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EDIÇÃO #226 • 09/07/2026 • THEDROPS.COM.BR |

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que na teoria valuation reflete fundamentos. Mas na prática, a Nvidia perdeu US$ 1 trilhão em valor de mercado em menos de dois meses - mesmo com os analistas subindo as estimativas de lucro. Agora, no múltiplo, ela ficou mais barata que a Hershey's (sim, do chocolate). Nada mudou, mas o mercado achou uma história nova pra contar e o fluxo foi pra Micron. Valuation também tem hype!
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Blue Origin: os primeiros US$ 10 bi externos
• Santander: uma marca, dois mundos
• Tesouro: contra isentos e a falta de compradores


Por aqui, quando chove treta nunca é garoa. O petróleo disparou com a volta do conflito EUA-Irã e o Ibov passou o dia no vermelho (caindo pra região dos 170 mil pontos). O grande peso pra baixo foi a Vale, que apanhou depois de o Morgan Stanley rebaixar a recomendação do papel. Só quem saiu de guarda-chuva foi a Petrobras, que aproveitou a escalada global pra subir um pouco e evitou que todo mundo saísse encharcado. Amanhã sai o IPCA de junho, o dado que o mercado já cravou como decisivo para o próximo passo do Copom. Hoje é feriado em SP, mas o Ibovespa não fecha!
Lá fora, o gatilho tinha nome e sobrenome: Donald Trump. Direto da cúpula da OTAN, o presidente declarou que o cessar-fogo com o Irã "acabou" e o petróleo reagiu na hora. Wall Street acusou o susto, com o Dow desabando 1,09% e o S&P 500 caindo 0,28% - só o Nasdaq fechou no azul (+0,2%) depois de Trump amenizar o tom. As aéreas, reféns do combustível, foram as mais castigadas. No meio do fogo cruzado ainda saiu a ata do Fed, que mostraram um comitê rachado e uma preocupação de que energia e o custo da IA sustentem a inflação.

EXPLORAÇÃO ESPACIAL
Blue Origin: os primeiros US$ 10 bi externos
Bezos mira valuation de US$ 130 bi com o foguete parado

A Blue Origin tem 25 anos, seu único foguete orbital explodiu e sua única plataforma de lançamento está fora de operação. Mas ela tem Jeff Bezos e isso ajudou bastante na hora de fazer a primeira captação externa, levantando US$ 10 bilhões - buscando valuation pré-money de US$ 130 bilhões.
O book por enquanto tem vários interessados:
O fundo Coatue Management deve liderar com US$ 4 bilhões;
O próprio Bezos entra com US$ 2 bilhões;
Outros US$ 4 bilhões viriam de institucionais.
Até agora, Bezos tinha financiado a Blue Origin inteiramente do próprio bolso (US$ 28 bilhões). A rodada representa uma mudança de postura: Bezos diz que a empresa finalmente tem "visibilidade suficiente sobre seu futuro e sucesso financeiro" para abrir o capital para terceiros.
O timing, porém, pede atenção. Em maio, o foguete New Glenn explodiu durante um teste e a plataforma de lançamento danificada era a única operacional - e a reconstrução pode levar mais de um ano.
Detalhe: a Blue Origin fechou 2025 com 2 voos orbitais, contra 165 da SpaceX.
A comparação com a MuskSpace SpaceX é o elefante constante na sala:
→ A rival saiu do maior IPO da história valendo ~US$ 2 trilhões, contra os US$ 130 bilhões pretendidos pela Blue Origin (15x menos).
→ Via TeraWave, compete também com a Starlink (líder global de internet via satélite).
→ Tenta levar o módulo Blue Moon nas missões da NASA, mas a concorrente também larga na frente com vantagem considerável.
Com o espaço comercial ainda nos primeiros capítulos e os contratos governamentais bilionários se multiplicando… Bezos aposta que o mercado vai olhar para onde a empresa pode chegar, não para onde ela está agora.
Se a história da Blue Origin vai ser a da SpaceX com atraso ou a de uma segunda colocada permanente, essa rodada não responde. Mas ela garante que a corrida continue!
→ a Blue Origin deve gastar quase US$ 5 bilhões só em 2026. Os US$ 10 bilhões da rodada cobrem apenas dois anos de operação.

