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EDIÇÃO #230 • 23/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que na teoria essa temporada de reports deveria responder se a grana investida em IA finalmente está trazendo retorno - a pergunta que não cala faz dois anos. A foto: Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle devem gerar US$ 340 bilhões a mais de caixa operacional em 2027 do que em 2025 com as iniciativas… só que no filme completo, o Capex combinado cresce US$ 534 bilhões no mesmo período.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Alphabet: lucra US$ 112 bi no trimestre
• Tesla: receita sobe, mas lucro não
• WEG: surpreendendo os pessimistas


Por aqui, depois de 5 quedas o Ibov finalmente reagiu, subindo 2,44% e destoando do exterior. Um dos destaques foi a Vale, que terminou o dia com +3,96% com a segunda melhor produção trimestral desde 2018. A Petrobras também deixou sua marca positiva no pregão (+1,99%) e o dólar caiu 0,43%, fechando em R$ 5,0517, o menor patamar do mês.
Lá fora, o clima foi bem menos animado, com os investidores aguardando os resultados de Alphabet e Tesla, que divulgaram seus balanços após o fechamento do pregão. O S&P 500 recuou 0,14%, o Dow ficou estável (-0,01%) e o Nasdaq caiu 0,57%. Um olho esperando os resultados e outro no mercado de petróleo, que viu o Brent avançar 3,4%, tocando US$ 95 e maior nível em quase seis semanas - pelo motivo que todo mundo já sabe.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
Alphabet: lucra US$ 112 bi no trimestre
mas quem pagou a conta foi o caixa

Todo CEO abre um baita sorriso quando abre o balanço e vê o lucro subir 298%. Mas (quase sempre um mas!), boa parte disso não tem nada a ver com anúncio, busca ou nuvem… vem de uma marcação a mercado de participações societárias. Sem isso, o Google entregou exatamente o que o mercado já esperava.
Os números do trimestre:
🟢 Receita total: US$ 119,8 bilhões x US$ 116,9 bilhões da expectativa.
🟢 Lucro líquido: US$ 112,2 bilhões (+298% na comparação anual).
🟢 Google Cloud: US$ 24,8 bi vs. US$ 24,56 bi do consenso (em alta de 82% no ano).
🔴 Fluxo de Caixa Livre: -US$ 5,9 bi no trimestre (negativo pela 1a vez na história da empresa).
Na operação, o motor continua sendo o Cloud, que saiu de 63% de crescimento no trimestre passado para 82% agora. É uma boa régua que separa quem só fala de IA de quem já cobra por ela, com o Gemini Enterprise sendo usado por quase 90% da Fortune 100.
O lucro por ação em US$ 9,11 é o maior trimestral da história. Mas US$ 6,26 vieram de um ganho de US$ 99 bilhões com a valorização de investidas pela Alphabet (com um provável turbo da SpaceX). Sem essa gordura, o número fica em US$ 2,85, coladinho no que Wall Street já esperava.
No lado das saídas, o Capex bateu o recorde de US$ 44,9 bilhões - mais do que a empresa consegue gerar de caixa operacional. Pra sustentar o apetite por datacenters, a Alphabet levantou ~US$ 70 bilhões só neste trimestre e a dívida de longo prazo foi de US$ 46,5 bi para US$ 98,2 bi.
Para os Bulls: Cloud acelerando de verdade, não é só narrativa, e a margem operacional expandiu (34% vs. 32%) mesmo com todo esse capex sendo investido. O colchão de liquidez ainda é robusto, e a pilha de US$ 242 bi em caixa e títulos cobre a dívida nova com folga.
Para os Bears: FCF negativo é sinal amarelo, mas que vira vermelho se o Capex continuar subindo mais rápido do que o Cloud converte backlog em receita. Dívida subindo, em tempos de juros altos, pode comprometer cada vez mais as margens líquidas.
Com todos os ruídos pela frente, o que parece fazer mais preço no momento foi o inédito trimestre com fluxo de caixa negativo e os investidores se perguntam se isso vira tendência. A ação sentiu: estava caindo -4,5% no after-market.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 14 | Compra: 43 | Neutro: 7 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 433,55 | Preço atual: US$ 342,09
Potencial: +26,74%
*Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

MACRO/AÇÕES
→ Argentina: Moody’s eleva rating e reforça confiança no plano de Milei para a economia.
→ FIIs: TRXF11 faz maior aquisição da sua história e compra complexo logístico na ‘Faria Lima dos galpões’.
→ Ryanair: o seguro cobria 80% do problema.
→ Oracle: ações já caíram 50% desde o mês passado.
→ IBM: resultado fica abaixo do consenso, mesmo após mercado revisar para baixo.
→ Banco do Brasil: sobe com perspectiva de melhora na inadimplência após medida provisória.
→ XP: CVM aceita acordo e vai pagar R$ 1,5 milhão para encerrar processo.
→ Stellantis: aposta em produção local para enfrentar concorrentes no Brasil.
→ TSMC: aumentará os preços dos chips em até 10% no ano que vem.
→ BRB: empréstimos para capitalizar enfrentam resistência de bancos privados.
→ Agro: BR pode superar os EUA e se tornar o maior exportador do mundo.
→ Prudential: coloca operação no Brasil à venda, em negócio avaliado em US$ 3 bilhões.
→ Gerdau: já é quase americana… menos no valuation.
→ Raízen: acordo com credores acelera venda de ativos e fecha negócio de R$ 760 milhões.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
Tesla: lucro não acompanha a receita
Receita sobe, mas o lucro ficou bem longe do que WS esperava - e o mercado não perdoou.

