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EDIÇÃO #257 • 27/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: na teoria, uma ação vale o lucro futuro da empresa trazido a valor presente. Na prática, o rumo do Ibovespa e do real agora depende de quem Lula escolher para a equipe econômica. Ou seja, bilhões em valor de mercado podem depender menos dos CEOs de dezenas de empresas e mais do nome de um único ministro.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• A Faria Lima comprou ingresso pro filme errado
• Desarmando o disjuntor da Bolsa
• O dia em que o Tesouro virou bolsa


Por aqui, o mercado dormiu apostando em Flávio e acordou com Lula reeleito. A aposta alta virou banho de sangue na bolsa, com o Ibov caindo 13,88%, perdendo 28,5 mil pontos e fechando aos 176,6 mil, o pior dia em seis anos - teve até o primeiro circuit breaker desde a pandemia. O dólar disparou 8,21%, a R$ 5,40, na maior alta diária desde 1999, e os juros futuros subiram mais de 2 pontos percentuais nos vencimentos longos. Das ações do índice, só oito subiram, todas exportadoras.
Lá fora, o clima foi outro. O pedido de IPO da Anthropic (possível ticker ANT), depois de faturar US$ 16,3 bilhões no semestre, reacendeu a tese da IA. O S&P 500 subiu 0,70%, a Nasdaq avançou 0,82% e o Dow Jones ganhou 0,28%. O petróleo deu uma trégua depois que Trump se mostrou reticente quanto a novos ataques ao Irã e falou em possível acordo, mas o Brent segue acima de US$ 110. A semana ainda tem decisões do Fed e do BCE, e a aposta é de juros parados agora e alta em dezembro.

BRASIL
A Faria Lima comprou ingresso pro filme errado
O Ibovespa chegou a cair 17% na mínima, e a B3 ampliou duas vezes o limite de oscilação.

A Faria Lima foi dormir na sexta com o roteiro pronto: Flávio Bolsonaro eleito, ajuste fiscal, real mais forte e bolsa nas máximas. Acordou na segunda com a carteira montada para o filme que não passou. Esse é o problema de todo mundo sentar do mesmo lado do barco: quando a onda vem do outro, ninguém faz contrapeso.
O roteiro ontem foi digno de filme de terror:
Ibovespa: caiu 13,88%, para perto de 176 mil pontos, com circuit breaker na abertura e queda de até 17% na mínima. Foram R$ 663 bilhões evaporados num só dia.
Dólar: valorizou +8,21%, na maior alta diária desde 1999. Chegou a bater +12% na máxima do dia, acionando 2 travas de negociação
Juros: abertura forte em todos os vértices, com Prefixado chegando próximo a 16% e o IPCA passando dos 8%, com leilões ao longo do dia para dar liquidez.
FIIs: tiveram a terceira pior sessão da história, com o Ifix caindo -5,68% e vários fundos caindo acima de -10%.
CDS: o risco-país, medido pelo Credit Default Swap subiu 26%, chegando a bater 151,6 pontos.
Muitos choram: varejo, construção civil e logística lideraram as perdas, com algumas ações caindo mais de 50%. Com os juros futuros disparando, a conta pesa para quem vive de crédito.
Poucos vendem lenço: as exportadoras viraram abrigo antiaéreo, com Suzano, Embraer, Klabin, WEG e Vale entre as maiores altas do Ibovespa. Com boa parte do faturamento em dólar, cada degrau da moeda americana vira mais receita em reais e margem mais gorda.
A volatilidade foi tamanha que a B3 teve que ampliar, por duas vezes, o limite de oscilação dos contratos de Ibovespa: de 10% para 15% e depois para 20%. O volume também foi muito acima da média, chegando no maior valor da série histórica, desde 2000, em R$ 88,6 bilhões.
Para a carteira, o conselho é de alocador, não de ser herói. Uma carteira diversificada é importante justamente para sair de um risco de cauda. Como foi seu sono de investidor às vesperas das eleições? Quem dormiu mal, possivelmente, estava com a carteira desequilibrada...
O anúncio do próximo ministro da Fazenda acaba de virar o evento mais importante do trimestre!
PS: somando bolsa e câmbio, o EWZ (um proxy do Ibov em dólar) chegou a cair - 19,82%.
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MACRO/AÇÕES
→ Temporada de Balanços: XP prevê temporada de balanços no 3T26 forte para poucas empresas e fraca para muitas.
→ Ibovespa: nova equipe econômica de Lula vai definir o tamanho do impacto na bolsa, avalia BTG.
→ Ouro: sobe e supera US$ 4 mil por onça à espera de decisão do Fed.
→ FIIs: a demanda por galpões é tanta que só há estoque para 6 meses.
→ Argentina: bolsa dos hermanos cai com ‘contágio’ de reeleição de Lula no Brasil.
→ Eneva: deixa geração a carvão e se concentra em gás natural.
→ Casas Bahia: contrata ex-Americanas para negociar RJ de R$ 17,3 bi.
→ Raízen: prepara capitalização de R$ 3,5 bilhões que deve diluir participação da Cosan.
→ Magazine Luiza: em raro alívio no setor, Magalu quita quase R$ 1 bi em debêntures.
→ Azul: obtém crédito de até R$ 2 bi para combustível de aviação.
→ Itaú: compra NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e avança na inteligência artificial.
→ Anthropic: revela prejuízo de US$ 80,7 bilhões antes de megaoferta de ações.
→ Microsoft: oferecerá planos de demissão voluntária a 60 mil funcionários.
→ Vivo: fecha parceria com Starlink para lançar serviço de rede via satélite no Brasil.
→ Coca-Cola: tem crescimento de lucro e receitas no 3º trimestre e Brasil é destaque nos resultados.

