|
EDIÇÃO #238 • 20/08/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro: que o FGC existe para dar ao pequeno investidor a segurança de que ele não perde dinheiro se um banco quebrar. Só que nos últimos anos, o selo “garantido pelo FGC” virou argumento de venda e ajudou a distribuidor a bater meta sem carregar nenhum risco junto - e todo mundo viu onde isso deu. Depois de vários tombos, agora o BC vai abrir uma consulta pública para proibir o uso do carimbo do FGC nas vendas.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Vulcabras: recorde de vendas, mas banco fica com boa parte
• Cripto: as baleias voltando ao BTC
• Nubank: lucro recorde no trimestre


Por aqui, a pior sequência de derrotas quedas do Ibovespa finalmente acabou. Depois de 11 dias caindo, ontem o índice fechou em alta de 0,90%, depois de ter chegado a ficar 2% positivo. Quem puxou o carro foram as gigantes Petrobras e Vale, mas com grande impulso da notícia de que o Tesouro americano vai dobrar o programa de recompra de títulos longos, o que aliviou os juros lá fora e destravou o apetite por risco no mundo todo.
Lá fora, os índices americanos também respiraram aliviados e encerraram a sequência de três quedas seguidas: o anúncio do Tesouro derrubou a treasury de 30 anos, que tinha batido a máxima em quase duas décadas nas vésperas. Mas a festa perdeu um pouco de gás à tarde, quando saiu a ata da reunião do Fed, que mostrou um Comitê ainda disposto a subir os juros se a inflação não arrefecer (3 dos 10 membros já votaram por uma alta em julho). Quem roubou a cena foi a Moderna (+179,67%) depois de divulgar dados positivos de um estudo sobre vacina contra melanoma.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS
Vulcabras: receita forte, dívida acompanha
Receita bate recorde no trimestre, mas linha de juros trava o lucro.

A Vulcabrás segue com o pace forte, vendeu mais Olympikus, Mizuno e Under Armour do que nunca e fechou o 2T com recorde de receita. O problema é que o lucro líquido não acompanhou no sprint final, culpa da taxa de juros que a empresa paga desde que trocou caixa líquido por dívida.
Os números do trimestre:
🟢 Receita Líquida: R$ 994,8 milhões, alta de 11,2% a/a.
🟢 EBITDA Recorrente: R$ 208,6 milhões, crescimento de 9,3% a/a.
🔴 Lucro Líquido Recorrente: R$ 143,7 milhões, caindo -0,8% a/a.
No pelotão de elite: o Brasil é quem carrega o resultado nas costas. As vendas domésticas subiram 13,3% e compensaram os 42,6% de queda no mercado externo. No fim: salto positivo de crescimento de 3,7%, vendendo 8,8 milhões de pares e peças.
Bem longe do pódio: a despesa financeira saltou de R$ 3,6 milhões no 2T’25 para R$ 22,8 milhões. Some a isso a pressão de custo da matéria-prima ligada ao Oriente Médio e temos a explicação de por que a margem líquida caiu de 16,2% para 14,4% mesmo com receita e EBITDA subindo.
Para os Bulls: receita recorde, Brasil crescendo dois dígitos, volume subindo mesmo em ambiente de consumo fraco e Selic alta. Se a dívida cai como prometido e o repasse de preço pegar, a margem líquida volta a expandir e o valuation volta a subir.
Para os Bears: a empresa trocou uma posição de caixa líquido por dívida em menos de dois anos, e a despesa financeira já multiplicou por seis na comparação anual. Em tempos turbulentos isso é mais frágil do que bater recorde de volume.
O conselho ainda aprovou mais um programa de recompra em até 15 milhões de ações, quase 13,6% do float total da empresa, com validade de 18 meses. É a empresa sinalizando ao mercado que acha que o papel está barato demais e prefere devolver valor via recompra a sair distribuindo dividendo pesado.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 2 | Compra: 4 | Neutro: 0 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 22,83 | Preço atual: R$ 13,60
Potencial: +67,89%
A Vulcabras vende mais quando o juro cai e o consumo volta
A carteira Mais Dividendos da EQI reúne ações que sustentam distribuição. Essa é uma delas.
Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

MACRO/AÇÕES
→ Fiscal: impulso fiscal eleva a taxa neutra e empurra os juros longos, diz o BTG.
→ Inadimplência: atinge mais de 9,1 milhões de empresas no país e bate recorde.
→ Ouro: salta 3% com queda dos juros nos EUA e chega a US$ 4,5 mil.
→ RJs: conversão de recuperação extrajudicial em judicial cresce.
→ FGC: BC vai propor regra em consulta pública para plataformas de investimento no uso do FGC.
→ CVM: vai julgar processo de suposta fraude em FII com Vorcaro e outros 19 acusados.
→ Tesouro: aproveita vencimento recorde de NTN-Bs e sai do modo defensivo em leilão.
→ Vista Energy: o que Peter Thiel viu na Vista Energy, “a PRIO da Argentina”.
→ Shein: corta o valuation do IPO em Hong Kong para cerca de US$ 25 bilhões.
→ Banco Mercantil: Citi inicia cobertura do ‘banco dos clientes 50+’ com ‘buy’.
→ Braskem: Idesa entra com pedido de Chapter 11 nos EUA para reestruturar dívida.
→ Fiat: mira mercado de US$ 1 bi de carrinhos de golfe nos EUA com elétrico de US$ 15 mil.
→ Itaú: ex-CFO é condenado a indenizar o banco em R$ 2,8 milhões por ‘rebates’ recebidos de contador.
→ C6: divulga R$ 1,25 bilhão de lucro e um salto de 20%.
→ Casas Bahia: Michael Klein é credor da Casas Bahia e deve votar no plano de reestruturação.
STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Moderna: ▲ 176,97% com os resultados positivos da nova vacina experimental contra o câncer.
Pilgrim’s: ▲ 9,79% depois que a JBS fez oferta para comprar as ações restantes que ainda não possui.
O mundo cripto: Coinbase (+9,55%), a Robinhood (4,63%) e a Strategy (+12,68%), graças à alta do Bitcoin impulsionada pela decisão do Tesouro de dobrar as recompras planejadas de títulos do governo de longo prazo.
Em baixa
Magazine Luiza: ▼ 5,37%, corrigindo depois da forte alta dos pregões anteriores, onde subiu ~9% após o pedido de RJ das Casas Bahia.
Gerdau: ▼ 5,21%, com notícias de que a BlackRock reduziu sua posição para menos de 10% das ações preferenciais.
Hapvida: ▼ 3,24% ainda repercutindo os resultados do trimestre e com o BTG Pactual cortando o preço-alvo pela metade.

