EDIÇÃO #236 • 13/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?

Pensei no chuveiro: que quando a infraestrutura crítica do mercado financeiro trava e impede a abertura do pregão, a resposta deveria ser tratar isso como uma verdadeira emergência - reforçar tecnologia, redundância, contingência, dinheiro novo pra nunca mais acontecer. Mas na vida real, a B3 nem detalhou a causa da falha de 31 de julho e o próprio CFO já confirmou que o orçamento de tecnologia segue travado. #foramsótrêshorinhas

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• BB: bateu o consenso, não bateu o agro
• BTG Pactual: o recorde que já é rotina
• Renner: margem recorde, meta pela metade

Por aqui, já são sete pregões seguidos sendo martelados pela queda, com mais de R$ 7 bilhões indo embora até o dia 10. O clima segue pesado com o combo "risco Brasil" + incertezas eleitorais + instabilidade geopolítica. Quem está no modo “do contra” é a Embraer, que subiu mais 4% e esticou a sequência positiva depois do balanço acima do esperado e do forte guidance. Ontem também tivemos a ata do Copom, que mostrou um comitê indeciso.

Lá fora, a inflação americana veio redondinha com o esperado, em alta de 0,1% no mês e 3,4% no acumulado de 12 meses. Foi o suficiente para manter viva a aposta de que o Fed vai segurar os juros em setembro, mesmo com três dissidentes querendo subir a taxa na última reunião. Os índices acompanharam o otimismo: S&P 500 subiu 0,26%, o Nasdaq avançou 0,54% e o Dow Jones ficou praticamente no zero a zero (-0,04%). O Oriente Médio segue no radar como fator de risco para a inflação, com o Estreito de Ormuz ainda sem previsão de reabertura.

EARNINGS DROPPED BY EQI INVESTIMENTOS

BB: bateu o consenso, não bateu o agro

o lucro voltou, mas o agro ainda não pagou a conta

Depois de seis trimestres piorando, todo mundo esperava que o resultado do Banco do Brasil ia chegar morno. A aposta era de lucro em R$ 3,5 bi e as ações caíam 8% no mês com essa expectativa, mas o BB entregou R$ 3,9 bilhões e devolveu ao mercado a sensação de que talvez o pior já tenha ficado para trás. Talvez.

Os números do trimestre:

🟢 Lucro Líquido Ajustado: R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% t/t e 3,3% a/a.
🟢 Margem Financeira Bruta: R$ 27,5 bilhões, crescimento de 9,6% a/a puxado pela tesouraria, que subiu 10% no ano.
🔴 Inadimplência >90 dias: 5,61%, alta de 1,65 p.p. a/a, com a cobertura caindo de 183% para 148% em 12 meses.

Teve setor tirando nota 10: a tesouraria cresceu 10% a/a e compensou o crescimento lento do crédito. Nas despesas, o BB manteve as administrativas subindo 4,1% no acumulado do ano, abaixo do reajuste salarial de 5,7% e mostrando um bom controle de gastos.

Mas teve setor na recuperação: o crédito rural segue incomodando, mas a inadimplência acima de 90 dias ainda é aquele aluno que só incomoda - no agronegócio (3,16% → 6,27%) e na pessoa física (5,59% → 8,41%), só com as empresas salvando (3,85% → 3,18%).

Ou seja, o vilão do trimestre não é "o crédito" de forma genérica… é agro e pessoa física puxando a média pra cima enquanto o corporate está limpo.

O custo do crédito ainda somou R$ 18,5 bilhões no trimestre, 16% a mais que um ano atrás, e a carteira de pessoa física encolheu 1,2% no trimestre, puxada pra baixo justamente na hora em que o consignado (que cresce) não compensa o resto.

  • Para os Bulls: o lucro voltou a crescer dois trimestres seguidos, a tesouraria mostrou que sabe segurar resultado quando o crédito trava, e o banco ainda negocia a um P/VPA de 0,63x - desconto que, se a inadimplência estabilizar, vira munição de re-rating rápido.

  • Para os Bears: cobertura caindo 35 p.p é sinal de que o banco está correndo atrás do prejuízo rural, não na frente dele. E com o guidance já revisado uma vez para baixo, uma segunda decepção no 3T custaria caro para a credibilidade da gestão.

O Banco do Brasil não resolveu o problema do agro neste trimestre, mas provou que pode lucrar apesar dele. Isso é uma vitória tática, não uma virada de página. O termômetro real continua sendo a inadimplência, e ela continua subindo...