BOLSA
Circuit breaker: quando a Bolsa desarma
Criado em 1997, o circuit breaker já parou o Ibovespa por 24x. A última tinha sido na pandemia, em março de 2020

O disjuntor aí na sua caixa de luz tem uma função: desarmar e cortar tudo quando a carga passa do limite, evitando que a fiação pegue fogo. Na bolsa, ele se chama Circuit Breaker e o brasileiro já desarmou mais vezes do que a Faria Lima gostaria de lembrar.
A ideia nasceu nos EUA depois da Black Monday de 1987, quando o Dow Jones caiu 22,6% num só pregão. O Brasil adotou o mecanismo em 1997 e já teve que acioná-lo por 24 vezes, sendo 20x a parada de meia hora e 4x a de uma hora.
Desde a implantação, a história dessas interrupções virou uma espécie de álbum das crises que atingiram o investidor brasileiro:

Curiosidade: nem toda suspensão da Bolsa entra nessa conta. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o mercado brasileiro interrompeu as operações sem que o circuit breaker tivesse sido acionado.
A história do circuit breaker revela um mercado capaz de reagir em segundos a problemas que levarão meses para ser compreendidos. Quando isso acontece, meia hora pode ajudar a organizar decisões, mas dificilmente muda os fundamentos de uma economia.
Fazia seis anos e meio que o disjuntor não era desarmado… e disjuntor não manda aviso, ele simplesmente desarma!