CRIPTO
Bitcoin: as baleias parecem ter voltado
Nos últimos 60 dias, as baleias compraram cerca de 43 mil bitcoins

Enquanto o investidor de varejo parece ter desistido do Bitcoin (quando foi a última vez que o seu vizinho puxou esse assunto?), tem gente com bolso mais fundo fazendo o contrário. Nos últimos 60 dias, as "baleias" (carteiras gigantes) compraram ~43 mil bitcoins, algo como US$ 2,75 bilhões aos preços atuais.
E não é só baleia isolada:
Golfinhos (posições médias) também aumentaram saldo.
Detentores de 100 a 1.000 BTC, também estão comprando.
Até os "humpbacks", as baleias gigantes, +10.000 btc, entraram.
Com toda essa galera colocando mais grana na cripto, o resumo é que o movimento não é de um fundo oportunista isolado. E isso aconteceu justamente quando o clima estava ruim, com o BTC patinando perto de US$ 60 mil depois de meses de sangria e bem longe dos US$ 125k.
O bitcoin já acumula queda de ~50% desde a máxima de outubro. Os ETFs de cripto sangraram bilhões em saques, e a Strategy, que por anos foi praticamente o comprador de última instância do mercado, virou vendedora.
Historicamente, quando baleia compra, é pensando em prazo maior, não em manchete de terça-feira. E a compra no momento atual, de fraqueza, não na euforia, é o tipo de sinal que analista de ciclo adora citar depois que o fundo já passou.
Por outro lado, os volumes à vista em agosto estão nos piores níveis desde 2021, sinal de baixa convicção geral no mercado. Claro que a compra das baleias não garante retomada e o cenário macro ainda precisa colaborar.
Então fica o quadro: os "ricos" do bitcoin estão comprando na baixa, o que historicamente é bom sinal… mas o mercado como um todo ainda está andando na ponta dos pés!

EARNINGS
Nubank: recorde de lucro
Lucro passa da casa do bilhão pela 1a vez, mas a carteira de crédito cresce abaixo da expectativa.

A inadimplência alta, as ações patinavam, os gastos com expansão internacional subiam e o mercado torcia o nariz para o Nubank. Mas o banco respondeu com o número que nunca tinha aparecido na sua história: US$ 1,1 bilhão de lucro líquido em um único trimestre, 10% acima do consenso.
Os números do trimestre:
🟢 Lucro Líquido: US$ 1,1 bilhão, alta de 49% a/a e 17% t./t.
🟢 ROE: 33%, o maior patamar da história do banco.
🔴 Carteira de crédito: cresceu 5% no tri, abaixo dos 8% que o mercado esperava.
O que funcionou: mais receita, mais margem líquida e o custo do crédito caiu. Tem ainda o bônus interessante de que a operação mexicana já atingiu o breakeven e o Nubank se tornou o maior banco digital do México, com 16 milhões de clientes.
A receita mensal média por cliente ativo no México já está em US$ 12,3, contra US$ 5,6 que o Brasil tinha no mesmo estágio de maturidade em 2020. Mas o CFO já avisou que vai aproveitar a licença bancária e investir pesado por lá, o que vai deixar a operação no vermelho por um tempo.
O que não funcionou: o índice de eficiência piorou, saindo de 17,6% para 19,5%, pior do que o esperado. O vilão foi o aumento de gastos com internacionalização e marketing. A inadimplência >90 dias também voltou a subir, batendo 6,9%.
Para os Bulls: os recordes do trimestre mostram o que a tese sempre prometeu. Os números do México mostram uma operação que já monetiza bem mais rápido do que o Brasil e com grande potencial de crescimento.
Para os Bears: a carteira de crédito decepcionando e a eficiência piorando acendem um alerta, além do aumento da inadimplência. Apesar do trimestre, o México deve voltar a dar prejuízo e o P/L de 20x ainda não coloca tudo isso na conta.
O Nubank provou, com números, que consegue crescer e bater recordes de lucro, mas com um custo maior na eficiência. É a primeira vez em muitos trimestres que isso acontece. A pergunta agora é se foi um trimestre de ajuste ou o início de um ritmo novo com México e Brasil puxando os resultados.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 5 | Compra: 13 | Neutro: 3 | Venda: 0 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: US$ 18,63 | Preço atual: US$ 14,61
Potencial: +27,53%

STATS
US$ 65 bilhões
É a receita anualizada da Anthropic, 3x o que ela tinha há 4 meses.
Via Bloomberg


DROP LIKE IT'S HOT
[para entender] moneymaxxing, o novo termo da Geração Z para organizar a vida financeira.
[para estudar] o relatório sobre o cenário de crédito da Apollo.
[para ler] o grande truque - novo Insight da Kinea.
[para assistir] as oportunidades que quase ninguém quer ver na Bolsa Brasileira.


