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EDIÇÃO #254 • 15/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que multas bilionárias deveriam desestimular o crime, e quem quebra a regra deveria sentir o peso. Mas Everett Stern, ex-compliance do HSBC, lembrou que o acordo de US$ 1,92 bilhão em 2012 equivaleu somente à perda de poucas semanas de lucro do banco. Pior: nenhum banqueiro foi denunciado, e quem perdeu a carreira foi o whistleblower. 14 anos depois, o BofA leva US$ 1,2 bilhão de multa por não reportar transações suspeitas. E, de novo, ninguém é denunciado. #DontShootTheMessenger
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• BlackRock: recorde em tudo, até no que não se repete
• JPMorgan: a sequência invicta parou
• Goldman: balanço engorda, recompra emagrece


Por aqui, a notícia de que a inflação americana chegou pior que o esperado balançou o pregão. Mas mesmo aos trancos e barrancos, o Ibovespa conseguiu se segurar e fechou numa queda de apenas 0,18% - depois de chegar a perder 1,5% no meio da sessão. O dólar subiu 0,17%, na segunda alta seguida, acompanhando os ganhos de força da moeda americana no exterior.
Lá fora, o CPI americano bateu 3,7% em 12 meses, com o núcleo mais quente que o previsto e a aposta de uma nova alta de juros do Fed esse mês saltou de ~20% para perto de 40%. O Treasury de 10 anos chegou a tocar 5,33% e a conta ficou assim com as techs e a IA: a Nasdaq caiu 1,88% e o S&P 500 recuou 1,11%, enquanto o Dow ficou praticamente de lado, em -0,09%. Na Ásia, a madrugada foi de terror para as bolsas, com o Kosdaq (Coréia do Sul) caindo -7,65% e acionando circuit breaker, enquanto o Nikkei (Japão) também sofreu com -4,90% de queda.

EARNINGS
BlackRock: recorde em tudo, até no que não se repete
No mesmo trimestre, a gestora bateu recorde de receita, lucro e captação.

A maior gestora do mundo fechou o trimestre ainda maior, e mesmo assim o CEO Larry Fink disse que nunca viu escassez de capital como a de agora. Curioso, vindo de quem acabou de receber US$ 205 bilhões de clientes e levou a BlackRock a recordes de receita, lucro operacional e lucro por ação.
Os números do trimestre:
🟢 Captação líquida: US$ 205 bilhões, levando o AUM ao recorde de US$ 15,5 trilhões (+15% a/a).
🟢 Lucro operacional ajustado: US$ 3,33 bilhões, alta de 27% a/a.
🟢 Lucro por ação ajustado: US$ 15,93 x US$ 14,32 esperados.
O motor do crescimento: é o de sempre, taxas de administração e aluguel de ações. As duas linhas somaram US$ 6,04 bilhões, quase 20% acima de um ano atrás, com receita total crescendo 19%.
A diversificação: private markets são só 2% dos ativos, mas já respondem por 11% das taxas. Por isso a saída de US$ 27 bilhões em fundos institucionais de índice nem fez cócegas.
O sazonal que agrada a todos: o lucro por ação saltou 38%, mas as performance fees dobraram para US$ 630 milhões por causa de um único hedge fund que fecha a conta uma vez por ano, sempre no 3T.
Enquanto isso, a casa se instala no centro do financiamento de IA: comprou a Aligned Data Centers (~US$ 40 bi), financia um data center de US$ 14 bi da Meta no Texas e quer securitizar capacidade de computação como se fez com hipotecas nos anos 80.
Para os Bulls: taxas-base crescendo 11% orgânicos, acima da meta de 5% e margem recorrente subindo. No capex de IA, a BlackRock entra cobrando taxa sobre o dinheiro do cliente, enquanto os bancos comprometem o próprio balanço.
Para os Bears: o lucro por ação de 38% teve ajuda que não volta no 4T. A renda fixa captou US$ 78 bilhões e mesmo assim perdeu na marcação. Com US$ 15,5 trilhões em carteira, a empresa segue sendo beta do mercado, e inflação teimosa com juro longo acima de 5% pode virar o balanço.
O trimestre foi bom de verdade, sem precisar de muleta contábil. E a escassez de capital que Fink enxerga existe mesmo, só que do lado de quem precisa do dinheiro. Do lado da BlackRock, entraram US$ 205 bilhões no trimestre.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 6 | Compra: 11 | Neutro: 1 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 1.317,94 | Preço atual: US$ 1.073,79
Potencial: +22,74%

