EDIÇÃO #256 • 22/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro que uma fusão faz sentido quando duas empresas têm sinergias claras: elas juntam operações, cortam custos e fazem o famoso 1 + 1 virar mais que 2. Mas na prática, Tesla e SpaceX avaliam criar uma empresa de US$ 3,5 trilhões juntando carros elétricos, baterias, foguetes, satélites, IA e robôs humanoides. Talvez a maior sinergia entre elas seja simplesmente o fato de que tudo pertence ao Muskverso.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Meta: bateu a meta, secou o caixa
• Tesla: o carro paga, o robô gasta
• SpaceX: o foguete virou o negócio pequeno

Por aqui, depois de o Ibovespa encostar nos 208 mil pontos na terça, o pregão de ontem foi de correção e recuou 0,86% - movimentando R$ 37,1 bilhões de volume -, com a pesquisa Quaest da manhã dando o tom de cautela e o balanço da WEG pesando. O último relatório de fluxo estrangeiro mostrou uma queda, mas ainda com +R$ 19,98 bilhões no mês. Hoje o dia começa pressionado pelo exterior, com as falas de Trump de que não há negociações com o Irã e de que “algo” vai acontecer.

Lá fora, a IA reencontrou o fôlego. A Nasdaq subiu 1,05%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Dow ganhou 0,69%. Os chips lideraram, com o índice de semicondutores da Filadélfia subindo 1,97%, embalados pelos resultados da SpaceX e da SuperMicro. Detalhe para a discrepância na Nasdaq: são 216 ações fazendo mínimas contra 53 máximas, ou seja, o rali segue concentrado em poucos nomes. Já a madrugada foi de sell-off na Ásia, com a China, depois de 11 semanas em queda (a maior da história), entrando oficialmente em bear market.

EARNINGS

Meta: bateu a meta, secou o caixa

Primeiro fluxo de caixa livre negativo em dois anos, com capex de US$ 34,9 bi e uma nova classe C listada para financiar data centers.

Crescer a receita 264% é ótimo, mas ontem a Meta conseguiu ofuscar o próprio número por causa de uma novidade anunciada no fim do release: uma nova classe de ações, sem direito a voto, que a empresa justifica, antes de tudo, com captação de capital.

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A partir de 19 de janeiro, cada acionista ganha uma ação Classe C (sem voto) para cada papel que já tem. Parece um agrado ao acionista, mas dá à Meta uma ação líquida que pode emitir para financiar o capex sem mexer no controle.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 64,6 bilhões x US$ 63,37 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 3,83 x US$ 3,56 esperados.
🔴 Fluxo de caixa livre: −US$ 2,1 bilhões x +US$ 10,6 bilhões no 3T’25. É o primeiro negativo em pelo menos dois anos.

O que era bom ficou melhor: a máquina de anúncios nunca esteve tão afiada. As impressões cresceram 10% e o preço médio por anúncio subiu 14%. EUA e Canadá, os mercados mais maduros da empresa, cresceram 33% sobre uma base de US$ 21 bilhões.

Mas crescer a base tem seus desafios: o número de usuários chegou a 3,64 bilhões, crescendo só 3%.

Descasamento entre receita e lucro: a alta de 264% no lucro é efeito de base, já que o 3T25 teve uma baixa fiscal de US$ 15,9 bilhões e este trimestre, outra de US$ 9,9 bilhões. Sem esses efeitos, a receita cresceu 26%, e os custos, 36%. A depreciação dos data centers de 2025 começou a pesar.

A culpa é do Capex: US$ 34,9 bilhões no trimestre, 80% acima de um ano atrás, e o fluxo livre ficou negativo. Para fechar a conta, a Meta emitiu US$ 24,9 bilhões em dívida em 2026 e zerou as recompras. O caixa líquido, que era de US$ 22,8 bilhões em dezembro, está em perigosos US$ 1,5 bilhão.

  • Para os Bulls: o core nunca foi tão bom. Receita acima do topo do guidance, preço por anúncio subindo dois dígitos e projeção de US$ 73–76 bilhões para o 4T, acima do consenso. A IA já paga a conta no negócio principal.

  • Para os Bears: a depreciação mal começou, o caixa líquido zerou, as recompras sumiram e a empresa acabou de construir o veículo para emitir ação para se financiar. Quem compra Meta hoje financia o data center do Zuckerberg sem direito a opinar sobre ele.