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 1 | Compra: 2 | Neutro: 8 | Venda: 1 | Venda forte: 1
Preço-alvo médio: R$ 25,09 | Preço atual: R$ 19,00
Potencial: +32,06%

Veja como encaixa na sua carteira:

*Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.

MACRO/AÇÕES

→ Brasil: J.P. Morgan reduz recomendação para Brasil com piora do cenário macro.
→ Ata do Copom: comitê decide não decidir nada.
→ Frigo: Brasil atinge 90% da cota de carne para a China e pode sofrer alta nas taxas.
→ IPCA: volta a ficar abaixo do teto, mas sinaliza o fim da melhora.
→ TSMC: se junta com a Sony para investir US$ 4,7 bilhões em joint venture.
→ Shein: IPO deve sair abaixo dos US$ 30 bilhões.
→ Caixa Seguridade: vai distribuir R$ 1 bilhão em dividendos.
→ Intel: segue a fila dos grandes investimentos em IA e levanta US$ 20 bi em ações para brigar com TSMC.
→ Simpar: prejuízo quase dobra no 2º trimestre.
→ Suzano: tem lucro de R$ 1,8 bi no trimestre, queda anual de 64%.
→ Natura: faz "mea culpa" após balanço sem grandes surpresas.
→ Hapvida: lucro cai 98,5% no 2º trimestre.
→ Gerdau: o plano da empresa para criar uma "nova Gerdau" no Brasil.
→ CSN: obtém apoio para troca de dívida e ganha alívio financeiro no valor de US$ 1 bi.
→ Plano&Plano: tem lucro de R$ 67 milhões no 2º trimestre.
→ Copasa: lucra R$ 227,1 milhões no 2º trimestre.
→ Nvidia: o próximo negócio de US$ 500 bilhões da Nvidia é financiar quem compra Nvidia.
→ Americanas: tem alta de 180% no prejuízo no 2º trimestre.
→ Trump Media: tem prejuízo de US$ 238 milhões no trimestre, 10x mais que o preju anterior.

STOCK MARKET

HIGHS AND LOWS

o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo

Em alta

SpaceX: ▲ 9,65% depois que o CEO Elon Musk apresentou projeções otimistas de crescimento para a Starlink.

Quantinuum: ▲ 27,97% após a empresa de computação quântica superar as estimativas em seu primeiro relatório de resultados desde o IPO e anunciar uma parceria com a Oracle.

Wendy's: ▲ 14,7% após relatos de que a Trian Fund Management, de Nelson Peltz, está preparando uma oferta para fechar o capital da empresa.

Em baixa

Braskem: ▼ 7,80%, com notícias de que a empresa avalia pedir recuperação extrajudicial ainda em agosto.

Direcional: ▼ 4,72%, o balanço do 2º tri veio pressionado por cancelamentos de vendas

TOTVS: ▼ -4,15%, sem notícias relevantes, a empresa já caiu -8,97 nos 3 pregões dessa semana.

BANKING

BTG Pactual: o recorde que já é rotina

O motor que mais cresce também é o que mais preocupa

O BTG Pactual acabou de fechar mais um semestre recorde: lucrou R$ 5,14 bilhões, subindo 22,6% a/a. Só que a provisão para perdas cresceu 3x mais que a carteira de crédito e derrubou as ações - justamente porque o motor que o banco mais apostava está encolhendo.

Os números do trimestre:

🟢 Lucro Líquido Ajustado: R$ 5,14 bilhões, novo recorde, alta de 22,6% a/a e 7% no trimestre.
🟢 Receita Total: R$ 10,37 bilhões, também recorde, crescendo 16% a/a e 4% t/t.
🔴 Investment Banking: receita de R$ 421 milhões, queda de 46% a/a — o pior desempenho entre as sete linhas de negócio do banco.

O motor do trimestre trocou de lugar: os empréstimos corporativos subiram 21% e segue com spreads saudáveis, mas o turbo mesmo veio com Consumer Finance & Banking crescendo 74% a/a - puxado pela integração da fintech MeuTudo e pelo consignado privado.

Do outro lado está o Investment Banking, que só não assusta porque já era esperado - o 2T’25 tinha sido recorde e o volume de emissões de dívida despencou no trimestre. Nem ser o único banco latino-americano no IPO da SpaceX segurou a receita, mas a administração aposta num 3T26 mais forte.