MACRO/AÇÕES
→ Brasil: FMI reduz projeções de crescimento da economia brasileira em 2026 e 2027.
→ Fiis: HSI quer despejar Casas Bahia de galpões após calote.
→ Crédito Privado: emissões de CRI e CRA caem pela metade em dois anos.
→ Fluxo: cambial registra maior entrada semanal da série histórica para período pós-1º turno da eleição.
→ Bolsa: XP projeta até R$ 540 bi em novos fluxos para Bolsa e vê potencial em ações cíclicas.
→ B3: lança quatro novos contratos para negociar títulos dos EUA.
→ Petrobras: assina acordos sobre jazidas compartilhadas e receberá US$ 859 milhões
→ Embraer: compra participação em empresa na Índia em meio a planos de expansão para o KC-390.
→ Magazine Luiza: estima ficar com R$ 7 bi da crise na Casas Bahia.
→ Magazine Luiza (2): Itaú BBA vê "estrelas se alinhando" e mexe na recomendação.
→ Bank of America: paga US$ 1,2 bilhão para encerrar violações de lavagem de dinheiro.
→ Mercado Livre: prevê fechar 2026 com 72 centros logísticos no Brasil.
→ Casas Bahia: Conselho aprova contratação de nova linha de crédito.
→ Netflix: corta 1.000 vagas em meio a preocupações com expansão do negócio.

EARNINGS (2)
JPMorgan: a sequência invicta parou
Depois de oito trimestres batendo o consenso, o maior banco dos EUA errou lucro e receita de uma vez só.

O JPMorgan bateu o consenso por oito trimestres seguidos, mas aí chegou o nono e mandou o maior banco dos EUA guardar a champanhe. O resultado veio com lucro e receita fora do compasso esperado, mas o guidance ajudou a conter o pessimismo.
Os números do trimestre:
🔴 Receita Líquida: US$ 50,2 bilhões x US$ 51,22 bilhões esperados.
🔴 Lucro por ação: US$ 5,57 x US$ 5,90 esperados.
🟢 Margem financeira (NII): US$ 27,1 bilhões, alta de 13% a/a.
O miss tem três culpados, e só um deles é preocupante.
O primeiro é contábil: o banco vendeu títulos com perda de US$ 658 milhões antes de impostos, uma decisão que o próprio Dimon chamou de discricionária.
O segundo é a renda fixa: a receita de FICC caiu 4%, com Commodities, Juros e Crédito andando para trás, e só não virou estrago porque a mesa de ações subiu 49%.
O terceiro é o que pesa: a despesa cresceu 12% enquanto a receita subiu 8%. Quando o custo corre mais que o faturamento, o banco está pagando para crescer.
A queda de 28% no lucro contra o trimestre anterior, por outro lado, é miragem. O 2T26 tinha um ganho de US$ 4,6 bilhões com ações da Visa, que não se repete.
O que salvou foi a parte chata do banco. A margem financeira, a diferença entre o que o JPMorgan cobra nos empréstimos e o que paga nos depósitos, segue engordando com mais crédito e mais depósitos. O banco até elevou o guidance.
O consumidor também segue firme: o varejo lucrou 13% a mais, entraram 650 mil contas correntes novas e a inadimplência do cartão caiu para 2,91%.
Para os Bulls: o motor que importa nunca esteve tão forte. Guidance elevado, ROTCE de 21% sem o item contábil. Trocar recompra por crédito a retornos maiores é exatamente o que um banco com balanço desse tamanho deveria fazer.
Para os Bears: o banco elevou o guidance de despesa, cortou a devolução de capital e deixou um alerta sobre déficits, inflação e preços de ativos esticados. Crescer o balanço enquanto se diz cauteloso é uma contradição que o ciclo de crédito costuma cobrar lá na frente.
Dimon passou anos dizendo que a ação do JPMorgan estava cara. Agora parou de recomprá-la e vai colocar o dinheiro no próprio balanço, porque acredita render mais emprestando. Ou seja: o maior banco dos EUA parou de comprar a si mesmo para emprestar mais. Pode dar muito certo, como pode dar muito errado.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 4 | Compra: 9 | Neutro: 12 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 372,50 | Preço atual: US$ 335,28
Potencial: +11,10%