Circuit Breaker
É o mecanismo que interrompe as negociações da bolsa quando o mercado cai rápido demais, para que o pânico não se transforme em efeito manada.
Na B3, ele tem três degraus:
1) queda de 10% suspende o pregão por 30 minutos;
2) queda de 15% suspende por uma hora e;
3) aos 20%, por um prazo definido pela própria bolsa, que pode inclusive fechar para o dia.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Suzano: ▲ 10,08%, liderou o Ibovespa num dia em que só 8 ações subiram. Quem vende celulose em dólar ganha quando a moeda dispara 8% e as receitas lá fora viram mais reais aqui dentro.
Embraer: ▲ 8,89%, a fabricante de aviões fatura em vários mercados e em moeda forte, e isso a protegeu do tombo da bolsa.
WEG: ▲ 4,21%, além de surfar o dólar como exportadora, anunciou a compra do negócio de Power Controls Solutions da L&S Electric nos Estados Unidos.
Em baixa
Magazine Luiza: ▼ 58,23%, foi a maior queda do Ibovespa, e teve seu pior dia desde 1994. Para uma varejista que depende de crédito, é o pior cenário possível.
Cyrela: ▼ 44,81%, puxou o tombo das construtoras, com MRV caindo 42,53% logo atrás. Juros futuros nas alturas encarecem o financiamento imobiliário, e o setor tinha subido bastante após o 1° turno
Vamos: ▼ 56,79%, com a empresa que atua na locação de maquinário sofrendo com a alta dos juros.

TESOURO
O dia em que o Tesouro virou bolsa
Taxas disparam, prefixado vai a quase 16% e IPCA+ passa de 8%.

Todo mundo tem aquele tio que diz que bolsa é cassino e que o dinheiro dele fica “no Tesouro, que é garantido”. Ontem ele abriu o app para ver o saldo… e a roleta o app nem abriu.
O Tesouro Direto, que abre às 9h30, atrasou cerca de três horas e ainda travou mais duas vezes ao longo do dia. Nas paradas, só o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva ficaram disponíveis. E quando a plataforma funcionava, os números assustavam:
Prefixado 2032: chegou a 15,78% ao ano, o maior nível da série iniciada no ano passado, e fechou a 15,50%, com alta de 2,61 pontos.
IPCA+ 2032: bateu 8,10% acima da inflação logo cedo e fechou a 7,80%.
IPCA+ 2050: renovou a máxima da série e fechou em 7,03%.
O motivo é o mesmo do resto do mercado: com a vitória de Lula, os investidores abandonaram a aposta num ajuste fiscal e passaram a precificar mais gasto público.
Por que isso derruba o saldo de quem já tinha o título?
A renda fixa funciona como uma gangorra: quando a taxa sobe, o preço do papel desce. Ninguém quer comprar o seu título a 13% se o Tesouro está oferecendo um novo a 15,5%. Para vender o seu, você precisa dar desconto.
Quem aplicou R$ 10 mil na sexta-feira acordou com:
~R$ 8.894 no Prefixado 2032, perda de 11%
~R$ 9.073 no IPCA+ 2040, perda de 9,3%
~R$ 8.738 no IPCA+ 2050, perda de 12,6%
A boa notícia para o tio é que esse tombo só vira prejuízo de verdade para quem vender antes do vencimento. Quem segura o título até o fim recebe exatamente a taxa contratada na compra. A queda de ontem é marcação a mercado, ou seja, o preço que alguém pagaria hoje.
E a gangorra pode não ter parado: o BTG calcula que o juro real de longo prazo, perto de 6,7% na sexta, deve passar de 8% e ficar lá até o governo apresentar um novo plano fiscal para os próximos quatro anos.
Quem já tinha título aprendeu, na marra, o que é volatilidade. Quem chega agora encontra prefixado acima de 15% e IPCA mais 7%, taxas que pouca gente esperava ver de novo este ano.
PS: ontem, o Tesouro Nacional entrou em campo com um leilão extraordinário de recompra de até R$ 15 bilhões em prefixados.

STATS
R$ 7,699 bilhões
Foi quanto o Tesouro gastou recomprando NTN-Bs num leilão extraordinário nesta segunda, 58,59% do lote de 3 milhões de títulos ofertados para três vencimentos. No mesmo dia, cancelou os leilões de venda de NTN-B e de prefixados previstos para a semana.

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[para entender] as dificuldades práticas de um ajuste fiscal ambicioso
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