A primeira página diz: melhor trimestre da história. Não é mentira, a Tesla cresceu em entregas de veículos e bateu recorde de receita.
Só que a segunda página diz: a margem caiu para 1,4% e o lucro ficou abaixo do esperado. Por que receita e lucro soltaram as mãos?
Os números do trimestre:
🔴 Margem operacional: 1,4%, contra 4,1% ano passado - a pior desde que a empresa virou fábrica de verdade.
🔴 Lucro por ação ajustado: US$ 0,33 x US$ 0,51 esperados.
🟢 Entregas: 480 mil carros, recorde para um 2º trimestre, alta de 25% a/a.
O motivo até que é simples: o preço dos carros ficou mais barato na média, com mais gente preferindo os modelos de entrada. Junto com isso, o cheque dos créditos regulatórios (que ainda rendia US$ 439 mi ano passado) agora dá só US$ 146 milhões.
Do outro lado, a despesa correu na frente da receita. Opex subiu 47% no ano e Capex saltou 142%.
O lucro de US$ 1,1 bilhão que aparece na manchete tem letras miúdas: quase US$ 763 milhões vieram de um ganho com a fatia que a Tesla tem na SpaceX (você não leu duplicado, foi o mesmo que aconteceu com a Alphabet!).
Some mais US$ 274 milhões de benefício fiscal pontual, e o que sobra do núcleo automotivo é beeem mais minguado.
Tem lado bom? Sim! Serviços cresceu 50%, energia voltou a crescer depois de tropeçar, e os clientes ativos de FSD (o “autopilot por assinatura") saltaram 56%. É um sinal de que a Tesla está diversificando de verdade para além do carro… mas ainda falta escalar!
Para os Bulls: entregas recordes depois de dois anos de queda, com FSD ativo saltando 56% e serviços +50% mostram diversificação. O robotaxi já roda sem supervisão em seis cidades dos EUA, e por trás disso tudo ainda tem o homem que fez foguete dar ré.
Para os Bears: a margem operacional é perigosamente baixa e antes era sustentada por créditos, não operação. O lucro também não reflete operação, e com os investimentos subindo, o fluxo de caixa negativo não aguenta desaforo para sempre.
A Tesla entregou o carro que prometeu. O que ela não escolheu destacar foi quanto sobrou depois de pagar a conta… mas o mercado viu e não deixou barato: -6,5% no after-market
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 17 | Neutro: 19 | Venda: 4 | Venda Forte: 2
Preço-alvo médio: US$ 425,22| Preço atual: US$ 374,01
Potencial: +13,69%
*Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Super Micro Computer: ▲19,84% após resultados preliminares com rentabilidade muito acima do esperado.
WEG: ▲9,89% liderou o pregão depois de divulgar os resultados que você lê mais abaixo.
Vale: ▲3,28%, com dois gatilhos no mesmo dia: o relatório de produção e vendas do 2T’26 e a AGE que elegeu o "Ollie" para a presidência do conselho.
Em baixa
Reddit: ▼8,32%, com relatos de que a empresa pode bloquear o acesso do Google ao seu conteúdo para treinar modelos de IA.
ServiceNow: ▼6,47% com aumento da preocupação que a IA vai pressionar o modelo de software da empresa.

DROPPED BY CONTABILIZEI
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EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
WEG: surpreende, inclusive os pessimistas
Lucro de R$ 1,56 bi bate o consenso

O mercado tinha certeza de que o trimestre da WEG ia desapontar. Citi, Safra e JPMorgan... todos cravaram que o impacto do câmbio e demanda doméstica capenga deixariam as margens espremidas. Mas tem dias que a realidade se mostra melhor que a expectativa.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: R$ 1,55 bilhão, acima das projeções
🟢 EBITDA: R$ 2,21 bilhões, batendo o consenso
A margem bruta vai se recuperando: saiu de 31,6% no 1T’26 para 33,2% agora, ajudado por melhor mix de produtos e atividade industrial mais forte no exterior - que segurou o rojão de novo.
Em dólar, a receita do mercado externo cresceu 14,7% no ano, mas o real mais forte (R$ 5,05 no trimestre vs. R$ 5,67 um ano atrás) comeu boa parte disso na conversão.
Destaque para a América do Norte, onde os geradores da Marathon estão vendendo energia de reserva para data centers e a febre de IA vai empurrando o balanço da WEG também.
O buraco continua sendo o Brasil, especificamente o setor solar. A receita de Geração/Transmissão/Distribuição no mercado interno caiu 22,9% no ano porque simplesmente não tem projeto novo de geração solar centralizada em 2026.
Para os Bulls: tese estrutural de eletrificação e superciclo de transformadores segue intacta e as margens mostraram capacidade de recuperação, mesmo com os custos em alta. A demanda de data centers é motor novo para o balanço e o histórico da WEG de bater expectativas dá tranquilidade histórica.
Para os Bears: setor solar não tem data para voltar, e é um buraco estrutural, não pontual. O real mais forte seguirá corroendo a conversão da receita externa e a expansão de capacidade ainda consome muito caixa. O múltiplo de ~29x P/L futuro deixa pouca margem de erro.
Bater consenso rebaixado é bom… mas bater consenso e crescer de verdade é uma outra história que a WEG busca recuperar.
*Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

STATS
US$ 348,5 bilhões
É o valor patrimonial líquido dos ativos de private equity nos EUA presos em "fundos zumbis" com pelo menos uma década de existência. Isso representa 3,5x o valor em 2015 e mais de 100x o valor de 2005.
Via WSJ

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