Nas despesas, o BTG cresce gastando um pouco a mais, com a eficiência ajustada indo a 37,1% (era 38,1%). O preço de comprar crescimento aparece na amortização de ágio, que subiu 30% no ano, reflexo do apetite recente por aquisições (Pan, Julius Baer Brasil, Órama, Sertrading, JGP, Justa… a lista é grande).  

  • Para os Bulls: o BTG virou uma máquina de ganhar mercado que funciona em qualquer cenário. Crédito, consumo e wealth crescem ao mesmo tempo e o banco ainda tem apetite e capital para comprar mais.

  • Para os Bears: o problema real não é o ágio, é o crédito. A provisão pra perdas cresceu 19,4% no semestre, 3x mais rápido que a carteira, que subiu 6,4%. O motor que mais cresce, Consumer Finance, é também o que concentra o risco. 

O BTG segue sabendo crescer em qualquer velocidade de mercado. A pergunta que ficou a com reação do mercado foi: o preço que o banco paga por crescer tão rápido no varejo ainda está barato, ou a provisão que sobe 3x mais que a carteira já é o primeiro aviso.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 3 | Compra: 8 | Neutro: 2 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 66,00 | Preço atual: R$ 49,60
Potencial: +33,06%

STATS

14%

A ata do Copom divulgada ontem mostrou um BC em cima do muro quanto ao direcionamento da nossa taxa de juros.

Fato é que tivemos o 4° corte consecutivo. Não quer ser pego de surpresa em relação ao futuro da nossa taxa de juros? Prepare a sua carteira para vários cenários! O comparador da EQI mostra quanto a renda fixa está pagando hoje em cada título. Acesse aqui e recalcule sua rota →

*Conteúdo informativo - não constitui recomendação de investimentos.
VAREJO

Renner: margem recorde, meta pela metade

A varejista jogou a Copa do Mundo, o consumidor endividado na conta

Entregar a maior margem bruta da história no mesmo trimestre em que revisa o guidance para a metade (9-13% → 4-8%)… a Renner mostrou dois sinais bem opostos no report e o mercado está mercado está balanceando qual pesa mais.

Os números do trimestre:

🟢 Margem Bruta de Varejo: 57,5%, recorde para um 2T, alta de 0,4 p.p. a/a.
🟢 Lucro Líquido: R$ 404,6 milhões, +8% na base ajustada (sem os efeitos extraordinários).
🔴 Receita Líquida de Varejo: R$ 3,6 bilhões, crescimento de apenas 1,1% a/a.

Para a Renner, a queda na receita foi culpa do Ancelotti da Copa do Mundo. A base na comparação com o ano passado era gigante e em 2026 o brasileiro trocou o shopping pelo sofá durante os jogos e colocou mais grana em casas de apostas do que em roupa nova.

Some a isso um consumidor mais endividado e uma Selic que caiu mais devagar do que o esperado, e você tem a receita perfeita pra um trimestre de vendas fracas.

A resposta foi apertar o cinto sem doer: as despesas operacionais cresceram só 1,5%, bem abaixo da inflação e do plano de expansão de lojas em curso - mesmo abrindo 14 novas lojas no trimestre. Disciplina + margem = EBITDA de varejo com alta de 2,3%, para R$ 791,2 milhões.

O ponto fraco ficou por conta da Realize: o resultado de serviços financeiros despencou 54,9% para R$ 53,5 milhões, com a inadimplência das famílias brasileiras batendo recorde (83,7 milhões de inadimplentes, segundo a Serasa) e obrigando a financeira a provisionar mais.

  • Para os Bulls: a tese de longo prazo saiu intacta, com a empresa reafirmando 100% das metas de 2027-2030, incluindo ROIC de ~20% e margem EBITDA de 18%-20%. Margem bruta recorde em ambiente de vendas fraco mostra pricing power e eficiência de estoque que poucos concorrentes têm.

  • Para os Bears: um corte de guidance de quase metade não é coisa pequena, e a Realize, que já foi motor de lucro, virou fonte de dor de cabeça. Se o consumidor brasileiro seguir endividado, a "reaceleração no segundo semestre" pode virar mais uma promessa adiada.

Nesse trimestre, a Renner passou no teste de rentabilidade e reprovou no teste de crescimento… e no varejo de moda, é o crescimento que costuma decidir a narrativa.

Recomendação dos analistas:

Compra forte: 3 | Compra: 8 | Neutro: 4 | Venda: 0
Preço-alvo médio: R$ 18,66 | Preço atual: R$ 11,74
Potencial: +58,92%

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