|
EDIÇÃO #237 • 18/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que a CVM tem uma Resolução (CVM 80/2022) só para impedir que executivos de companhias abertas usem a própria credibilidade pra empurrar o preço de ações. Mas um ano atrás a presidente do BB disse: "quem tem ação, mantenha; quem não tem, compre" - com o papel a R$ 20,65. Um ano depois, isso virou processo administrativo, e a ação fechou a R$ 17,95. O "momento de entrada" recomendado era, na verdade, o topo do gráfico.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Casas Bahia: pede prazo pra quem vendia a prazo
• XP: lucrando mais e rendendo menos
• Hapvida: sinais vitais fracos


Por aqui, nada de sorrisinho na bolsa: com a queda de 0,09% de ontem no Ibovespa já são 10 pregões seguidos de perdas. Foi um dia de bancos puxando tudo pra baixo, com o mercado de olho no cenário de crédito e no pedido de RJ bilionário das Casas Bahia. Do outro lado, a Petrobras fez o contrapeso, apoiada pela alta do petróleo lá fora e pela descoberta de novas fontes no litoral do Amapá. Para fechar o dia, o IBC-Br (a prévia do PIB) recuou 0,64% em junho, bem abaixo do que se esperava.
Lá fora, os índices americanos se compadeceram de nós e também fecharam no vermelho, mas em vez de RJ, o que tá causando o caos é o medo da (re)(re)(re)escalada da guerra entre Irã e EUA. O Brent chegou a ficar perto dos US$ 90 depois de Trump dizer que não vê mais um fim próximo para o conflito. Os olhos da semana ficam no resultado do Walmart, que é um termômetro da saúde financeira da população, além da ata do FOMC, que sai amanhã.

RECUPERAÇÃO
Casas Bahia: pede prazo pra quem vendia a prazo
Depois de dois adiamentos de reports, a rede de varejo mostrou o tamanho do problema e teve que pedir recuperação judicial

Atrasar o balanço trimestral 2x era só o aperitivo.. o prato principal veio horas depois, no protocolo judicial: o pedido de RJ após um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre. O pedido não é só da Casas Bahia: entram junto nove subsidiárias, incluindo a ASAP Log, a Cnova, a Integra Soluções para Varejo Digital e a Bartira, a fábrica de móveis do grupo.
Os números do trimestre:
🔴 Prejuízo Líquido: R$ 10,1 bilhões, 18x maior que no 2’T25.
🔴 Patrimônio Líquido: negativo em R$ 8,27 bilhões;
🔴 Passivos: R$ 17,3 bilhões, com a maior fatia em créditos quirografários, ou seja, sem garantia.
O fato relevante enviado à CVM não deixa dúvidas sobre o cenário: juros altos, crédito curto, consumo fraco. E o pedido tem dois objetivos práticos: (i) blindar a empresa contra vencimento antecipado das dívidas; (ii) evitar que transportadoras retenham mercadoria por falta de pagamento.
A saída também tem dois eixos: focar em linhas mais rentáveis e alongar o prazo das dívidas. A Casas Bahia promete seguir operando normalmente em todos os canais, sem interrupção.
O que chama atenção é a velocidade da queda. No mesmo balanço, a auditoria EY já tinha se recusado a opinar sobre as demonstrações financeiras, citando incerteza relevante sobre a continuidade operacional.
A fase 2 do “Plano de Transformação" - anunciada dias antes com o fechamento de 298 lojas (28,6% da rede) e a demissão de 1,9 mil funcionários - foi vendida como redimensionamento estratégico. Mas, na prática, era o próprio caixa acabando: sem estoque para vender e sem crédito para repor, a operação minguava independentemente de qualquer plano.
Para os Bulls: a RJ é exatamente o instrumento legal que faltava para dar fôlego a uma operação que já mostrava sinais reais de melhora. Com a proteção judicial contra vencimento de dívida, a empresa ganha tempo para separar o que funciona do que não funciona, sem o risco imediato de perder fornecedores ou transportadoras.
Para os Bears: o problema é estrutural e nenhuma RJ vai salvar. P/L negativo e oito trimestres seguidos de prejuízo. Passivo de R$ 17,3 bi majoritariamente sem garantia é terreno historicamente difícil de negociar, e a experiência recente do setor de varejo brasileiro com RJs não é de finais felizes rápidos.
A empresa que era um case de turnaround em relatório de banco virou processo judicial em menos de uma semana. Não é o fim da Casas Bahia, mas é o fim da história que ela vinha contando ao mercado.
PS: a lista de credores. Surpresa para a Riza, fundo voltado ao agro, com R$ 800 mi na carteira.
PS2: Diretor jurídico e dois membros do conselho renunciam.
Recomendação dos analistas:
Compra: 0 | Neutro: 5 | Venda: 3 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: R$ 2,76 | Preço atual: R$ 0,44
Potencial: +526,42%

