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EDIÇÃO #255 • 20/10/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper! Pronto pro pregão?
Pensei no chuveiro que na teoria a sequência da vida financeira sempre foi mais ou menos a mesma: você começa a trabalhar, recebe seu primeiro salário, poupa e, só depois, começa a investir. Mas Elon Musk quer acelerar o processo e prometeu dar uma ação da SpaceX para cada criança americana, enquanto a Anthropic separa parte do próprio capital justamente para lidar com os impactos da IA sobre o mercado de trabalho. Talvez a próxima geração faça o caminho ao contrário: primeiro vira acionista, depois descobre se ainda vai precisar de emprego.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• RJ: Americanas recebe alta da UTI judicial
• Opções semanais: a eleição em capítulos curtos
• TSMC: sexto recorde, zero aplauso


Por aqui, a semana decisiva do pleito eleitoral começou no zero a zero e o Ibovespa fechou ontem praticamente como começou (-0,17%). A Petrobras teve uma queda mais considerável (-2,82%), mesmo com o WTI subindo mais de 2% no dia. Quem sorriu foram as varejistas, com Magalu disparando +6,48% (60% no mês) e Azzas +13,25%, com o índice de small caps avançando 2,39%. O Focus reduziu a projeção do PIB 2026 para 1,83%, com o IPCA mantido em 5,22%. Agora são quatro pregões até as urnas, com pesquisa Quaest na quarta, Datafolha na quinta e debate na Globo na sexta.
Lá fora, a Nasdaq tirou o pé do chão depois da pior semana desde junho. A queda de 4,48% de sexta ficou pra trás com alta de 1,11% ontem, aos 26.430 pontos, e o S&P 500 subiu 0,41%, enquanto o Dow recuou 0,08%. O alívio não apagou a desconfiança com a IA. Segundo o Goldman, os spreads de crédito dos hyperscalers estão nos maiores níveis do ano, e o Fed já vê o boom da IA como combustível para a inflação. A China surpreendeu, com o PIB crescendo 4,5% no 3T. Já a Europa fechou em queda, pressionada pelos protestos na França, que reacenderam o medo fiscal.

RECUPERAÇÃO
Americanas recebe alta da UTI judicial
Quase quatro anos após o rombo de R$ 20 bilhões, a varejista sai da recuperação judicial

Depois de anos lutando, a Americanas ganhou o aval para tirar a placa da “RJ” da porta. A Justiça do Rio reconheceu que a empresa cumpriu o plano aprovado, passou pela fase mais difícil e agora pode continuar sua recuperação longe dos olhos judiciais.
A história começou em janeiro de 2023. O então CEO, Sérgio Rial, revelou inconsistências contábeis em operações de risco sacado, estimadas em R$ 20 bilhões. A PF e o MPF concluíram que a empresa escondeu operações financeiras e registrou receitas que não existiam.
A Americanas entrou em recuperação judicial com mais de R$ 40 bilhões em dívidas.
Do lado da operação, o que a empresa entregou:
Ganho operacional de cerca de R$ 500 milhões nos últimos dois anos.
Vendas nas mesmas lojas, no 1S’26, 9,3% acima do ano anterior.
Receita bruta por metro quadrado 10,3% maior.
A primeira etapa passou, mas isso não significa a cura completa para a crise. A gigante do varejo agora tem que mostrar que consegue se manter sozinha para brigar num cenário mais desafiador do que aquele que levou ela para o buraco - e-commerce mais disputado, famílias endividadas e juros elevados.
A Americanas de Lemann, Telles e Sicupira ganhou uma página nova no registro, mas um CNPJ "limpo" não apaga um rombo de R$ 20 bilhões. O mercado só vai acreditar quando o balanço convencer. E a briga sobre quem paga a conta ainda está longe do fim.
PS: AMER3 sobe 16,37% no ano, mas 99,9% abaixo da sua máxima histórica, alcançada em julho de 2020.