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Bending Spoons: ▲ 41,20%, com a Berkshire Hathaway colocando mais US$ 330 milhões na companhia e elevando sua participação para 4%.
Liquidia: ▲ 26,71%, após encerrar anos de briga judicial com a United Therapeutics e garantir a continuidade das vendas do Yutrepia, seu principal medicamento para hipertensão pulmonar.
PRIO: ▲ 2,29%, petróleo em alta com a tensão no Oriente Médio e o Bank of America reiterando compra e elevando o preço-alvo de R$ 71 para R$ 74.
Em baixa
Casas Bahia: ▼ 24,31%, após o conselho aprovar nova linha de crédito. Ação já cai -65% ano ano.
Dell: ▼ 11,39% após o Barclays cortar recomendação para Neutra, argumentando que o papel parece caro após sua recente alta.
Usiminas: ▼ 5,31%, após o Citi reduzir o preço-alvo de R$ 10 para R$ 9, citando um cenário mais desafiador para siderurgia e mineração. A recomendação de compra foi mantida, mas o desconto na expectativa pesou
ASML: ▼ 3,94%, mesmo com lucro acima do esperado, mas a receita ficou ligeiramente abaixo das projeções e a ação acabou engolida pela liquidação geral dos semicondutores.

EARNINGS (3)
Goldman: balanço engorda, recompra emagrece
O banco que vive de dizer ao cliente a hora certa de comprar pagou caro pela própria ação, mesmo entregando um trimestre excelente.

Ironias do mercado: o Goldman recomprou as próprias ações a ~US$ 1.050 no trimestre e, mesmo com lucro acima do esperado, o papel agora vale US$ 878. O banco que vive de dizer ao cliente a hora de comprar pagou caro pela própria decisão. Isso diz mais sobre o que o mercado está desconfiando do que sobre o próprio resultado.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 18,68 bilhões x US$ 16,71 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 17 x US$ 13,02 esperados.
🟢 Receita de ações (Equities): US$ 6,44 bilhões, +72% a/a.
Quem carregou o piano foi o prime brokerage, que empresta para o cliente apostar mais pesado: recorde de US$ 3,4 bi, quase o dobro de um ano atrás, e a receita "durável" que Solomon tanto gosta de citar. M&A também cravou recorde, com US$ 1,65 bi.
Desconto voluntário: o banco doou ~US$ 450 milhões para a própria fundação, o que tirou perto de US$ 1,00 do lucro por ação. Sem isso, o número bateria perto de US$ 18.
Na direção oposta: um benefício fiscal ligado a ações de funcionários somou ~US$ 3,20 ao lucro por ação no ano.
O problema é o que esse crescimento consome: emprestar para hedge fund exige balanço, e balanço exige capital. Os ativos totais foram de US$ 1,8 tri no fim de 2025 para US$ 2,2 tri agora. As provisões para crédito saltaram de US$ 102 mi para US$ 368 mi em um trimestre - ainda é pouco para o tamanho do banco, mas é mais que o triplo.
Para os Bulls: o Goldman está trocando receita de evento por receita de relacionamento. Financiamento já é mais de 40% de mercados, a gestão de patrimônio capta sem parar e a ação negocia uns 25% abaixo do pico de julho com ROE perto de 19%. É um bom banco com preço de ciclo ruim.
Para os Bears: o recorde veio do pedaço mais cíclico do banco. O backlog encolheu, as provisões triplicaram e o capital que sustentava a recompra está sendo engolido pelo balanço. Se o mercado de ações esfriar, o crescimento durável vai revelar quanto dele era só alavancagem.
O trimestre foi excelente, ponto. O Goldman está provando que consegue transformar mesa de operações em renda recorrente, só que isso tem custo explícito de capital, e quem paga a conta no fim é o acionista que esperava recompra.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 1 | Compra: 7 | Neutro: 16 | Venda: 1 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 1.050,29 | Preço atual: US$ 878,72
Potencial: +19,52%

STATS
US$ 859 milhões
É o pix que a Petrobras vai receber da Shell, da TotalEnergies e da Petrogal, pelo acerto de contas por campos de petróleo que ocupam áreas das quatro ao mesmo tempo.
Via Valor Econômico

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