MACRO/AÇÕES
→ Ata do Fed: ‘alguns membros’ enxergam cenário para alta de juros em junho.
→ Crédito: Brasil tem a pior dinâmica de crédito da América Latina, aponta UBS BB.
→ Argentina: pagará US$ 4,3 bilhões da dívida e desafia céticos do mercado.
→ ETFs: de renda fixa mais do que dobram em um ano.
→ SpaceX: BTG Pactual inicia cobertura com compra e destaca vantagem competitiva “inigualável”.
→ Cosan: o plano para reduzir sua dívida e o que vem depois.
→ Oncoclínicas: a recuperação extrajudicial pode estar à porta.
→ Aegea: propõe novo aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões.
→ Bauducco: busca sócio minoritário e Mondelez quer o controle.
→ Engie: pode buscar até R$ 10,5 bilhões em follow-on.
→ B3: alcança 6,45 milhões de investidores pessoas físicas, maior nível em 5 anos.
→ Banco do Brasil: fecha contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios.
→ Fleury: com mais de R$ 2 bi em caixa, faz “análise clínica” para novos M&As.
→ SLC: está valendo metade do que valem suas terras. E para o mercado, ainda está cara.

BANCOS
Santander: uma marca, dois mundos
O banco mais valioso da Europa tem um problema chamado Brasil

Mesma marca, mesmo logo, mesmo dono. Um lado está registrando lucros recordes e reinando na Europa. O outro está demitindo gente, fechando agências e vendo sua ação derreter no Brasil. Bem-vindo à história do Santander, versão 2026.
A divergência entre matriz e subsidiária ficou impossível de ignorar: enquanto os papéis do grupo na Espanha subiram cerca de 24% neste ano, o SANB11 caiu 21%, com o pior desempenho entre os grandes bancos brasileiros.
Resultado: desconto de valuation recorde entre matriz e subsidiária, o maior desde que o Santander Brasil abriu capital. Agora, um assunto inevitável volta à tona: e se a Espanha decidir fechar o capital da filial?
Em 2014, quando o gap de valuation atingiu o recorde anterior, o Santander tentou exatamente isso: propôs trocar as ações da unidade brasileira por papéis da matriz.
Mas os minoritários não aderiram em número suficiente, e cerca de 10% das ações ficaram no mercado.
A matriz diz que não pensa nisso no momento, pois o banco já gastou US$ 14 bi nesse ano com aquisições do TSB e da Webster Financial.
Para resolver os problemas - que vão se acumulando com a inadimplência (+90 dias) subindo e o RoTE (retorno sobre patrimônio tangível) distante da matriz -, a saída foi baixar custos:
→ Nos últimos meses, o banco demitiu 6.200 pessoas (11% do quadro).
→ Metade de todos os fechamentos de agências feitos pelo grupo no mundo aconteceu aqui.
A liderança em Madri acredita que essa reestruturação vai dar frutos. O mercado ainda não está pagando para ver. E o desconto recorde segue como um convite aberto… que pode ou não ser aceito.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Penguin Solutions: +25,13% após conquistar o status de “Parceiro Especializado” da Nvidia AI Factory.
PetroRecôncavo: +6,04% com o petróleo Brent disparando e os dados de produção do 2º trimestre no radar.
Broadcom: +4,83% após a Apple expandir sua parceria em chips com um acordo de mais de US$ 30 bilhões.
Em baixa
Cury: -7,85% após divulgar dados operacionais do trimestre bem abaixo das expectativas.
Vale: -4,59% em um dia de duplo golpe, o MS rebaixou a recomendação, e o papel ainda foi arrastado pela queda das mineradoras lá fora.

BRASIL
Tesouro x títulos isentos
Prêmio de risco nas alturas, comprador em falta

Existe uma situação constrangedora para qualquer emissor: oferecer um produto e o mercado não querer comprar. O Tesouro Nacional passou por isso com os NTN-Bs (indexados à inflação). Na semana passada, parte dos papéis encalhou. Ontem, o Tesouro colocou apenas o lote mínimo e priorizou títulos pós-fixados, de menor risco.
Para o secretário do Tesouro, Daniel Leal, parte do problema é estrutural: o mercado de renda fixa brasileiro está distorcido pela proliferação de LCIs, LCAs e debêntures incentivadas, todas isentas de Imposto de Renda.
Se o investidor pode escolher entre uma NTN-B tributada e uma LCI isenta pagando taxa parecida, ele vai de LCI. O resultado é que o Tesouro precisa pagar mais para atrair compradores… o que encarece o custo da dívida pública e contamina as taxas de referência de todo o mercado.
As alternativas já estão mapeadas, e são as mesmas de 2025, quando o governo tentou via medida provisória e o Congresso não aprovou.
Retirar a isenção de IR sobre esses outros investimentos;
Aplicar IOF
Mudar as regras de emissão.
Hoje o prêmio de risco das NTN-Bs está em patamar historicamente alto, sinal de que o mercado está exigindo cada vez mais para financiar o governo.
Fato é que nenhum governo mexe em isenção fiscal às vésperas de eleição… mas o debate vai se tornando inevitável. Entre NTN-Bs encalhando no leilão e a Selic nas alturas, há uma tensão real.

STATS
9,4%
é o peso dos EUA nas exportações brasileiras, que caíram para o menor nível desde 1997, após o tarifaço de Trump.
Via Valor Econômico

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