MACRO/AÇÕES
→ VIX Brasil: o índice do medo bate novo recorde na B3.
→ S&P 10: a concentração inédita por trás da alta da Bolsa americana.
→ M&As: caem 26% na América Latina, mas Brasil atrai grandes negócios.
→ Tesouro: os cenários da Kinea para o ajuste fiscal.
→ FIIs: de logística ganham força com escassez de galpões.
→ Dólar: Goldman Sachs abandona cenário de dólar acima de R$ 5.
→ Exportações: doença de Newcastle é encontrada em granja em Santa Catarina e ameaça exportações de frango do Brasil.
→ Vale: afirma que custos altos levam 10% do mercado de minério a operar no prejuízo.
→ Havan: vai crescer mais no Norte e no Nordeste com capital próprio, diz Luciano Hang.
→ Itaú: compra 35% da Prisma para crescer na gestão de alternativos.
→ Anthropic: destinará 5% de suas ações a novo fundo de benefício público.
→ Banco do Brasil: cria ‘cofrinho’ de reinvestimento de dividendos e JCP.
→ Banco Inter: compra participação da Wiz e passa a deter 100% da Inter Seguros.
→ Ri Happy: pede recuperação extrajudicial em processo de R$ 827,4 milhões dois meses após troca de controle.
→ Berkshire: ação está nas máximas desde que Buffett se aposentou.
→ Rede D’Or: família Moll atualiza acordo de acionistas e estabelece diretrizes para sucessão.
→ Cosan: aprova transferência de 20,33% da Rumo (RAIL3) para fundo de investimento.

STOCK MARKET
HIGHS AND LOWS
o que subiu e o que desceu nos pregões pelo mundo
Em alta
Silence Therapeutics: ▲ 125,58%, após a aquisição pela alemã Merck, em uma transação em dinheiro de ~US$ 1,3 bilhão.
Azzas 2154: ▲ 13,25%, recuperando os quatro pregões seguidos de queda, enquanto o mercado continua digerindo a reorganização societária aprovada pelo Cade e as alternativas envolvendo a Farm.
MRV: ▲ 10,94%, recuperando parte da correção da semana passada, apoiada pela expectativa de melhora operacional e pelo alívio dos juros futuros no pregão.
Amazon: ▲ 4,98%, depois que o Morgan Stanley a nomeou como uma das "melhores escolhas" da bolsa.
Em baixa
MBRF: ▼ 4,11%, levou uma dobradinha indigesta, a confirmação de um foco de doença de Newcastle em uma granja em SC e preocupação com o impacto trabalhista do fim da escala 6x1. O BTG apontou a companhia como a mais exposta entre os grandes frigoríficos ao aumento dos custos de mão de obra.
Petrobras: ▼ 2,82%, realizou parte da alta recente junto com a queda do Brent, e acabou sendo um dos principais pesos do Ibovespa.
Santander: ▼ 1,80%, acompanhando a fraqueza dos bancos brasileiros em um pregão ainda dominado pela incerteza eleitoral.
BOLSA
Opções semanais: a eleição em capítulos curtos
Com a bolsa em rali, volume diário das opções semanais saltou 79% e bateu recorde em outubro.

Quando a bolsa entra em clima de eleição, ninguém fica muito parado: tem investidor comprando, vendendo, protegendo carteira e tentando adivinhar o próximo capítulo antes do mercado. Em 2026, essa ansiedade ganhou um endereço bem claro: o mercado de opções da B3.
O volume financeiro médio diário desses contratos chegou a R$ 1,4 bilhão até 9 de outubro, alta de 79% em relação a 2025.
O volume explodiu junto com as duas novelas que o mercado acompanha de perto: a corrida presidencial e os próximos passos da Selic. Quando os juros futuros mudam de direção, a bolsa muda junto - ou pelo menos tenta. Foi aí que os contratos mais curtos ganharam força:
Opções semanais: de R$ 50 milhões para R$ 106 milhões.
Opções sobre índices: R$ 273 milhões por dia, quase o triplo dos R$ 94 milhões do ano passado.
Contratos em aberto: 8,5 bilhões em 9 de outubro, contra 5,8 bilhões no fim de 2025.
O investidor quer reagir rápido. Uma pesquisa eleitoral, uma fala sobre gastos públicos ou uma virada na curva de juros mexe com os preços em segundos. E as opções viraram o controle remoto desse mercado nervoso.
Outro termômetro é o número de contratos em aberto. O salto no volume e na quantidade mostra que opções deixaram de ser apenas um cantinho técnico da bolsa e passaram a ser peça relevante no kit de sobrevivência do investidor.