O trimestre foi excelente para a máquina de anúncios, mas ninguém cria uma ação sem voto para deixar na gaveta: a próxima fatura da IA já tem endereço, e é o bolso do acionista.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 9 | Compra: 47 | Neutro: 6 | Venda: 1
Preço-alvo médio: US$ 817,87 | Preço atual: US$ 697,52
Potencial: +17,25%

MACRO/AÇÕES

→ Brasil: petróleo lidera exportações e responde por metade do superávit.
→ Crédito: onda de recuperações leva a aperto em contrato de crédito privado.
→ CVM: suspende oferta de CRIs da B.SEC por irregularidades na documentação.
→ Agro: como a Ruiz Coffees, 2ª maior produtora de café do Brasil, chegou a R$ 1,6 bilhão em dívidas e pediu RJ.
→ B3: quer atrair pequenas mineradoras que buscam capital no exterior
→ Shopee: lança divisão de computação em nuvem e avalia IPO de sua fintech.
→ Atacadão: Patria acerta compra de 22 lojas por cerca de R$ 1 bilhão.
→ Oncoclínicas: o caso que testa regras da recuperação extrajudicial no Brasil.
→ Petrobras: por que os gringos continuam comprando? BTG explica o apetite de NY.
→ Adidas: o investimento bilionário na Copa do Mundo valeu a pena?
→ Berkshire: o que a empresa viu na Lennar.
→ iFood: paga R$ 1 bilhão pela Caju e dobra a aposta em benefícios.
→ Salesforce: vai adquirir a Braze por US$ 5,7 bilhões.
→ General Motors: bate as expectativas de lucro, mas reduz a projeção para o ano.
→ WEG: tem lucro de R$ 1,67 bilhão no 3º trimestre, abaixo do esperado.

EARNINGS

Tesla: o carro paga, o robô gasta

O lucro bruto sobe 16%, mas um P&D de US$ 2,76 bi derruba o lucro operacional em 56%

O Roadster voador ainda não tá na loja, mas a margem da Tesla pegou o propulsor emprestado pra subir. Mesmo assim, o lucro operacional caiu 56% por um motivo simples: vender carro para financiar o desenvolvimento de robôs ainda não paga as contas.

Os números do trimestre:

🟢 Receita Bruta: US$ 28,05 bilhões x US$ 27,9 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 0,48 x US$ 0,43 esperados.
🔴 Lucro operacional: US$ 718 milhões, queda de 56% a/a
🟢 Assinaturas ativas de FSD: 1,74 milhão, crescimento de 67% a/a.

O dinheiro que veio: o lucro bruto subiu 16% no trimestre, puxado por (i) um mix de vendas com mais margem; (ii) o FSD, presente em mais de 75% dos carros novos na América do Norte, que ajudou o lucro de Serviços a dobrar; e (iii) Energia, com margem de 33% mesmo com a receita em queda de 16%.

O dinheiro que foi: as despesas operacionais cresceram 39% no ano, puxadas por US$ 2,76 bilhões em P&D, quase 10% da receita. A remuneração em ações, inflada pelo pacote de Musk, somou US$ 1,17 bilhão. Por isso, o lucro líquido de US$ 787 milhões (queda de 43%) é menos da metade do lucro ajustado de US$ 1,70 bilhão, que exclui esse custo.

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A comparação com o 2T é maldosa. O lucro daquele trimestre foi turbinado por um ganho contábil de US$ 1 bilhão com a participação na SpaceX. Sem isso, a operação melhorou no trimestre, com o lucro operacional subindo.

O número mais celebrado foi o fluxo de caixa livre positivo, em US$ 1,53 bilhão, enquanto WS esperava uma queima de US$ 4,5 bilhões. Essa diferença foi o capex, que gastou cerca de US$ 3 bilhões abaixo do esperado. Ou seja, não é caixa gerado… é cheque ainda não descontado.

  • Para os Bulls: a Tesla está trocando receita de carro por receita de software sem perder margem. O FSD cresce 67% ao ano, Serviços dobrou o lucro e a Cybercab já roda em Austin. Com US$ 45 bilhões em caixa, o gasto em P&D é investimento financiado, não aposta desesperada.

  • Para os Bears: o negócio que paga as contas está encolhendo. Entregas caíram 2%, receita automotiva caiu 3% e Cybertruck, Model S e Model X juntos despencaram 48%. A margem operacional é de chorar, em 2,6%,.

O resultado foi bom para quem compra a história do robô e ruim para quem compra o lucro de hoje. Na Tesla de 2026, o carro virou o patrocinador oficial do laboratório - e a Tesla 2027 pode ser só um pedaço da SpaceXSI.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 4 | Compra: 15 | Neutro: 21 | Venda: 2 | Venda forte: 2
Preço-alvo médio: US$ 397,83 | Preço atual: US$ 386,47
Potencial: +2,94%

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

Super Micro: ▲ 9,55%, após a empresa elevar guidance de receita em aproximadamente US$ 4 bilhões, acima da projeção anterior.