MACRO/AÇÕES
→ CVM: processa presidente do BB por declarações ‘excessivamente otimistas’.
→ IBC-Br: a prévia do PIB, cai 0,6% em junho, mais do que o esperado.
→ Boletim Focus: pausa na sequência de quedas da inflação.
→ Fluxo: saída de estrangeiros da bolsa brasileira é a mais intensa desde 2021.
→ Reforma Tributária: mudanças no Simples podem ter impacto de R$ 50 bi em dois anos.
→ EUA: Goldman vê inflação mais fraca nos EUA e diz que mercado exagera aposta de alta do Fed.
→ Ações: Copa do Mundo foi gol contra nos resultados, para empresas da B3.
→ Crédito Privado: a bomba-relógio do crédito que pode desacelerar o Brasil.
→ Cosan: em mais um passo de seu plano de desalavancagem, encaminha venda de Porto de São Luís por R$ 300 milhões.
→ Will Bank: Mastercard propõe plano para compensar estragos do Will Bank.
→ Habib’s: libera recursos do Daycoval na Justiça e corre contra o tempo para evitar recuperação judicial.
→ Petrobras: anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas.
→ DHL: com FedEx fora da rota e Correios em crise, DHL investe R$ 270 milhões no Brasil.
→ Reddit: entrou para o índice S&P 500.
STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Magazine Luiza: ▲ +8,18% na carona da crise da concorrente. O mercado já precifica ganho de participação de mercado para quem sobrar em pé no varejo.
Prio: ▲ +5,03% acompanhando a alta do petróleo com a expectativa de mais uma escalada da guerra. Ação já sobe +48,67% no ano.
Americanas: ▲ +1,80% na mesma lógica da Magalu, embora seja importante lembrar a ironia de que ela própria não saiu da RJ em que entrou em 2023.
Em baixa
Casas Bahia: ▼ -36%, após o pedido de RJ e a divulgação do seu balanço, que teve um prejuízo 18x pior que o ano passado.
Nike: ▼ -4,03%, atingindo uma nova mínima de 52 semanas e ação voltando aos patamares de 12 anos atrás.
Meta: ▼ -3,54% com o mercado esperando o importante julgamento sobre alegações de que suas plataformas prejudicaram crianças e adolescentes.
DROPPED BY MONEY WEEK
Você lado a lado com quem entende do jogo
Money Week é o maior evento para investidores realizado no Sul do Brasil. E, pela primeira vez, acontece em dois dias, 27 e 28 de agosto, em Balneário Camboriú.
A 12ª edição vai reunir grandes nomes para discutir os temas que moldam o futuro dos mercados, da economia e dos investimentos. E o principal: como tudo isso impacta no seu bolso. Quem lê o MoneyDrops tem 10% de desconto pra confirmar presença aqui →
Quem já confirmou: Paulo Guedes, ex-ministro da economia; Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central; Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS; Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual; Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e mais.

EARNINGS
XP: lucrando mais e rendendo menos
Banco tem bons resultados com receita subindo 8% e lucro recorde, mas mudança na forma do negócio derrubou o ROE.

Lucro líquido recorde de R$ 1,38 bi: check!
Receita bruta subindo 8%: check!
Ativos (AuM) batendo R$ 1,5 trilhão: check!
CFO feliz? Não… quanto mais dinheiro entra, menos a XP consegue render com ele.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Bruta: R$5,1 bilhões, alta de 8% a/a.
🟢 Margem EBT: 32,0%, o maior patamar do período.
🔴 ROAE Ajustado: 22,5%, caindo pelo segundo tri seguido.
O que explica esses números é uma mudança na forma do negócio: o varejo cresceu só 8% a/a e ainda sofreu com a renda fixa derretendo 16%.
Quem segurou o placar foi o Atacado, que disparou 32% no ano (com Corporate crescendo 117%). Isso comprova que a XP está no caminho de ser um banco de empresas grandes.
O ponto de atenção fica na rentabilidade, com ROAE caindo, mesmo com o EBT crescendo 15% no período. Isso significa que a empresa está usando mais capital para gerar o mesmo resultado.
Por outro lado, a margem EBT bateu recorde no período, justamente porque a empresa cortou gordura nas despesas administrativas, que cresceram só 2% no trimestre. Mas o mercado deve questionar o índice de Basileia em 20,3%, bem acima da faixa que a própria empresa diz perseguir (16% a 19%).
Para os Bulls: a XP está fazendo exatamente o que se pede de uma empresa madura em mercado saturado, trocando crescimento de volume por eficiência de margem, com EBT batendo recorde de período e despesas crescendo bem abaixo da receita. O pivô para Atacado e Corporate mostra uma empresa capaz de achar crescimento fora do varejo, e o balanço de R$ 408 bilhões com Basileia de 20,3% dá munição de sobra para seguir comprando ações e devolvendo capital.
Para os Bears: ROAE e ROTE seguem caindo, mesmo com lucro subindo, num sinal clássico de negócio ficando mais pesado para crescer. Some a isso um varejo praticamente estagnado em clientes ativos (+1% a/a) e uma dependência crescente de um Atacado mais volátil, e a tese de "crescimento de qualidade" começa a ruir.
A XP está claramente em transição: nunca lucrou tanto… e nunca rendeu tão pouco por cada real que tem parado. E transição, para quem investe, costuma custar múltiplo antes de provar valor.