Opções
São derivativos: contratos cujo valor deriva do preço de outro ativo.
Elas existem em dois tipos: a call dá ao titular o direito de comprar o ativo, e a put, o direito de vendê-lo. Quem compra o contrato é o titular, e quem o vende é o lançador.
A diferença para comprar o ativo direto é que, com a opção, o titular paga só pelo direito, não pela obrigação.
É por isso que ela serve a três perfis de uso: proteção da carteira, aposta direcional com menos capital e geração de renda para quem lança contratos.
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EARNINGS
TSMC: sexto recorde, zero aplauso
Receita acima do guidance e lucro recorde já não são mais suficientes para a empresa que é negociada a 24x P/L.

A TSMC embarcou só 3,2% mais wafers no 3T, mas a receita em dólar subiu 16,2%. Essa diferença resume a história: a fábrica de quase ¾ dos chips do mundo não está vendendo muito mais, está cobrando mais caro por chips mais difíceis de fazer. Mesmo batendo o topo do guidance, o mercado olhou para outro lado de novo.
Os números do trimestre:
🟢 Receita: US$ 46,72 bilhões x US$ 44,93 bilhões esperados.
🟢 Lucro por ação: US$ 4,60 x US$ 4,48 esperados.
🔴 Margem bruta: 66,4%, queda de 1,3 p.p. no trimestre, mas dentro do guidance.
“Se for bolha, não me estourem”: computação de alto desempenho, leia-se chip de IA pra Nvidia, já responde por 68% da receita, contra 57% um ano atrás, e cresceu 22% só no trimestre.
O risco do negócio: tecnologia nova já nasce cara, tem rendimento baixo, depreciação alta e curva de aprendizado no começo. Somando as fábricas fora de Taiwan, que custam mais para operar, a margem bruta recuou de 67,7% para 66,4%.
Saúde no caixa: o fluxo de caixa livre saltou 66% para NT$ 476,56 bilhões, e o caixa líquido encostou em NT$ 3 trilhões. Parte disso veio de Washington: cerca de NT$ 199 bilhões em créditos fiscais do Tesouro americano, o subsídio da fábrica do Arizona. E essa grana entra no caixa, não no lucro.
Para os Bulls: a TSMC elevou o crescimento de 2026 para 44% em dólar, guiou o 4T entre US$ 52,3-54,3 bilhões e ainda tem cliente na fila. É monopólio de fato no chip mais avançado do planeta, com ROE de 45,5% e caixa líquido de quase NT$ 3 trilhões. Margem de 66% em indústria pesada não é problema, é privilégio.
Para os Bears: o crescimento depende de um único vetor, IA, e de um punhado de clientes americanos. A margem bruta parou de subir justamente quando o capex vai acelerar, e a empresa já admitiu que a diluição das fábricas fora de Taiwan dobra nos próximos anos. Se a demanda de IA piscar em 2027, a TSMC vai estar no pico do investimento com a margem já em descida.
Resultado excelente, sem asterisco na demanda. O asterisco está no modelo: a TSMC trocou “mais receita, mais margem” por “mais receita, mesma margem”, e o mercado ainda não decidiu se paga o mesmo múltiplo pela segunda versão.
Recomendação dos analistas:
Compra forte: 6 | Compra: 14 | Neutro: 1 | Venda: 0
Preço-alvo médio: US$ 584,39 | Preço atual: US$ 420,22
Potencial: +39,07%

STATS
67
são os meses consecutivos que a inflação americana (CPI) fica acima da meta de 2% do Fed, desde março de 2021.


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