Cloudflare: ▲ 5,38%, com o aumento da demanda por segurança cibernética após a descoberta de vulnerabilidades críticas que afetavam códigos PHP.

TOTVS: ▲ 2,78%, foi a maior alta do Ibovespa. Sem um fato novo decisivo no pregão, o papel segue com o Investor Day recente no retrovisor, com a empresa apresentando novas frentes para monetizar IA a partir de 2027.

Em baixa

Hapvida: ▼ 8,48%, liderou as perdas do Ibovespa em um pregão de forte realização. O mercado ainda carrega a cautela recente do Citi, que cortou estimativas de lucros e disse que a prometida virada operacional ainda não apareceu.

WEG: ▼ 7,34%, com a divulgação de resultados do trimestre, em que a margem Ebitda caiu para 21,6%, pressionada por cobre, tarifas americanas e custos das novas fábricas.

Netflix: ▼ 5,30%, superou as expectativas do trimestre, mas entregou uma perspectiva mais fraca para receita e lucro no 4T. É o clássico da temporada de balanços: o retrovisor veio bonito, Wall Street estava olhando pelo para-brisa.

EARNINGS

SpaceX: o foguete virou o negócio pequeno

A IA já fatura mais que Starlink e foguetes somados, e Receita supera a estimativa em quase US$ 2 bi, puxada por contratos cloud.

Um ano atrás, a divisão de IA da SpaceX faturava US$ 813 milhões por trimestre e queimava dinheiro. Neste trimestre, faturou US$ 7,56 bilhões, mais do que a Starlink e a divisão de foguetes juntas. A empresa que nasceu para levar gente a Marte agora ganha a maior parte do dinheiro alugando GPUs em Memphis.

Os números do trimestre:

🟢 Receita: US$ 14,6 bilhões x US$ 12,72 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 0,45 x US$ 0,13 esperados.
🟢 EBITDA ajustado: US$ 8,8 bilhões, 4x de um ano atrás

IA voando mais que foguete: o motor do trimestre foi a SI (Super Intelligence, novo nome da divisão de IA). A receita de infra saltou de US$ 2,2 bilhões para US$ 7 bilhões em três meses, com a capacidade crescendo só de 1,4 para 1,7 gigawatt. Contratos antigos começaram a faturar em data centers já prontos, a preços acima do previsto em agosto.

Mas é satélite que paga os boletos: quem mantém a conta operacional ainda é a Starlink. Foram US$ 2,4 bilhões dos US$ 2,8 bilhões de lucro operacional, com 13,6 milhões de assinantes. Menos receita, mas margens completamente injustas na comparação.

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O lucro líquido de US$ 4,4 bilhões virou manchete, mas ele é maior que o lucro operacional, e isso pede lupa. A diferença são os juros de US$ 873 milhões sobre o caixa do IPO, inflando o Resultado Financeiro e US$ 390 milhões de benefício fiscal.

Para o 1T27, a SpaceX projeta receita de US$ 33 a 37 bilhões, mais que o dobro deste trimestre, e manteve a meta de US$ 100 bilhões em receita anualizada em dezembro. Musk ainda tuitou que o sonho de US$ 1 trilhão em 2028 já não é impossível.

  • Para os Bulls: cada gigawatt novo se paga antes de envelhecer, e Musk diz que poderia alugar a capacidade várias vezes. O backlog de US$ 63 bilhões dá uma visibilidade que nenhuma neocloud tem. E ainda leva de sobra a Starlink, crescendo 69% com margem EBITDA de 67%. É loucura não ter o foguete que dá ré na carteira.

  • Para os Bears: quem comprou SpaceX pelo foguete está carregando uma neocloud com contratos curtos e clientes que o release nem identifica. Um terço da dívida é com partes relacionadas, as definições de KPI mudaram três vezes em dois balanços.

A SpaceX entregou o melhor trimestre da sua curta vida na bolsa, e com méritos. Mas o negócio mudou de natureza: virou uma locadora de GPU que fecha contrato por temporada. O foguete também chegou à órbita, e o teste de verdade é o aluguel quando a alta temporada acabar.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 8 | Compra: 22 | Neutro: 5 | Venda: 3
Preço-alvo médio: US$ 255,06 | Preço atual: US$ 159,31
Potencial: +60,10%

STATS

-20,7%

É o quanto os pedidos de RJ do agronegócio caíram nesse 2T’26. O número ainda é grande, 448 pedidos, mas abaixo dos 565 do ano passado.

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