o índice avançava 6,8%.
O que vem agora é manter o que funciona: desinvestir, simplificar o grupo, vender os ativos do Sul/Sudeste e deixar a operação original do Nordeste/Norte, onde a vantagem competitiva é de verdade e carrega a empresa sozinha.
Se rolar, a Squadra acha que a ação pode "se multiplicar algumas vezes". Mas eles mesmos avisam: sem ilusão sobre a travessia. Empresa alavancada, dívida vencendo no pior momento, e o custo de oportunidade alto no momento pesam em ficar posicionado.
A Squadra passou anos cobrando dos outros uma gestão à altura do capital confiado a ela. Mas, na Hapvida, o "maior erro da história" também é, no fim, um teste de quanto ela mesma aguenta carregar a própria convicção.
PS: no ano, a ação da Hapvida despenca 55,13%, a R$ 6,61, com valor de mercado de apenas R$ 3,2 bilhões.

Fundos Long-Only e Long-Biased
São dois primos que vivem comprados em ações, mas com liberdades bem diferentes:
O Long-Only é o mais disciplinado: só pode ficar comprado (long), ou seja, aposta que os papéis vão subir e ponto. Se acha que a bolsa vai desabar, o máximo que faz é aumentar o caixa e esperar a poeira baixar, sem nunca lucrar com a queda.
O Long-Biased tem um curinga no bolso: mantém um viés estrutural comprado (daí o biased), mas pode montar posições vendidas (short) para se proteger num tombo ou até faturar com ações específicas que enxerga como sobrevalorizadas
GESTÃO
Natura: voltando com o ex
Alessandro Carlucci volta ao comando 11 anos depois, logo após o lucro do tri despencar 92%.

Sabe aquele ex que fica fora por uns anos e volta jurando que agora vai dar certo? A Natura acabou de jurar isso para o mercado, com o anúncio de uma troca de comando na cadeira mais alta da empresa.
← Sai: João Paulo Ferreira, que liderou a operação por dez anos.
→ Entra: Alessandro Carlucci, que comandou a empresa entre 2005 e 2014, foi embora depois de 25 anos e reassume a cadeira de CEO em outubro.
Enquanto o discurso é de “transição sem ruptura”, a realidade é bem menos suave. No 2T, o lucro da Natura desabou 92,1%, para R$ 35 milhões, com a receita caindo 9,1%. O estrago veio de um sistema implantado às pressas que deixou prateleiras vazias e travou o exército de 2,8 milhões de consultoras.
A pergunta óbvia: Ferreira levou a culpa pelo trimestre? A empresa jura que não. Segundo o chairman Fábio Barbosa, a mudança já estava no forno e só dependia de dois astros se alinharem:
a saída dos fundadores (Seabra, Leal e Passos) do Conselho;
a confirmação da Advent, private equity que montou entre 8% e 10% do capital.
Faz sentido pra quem confia no roteiro. Ferreira entrega uma empresa bem diferente da que pegou: a receita saiu de R$ 7,9 bi (2016) para R$ 22,2 bi (2025), as lojas pularam de 5 (cinco, mesmo) para mais de 1,2 mil, e o negócio deixou de depender só de venda direta.
Ele também tocou a parte mais ingrata: enterrar o sonho global da Natura, vendendo Aesop, The Body Shop e, no fim de 2025, a Avon fora da América Latina.
Carlucci, por sua vez, não chega prometendo milagre, mas com a missão de executar mais rápido o que já está em curso e, principalmente, reerguer Natura e Avon no Brasil.
Mesmo com o lucro derretendo, a NATU3 acumula alta de mais de 17% no ano, avaliando a companhia em R$ 12 bilhões - só que ~85% abaixo das suas máximas em 2021.

STATS
R$ 18,4 bilhões
É o quanto o estrangeiro retirou da bolsa até agosto (dia 27). O saldo permanece com entrada positiva em R$ 17,9 bilhões.
Via Valor Econômico

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[para ficar otimista] os lucros das empresas americanas estão em alta - e sinalizam um futuro ainda melhor.
[para não ficar tão otimista] o histórico do SPX depois de um julho negativo e agosto subindo +3%.
[para torcer] para o Brasil no campeonato mundial de Excel.
[para estudar] a bolha dos investimentos em IA está prestes a estourar? O que 250 anos de história do mercado nos dizem.