Value Trap
É a cilada que engana quem lê múltiplos de valuation sem perguntar por que eles estão baratos.
A ação aparenta estar em saldão e o instinto do investidor de valor é comprar, porque tudo o que ele aprendeu diz que preço baixo é oportunidade.
O problema é que múltiplo comprimido às vezes não é desconto, é sentença: o mercado já enxergou que o negócio está em declínio estrutural e ajustou o preço para refletir um futuro pior, não um presente injustamente descontado.
CRISE
Hapvida: sinais vitais fracos
Sinistralidade em alta, judicialização batendo recorde e ação no menor preço desde o IPO

Tem trimestre ruim e tem trimestre horrível. O da Hapvida foi desse segundo tipo: lucro ajustado de R$ 12,5 milhões, uma fração do que o mercado esperava e uma queda de quase 96% na comparação anual. A ação não perdoou, desabou e se encontra no pior nível da história.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$ 7,97 bilhões, alta de 3,9% a/a, puxada por reajuste de ticket médio, não por crescimento de base.
🔴 EBITDA Ajustado: R$ 504,4 milhões, queda de 44,3% a/a e 37,2% na comparação trimestral.
🔴 Lucro Líquido Ajustado: R$ 12,5 milhões, tombo de 95,8% a/a.
A sinistralidade caixa, que subiu para 75,2% da receita operacional, deixou seu estrago. Cada real de mensalidade sai mais rápido do que entrou, consumido por consulta, exame e internação, enquanto o reajuste de preço não acompanha o ritmo. O resultado: margem EBITDA de 6,3%, a pior da série histórica recente, com despesas administrativas e comerciais engolindo quase 17% da receita.
Mas o verdadeiro vilão do trimestre nem é operacional… é jurídico. Provisões cíveis saltaram 97% na comparação anual, para R$ 324 milhões, e despesas judiciais bateram R$ 135 milhões, no maior patamar já registrado pela companhia. Depósitos judiciais somam R$ 2,1 bilhões.
Do lado do balanço, a dívida líquida subiu 34,4% a/a, para R$ 5,4 bilhões, levando a alavancagem de 0,95x para 1,61x dívida líquida sobre EBITDA, o que é perigosamente perto dos covenants contratuais.
A empresa tenta reagir anunciando um plano de "transformação" com 3 frentes: (i) repactuar contratos deficitários; (ii) apertar custos com rede própria; e (iii) digitalizar SG&A. É plano de longo prazo tentando conter um incêndio de curto prazo… e o mercado, historicamente, não dá desconto para esse tipo de promessa sem prova real de execução.
Para os Bulls: a ação negocia com desconto histórico, o caixa livre de R$ 5,3 bilhões ainda dá fôlego, e a companhia está finalmente atacando o problema real em vez de só perseguir crescimento de receita a qualquer custo.
Para os Bears: a alavancagem subiu rápido demais e sempre tem a surpresa da linha de judicialização que cresce mais rápido que a receita. Pode estar na mínimas, mas essa é uma combinação clássica de tese que na verdade é value trap.
Hapvida não está quebrada, mas também não está mais no controle da própria narrativa: quem dita o ritmo agora é a Justiça e a sinistralidade, não a gestão.
STATS
R$ 258 bilhões
É o montante que venceu ontem do Tesouro IPCA+2026. Isso representa 11% do total de estoque em IPCA+ que o governo tem e foi o maior vencimento da história das queridinhas NTN-Bs.
Via ValorEconômico

DROP LIKE IT'S HOT
[para pensar] as big techs já estão investindo bilhões em IA, mas o gasto total pode ser trilhões de dólares maior do que qualquer um imagina.
[para entender] a estratégia por trás da China liberar a liquidação de yuan na Europa
[para acompanhar] o que está por trás dos ETFs mais rentáveis da B3?
[para assistir] o Brasil ficará rico se o seu candidato ganhar as eleições?


